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Angola

Corrupção é comum na distribuição de emprego, denunciam jovens angolanos

Na terça-feira (23.07), o chefe da diplomacia angolana disse que o Governo pretende criar, até 2017, mais de 1 milhão de novos empregos, sobretudo para jovens. Estes, já denunciam corrupção na seleção de emprego.

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Um cortador de diamantes angolano

Luanda está ciente do problema que representa para a economia e a sociedade a taxa de desemprego calculada oficialmente em 30%, mas que os analistas dizem ser muito superior, especialmente entre a camada jovem.

Jang Nómada é um jovem músico angolano de 32 anos que relata a sua situação: "Sempre trabalhei de forma independente, profissionalmente ganho o pão como eletricista, faço música profissional, mas não ganho dinheiro."

A independência do jovem músico significa, na verdade, que não tem qualquer segurança salarial ou social, e que está dependente da boa vontade dos diversos patrões para obter trabalho.

Nómada está ciente desta realidade e já tentou encontrar um emprego com contrato: "Eles também selecionam as pessoas para o primeiro emprego, mas aquilo é um esquema. Na altura em que fizemos as provas disseram-nos que poderiamos estar nas áreas da eletricidade dentro e fora da capital, mas aquilo não aconteceu porque eles, comos esquema, pediram dinheiro e essas pessoas entraram."

Jang Nómada diz que a corrupção é comum na distribuição de empregos. Mas é apenas um de muitos problemas que afectam o mercado do trabalho e parece de difícil solução.

Luanda Leben in Sao Paulo Verkäuferinnen

O negócio informal é alternativa encontrada por muitos jovens em Angola

Anúncio não é novo

Não é esta a primeira vez que o Governo de Angola anuncia um plano de criação de emprego. O último foi apresentado em 2008 e prometia igualmente um milhão de empregos num espaço de quatro anos.

O professor de línguas, Oswaldo Inglês, de 32 anos, comenta: "A situação continua na mesma, as pessoas precisam de casa e emprego e não conseguem porque não têm possibilidades. As pessoas que têm possibilidades, filhos de grandes dirigentes, ministros, por ai fora, então esses conseguem facilmente empregos."

Oswaldo Inglês, começou a trabalhar aos 12 anos. Após uma formação em línguas, hoje dá aulas em escolas privadas e empresas, para além de ser ativista político no Bloco Democrático.

Está ciente de que a precaridade do seu emprego pode vir a representar um problema, mas optou por não tentar ingressar no ensino oficial por motivos privados diz.

Sendo considerado opositor ao Governo do MPLA, provavelmente as suas possibilidades de emprego teriam sido remotas.

Pelo menos é esta a opinião de Jang Nómada, que conta a sua própria experiência: "Já estive numa empresa de energia e estava para entrar numa outra área, mas não entrei porque as pessoas disseram que não podiam arranjar vaga porque tu és contra o Presidente."

Nem o setor privado é uma alternativa, diz o jovem músico, pois a maioria das empresas está dependente de encomendas do Estado para sobreviver: "Tenho tios que fazem negócios com os ditos generais, mas não aceitam trabalhar comigo porque sabem que sou uma voz opositora."

Angola_Jobs die so keiner kennt

José Pereira vende sapatos na rua

Formação é a solução

Américo Vaz, de 36 anos, atravessou muitas dificuldades até conseguir realizar o seu sonho profissional de corretor de seguros independente.

Mas o seu caso pode levar a pensar que o sucesso é só uma questão de esforço e aplicação. Américo Vaz diz modestamente que teve sorte e que a sua experiência não pode ser generalizada.

Um problema é o Estado ser o maior empregador do país. Mas há outros: "Não temos uma linha de formação, e um exemplo seria a formação profissional. Não temos escolas técnicas para formar um eletricista, um torneiro, um carpinteiro, depois com a agravante do Estado não facilitar a promoção de emprego, como fomentar a criação de negócios por parte do empresariado nacional privado."

Para Vaz há "há uma série de fatores que concorrem para que a maior parte dos jovens hoje não consiga aceder ao emprego."

Ouvir o áudio 03:58

Corrupção é comum na distribuição de emprego, denunciam jovens angolanos


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