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NOTÍCIAS

Confrontos em Moçambique levam centenas a refugiar-se no Zimbabué

Várias famílias deixaram as regiões fronteiriças dos distritos de Mossurize e Báruè, em Manica, centro do país, e rumaram ao país vizinho, temendo os confrontos entre a RENAMO e as Forças de Defesa e Segurança.

Ainda não são conhecidos números oficiais, mas sabe-se que centenas de pessoas procuraram refúgio no Zimbabué, fugindo aos confrontos que assolam algumas províncias moçambicanas. Várias famílias que vivem em Chiurairwe, Nhabuto, Nhampassa, Chôa e Honde, nos distritos fronteiriços de Mossurize e Báruè, na província de Manica, partiram para o país vizinho.

Ao mesmo tempo, milhares de pessoas de outros postos e localidades abandonaram as suas residências e refugiaram-se nas sedes distritais de Vanduzi e Espungabeira, na sequência de incursões levadas a cabo por homens armados alegadamente da RENAMO,  que terão roubado gado bovino e bens da população.

A DW África deslocou-se a estes distritos, onde ouviu relatos dos populares. Temendo perseguições, as testemunhas pediram para não serem identificadas. "Por causa da guerra, o meu pai e a minha mãe levaram-nos para o Zimbabué", contou uma jovem em Mossorize. "Deixámos tudo. Na nossa região, fugiram todos para o Zimbabué e para Tete". No final, deixou um apelo: "Pedimos ao Presidente Filipe Nyusi e a Afonso Dhlakama que se sentem porque nós queremos a paz."

Produção agrícola parada

Mosambik Flüchtlinge (DW/B. Jequete)

Populares ouvidos pela DW África apelam à paz

Outra entrevistada, também sob anonimato, confirmou que a tensão político-militar levou muitos populares a fugir para o país vizinho. Outros foram para as cidades de Tete e Chimoio. Também ela deixou tudo para trás, "incluindo a produção e o gado".

"Este ano não vamos cultivar, com medo de abandonarmos a produção devido aos ataques. Nós nascemos aqui e crescemos nesta região, não temos abrigo noutro lugar. Queremos continuar a produzir comida, a criar o gado e a lutar contra a crise económica", explicou. "Pedimos ao Governo, se nos está a ouvir".

Nos últimos dias, segundo os relatos ouvidos pela DW África em Mossorize, a situação tem vindo a melhorar ao nível da sede do distrito. No entanto, nos postos administrativos e localidades a tensão político-militar é extremamente elevada.  "O posto administrativo de Chiurairwe é o mais afetado. Esta situação ditou que os residentes desta zona se deslocassem para o vizinho Zimbabué e outros foram acolhidos em tendas".

Administradora de Báruè contradiz populares

Em Báruè, o cenário não é diferente, segundo uma cidadã ouvida pela DW África. Sublinhou que toda a população da região está cansada da guerra e que, em quatro povoados, a situação é mais crítica, porque os confrontos não cessam. Com medo, os populares fogem para o Zimbabué.

"Aqui, no posto administrativo de Chôa, alunos e a comunidade em geral fugiram para a República do Zimbabué e alguns foram para Vanduz, Tete e Chimoio à procura de abrigo e lugar seguro", explicou.

Confrontada com a situação, a administradora de Báruè, Rosa Bias Luís, contradiz as palavras da população que tem estado a viver a tensão que afetou aquele distrito.

Segundo a administradora, grande parte dos populares que  se tinha refugiado no vizinho Zimbabué já regressou às suas zonas de origem. Os cidadãos residentes no distrito rejeitam esta versão.

Ouvir o áudio 03:47

Confrontos em Moçambique levam centenas a refugiar-se no Zimbabué

"A maior parte da população que estava emigrada já voltou às suas áreas de residência na localidade de Nhabuto e no posto administrativo de Chôa, graças ao trabalho árduo das nossas Forças de Defesa e Segurança,  que conseguiram tirar os bandidos armados da RENAMO", sublinhou a dirigente.

RENAMO rejeita acusações

Contactado pela DW África, o delegado da RENAMO em Manica, Sofrimento Matequenha, desmente as acusações feitas ao maior partido da oposição: "Acusam a RENAMO de invadir as casas das pessoas e extorquir os bens dos populares em Mossorize, mas não é isso."

A tensão político-militar em Manica flevou à criação de escoltas militares  para garantir a circulação de viaturas ao  longo da Estrada Nacional Número Sete (EN7), que estabelece a ligação Vanduzi/Changara.

A administradora de Báruè saudou as Forças de Defesa e Segurança pelo que têm feito para a proteção da população e seus bens.

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