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NOTÍCIAS

Confrontos em protesto pela demissão do Presidente José Mário Vaz em Bissau

Polícia usou gás lacrimogéneo em confrontos com os manifestantes. Várias pessoas ficaram feridas. Manifestação começou por não ser autorizada mas acabou por receber “luz verde” das autoridades.

Lagos Demonstrationen gegen den Präsidenten in Bissau (DW/A. Kriesch)

Foto de arquivo: Protesto pela demissão de José Mário Vaz em março de 2017

Uma manifestação do Movimento Jovens Inconformados da Guiné-Bissau resultou em vários feridos, este sábado, depois de a polícia reagir às provocações de manifestantes que insistiam em chegar à Praça dos Heróis Nacionais, onde está situada a Presidência da Republica. Segundo a agência Lusa, os polícias entraram em confronto com os manifestantes, depois de estes terem atirado água, pneus e pedras aos agentes.

Pelo menos 12 manifestantes do Movimento Jovens Inconformados da Guiné-Bissau deram entrada no Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau, com ferimentos, revelou fonte hospitalar. A organização dá conta de 21 pessoas feridas. Do lado da polícia, dois agentes terão ficado feridos.

O protesto do Movimento de Cidadãos Inconformados com a crise política na Guiné-Bissau foi inicialmente proibido, mas acabou por ser autorizado pela polícia. O Movimento pede a demissão do Presidente José Mário Vaz, numa altura em que aumenta a pressão para que o chefe de Estado cumpra o Acordo de Conacri.

Violência e gás lacrimogéneo

Durante a manifestação deste sábado, a polícia tentou impedir a passagem dos jovens para a Praça dos Heróis Nacionais, mas os participantes no protesto continuaram a tentar avançar para a zona da Presidência, o que levou a polícia de intervenção rápida e a Guarda Nacional a disparar gás lacrimogéneo e a usar a força física. No local encontravam-se também presentes muitas crianças.

Guinea-Bissau Jose Mario Vaz (Getty Images/AFP/Seyllou)

Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz

A agência Lusa contatou o comando da policia de Bissau, mas ainda não obteve resposta, tendo apenas a informação de que há, pelo menos, dois agentes de autoridade feridos, para além de 12 manifestantes que foram encaminhados para o Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau.

Os Inconformados exigem a renúncia do Presidente, José Mário Vaz, que acusam de ser o principal responsável pela crise no país. O movimento, constituído essencialmente por associações de jovens e de mulheres, tem promovido manifestações de rua para exigir ao chefe do Estado guineense que abandone o poder.

Protestos vão continuar

O presidente do Movimento de Cidadãos Inconformados com a situação política na Guiné-Bissau, Sana Canté, disse que os protestos vão persistir e pediu à comunidade internacional para não facilitar na resolução da crise: "Vamos persistir. Não podem impedir as nossas manifestações porque o nosso Estado é soberano e ninguém pode impedir a nossa liberdade de expressão".

Para Sana Canté, o "principal responsável pela crise está identificado [referindo-se ao Presidente do país, José Mário Vaz] e a comunidade internacional não pode facilitar". Segundo Sana Canté, os ânimos na manifestação exaltaram-se porque a polícia espancou um grupo de jovens que tentou chegar ao edifício da UDIB, também junto à Presidência guineense.

"Há 21 pessoas feridas e há detidos, que ainda não consigo precisar", disse Sana Canté, sublinhando que foram detidas em casa pessoas que não participaram na manifestação, mas que apoiam o movimento

PAIGC aponta o dedo ao Presidente

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo (PAIGC) acusou entretanto o Presidente guineense, José Mário Vaz, de ter ordenado o "uso desenfreado de força e repressão" sobre os manifestantes que protestaram em Bissau. 

"Gorada a tentativa de impedir a realização da marcha, esgotados todos os argumentos legais e inconstitucionais para o efeito, José Mário Vaz ordenou ao seu Governo, a mobilização de uma carga mista, policial e militar, e o uso desenfreado da força e da repressão, tendo resultado no ferimento grave de várias dezenas de manifestantes e ainda prisão de outros tantos", afirmou o presidente do partido, Domingos Simões Pereira. 

Domingos Simões Pereira falava aos jornalistas em conferência de imprensa convocada após os confrontos registados  entre a polícia e os manifestantes que participaram no protesto contra o Presidente guineense.  

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