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Angola

Corrupção nas estradas: exemplo "devia vir do topo"

Há uma semana, entraram em função novos agentes da Unidade de Trânsito de Luanda, não só para regular a circulação rodoviária como também para acabar com a corrupção no trânsito. Mas resultados ainda se fazem esperar.

Geraldo Wanga estava à espera da entrevista com a DW África, no município de Belas, na província de Luanda, quando recebeu um telefonema: Um jovem taxista ligou-lhe para fazer uma denúncia. Por coincidência, Wanga, presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA), estava por perto.

Angola Geraldo Wanga

Geraldo Wanga, presidente da ANATA

"Há instantes, estavam aqui alguns agentes a efetuar uma operação para retirar as películas de cor preta [que tornam os vidros fumados]. Um jovem foi interpelado e solicitaram-lhe que retirasse a película. Depois de a retirar, foi-lhe solicitado um valor de 1500 kwanzas [8 euros] para reaver a sua documentação", conta o responsável. "Ele ligou para denunciar esta prática do agente."

Na semana passada, dois agentes foram expulsos da Polícia Nacional por incorrerem no crime de concussão, sendo acusados de coagirem automobilistas a entregar 1500 kwanzas sob pena de apreensão da documentação e viatura. E há uma semana, entraram em função quatrocentos novos efetivos da Unidade de Trânsito nas ruas da capital angolana, não só para regular a circulação rodoviária, mas também para combater a corrupção entre condutores e agentes da corporação. Uma semana depois, pouco ou nada parece ter alterado.

Segundo Geraldo Wanga, trata-se de uma prática instituída, difícil de mudar - "por mais que o taxista esteja devidamente legalizado, há sempre uma razão que levará o agente regulador de trânsito a incitar tal prática."

Ceticismo

"Não é a expulsão deste ou daquele agente que vai passar a mensagem de que a atuação mudou", comenta o jornalista Alexandre Neto Solombe. "Há 'vítimas' que têm sido afastadas da policia como único exemplo que é dado, mas eu penso que o maior exemplo viria do topo."

Sendo assim, os quatrocentos efetivos não trarão nada de novo, acredita Alexandre Neto Solombe: "Num país onde a corrupção é uma lei, vamos conseguir poucos efeitos com estas remodelações."

Ouvir o áudio 02:46

Corrupção nas estradas: exemplo "devia vir do topo"

Geraldo Wanga, da associação de taxistas, reconhece os esforços da Polícia Nacional no combate à corrupção no seio da corporação, mas entende que muito ainda deve ser feito. "Há necessidade de um diálogo entre aqueles que são apontados como corruptos e corruptores", defende Wanga.

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