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Moçambique

Comunidade internacional preocupada com Moçambique

As reações internacionais à crise político-militar moçambicana denotam grande preocupação quanto ao futuro imediato do país. A comunidade internacional defende que o diálogo deve prevalecer sobre a máquina da guerra.

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Militares moçambicanos dirigem-se a Satunjira, na Gorongosa, onde as forças do governo atacaram a base da RENAMO

Muitos analistas e observadores atentos da situação destacam que Moçambique está a viver a sua pior crise político-militar desde a assinatura do Acordo Geral de Paz, depois de o exército moçambicano ter desalojado, na última segunda-feira (14.10), o líder da RENAMO, o principal partido da oposição, Afonso Dhlakama, da base onde se encontrava aquartelado há mais de um ano, no centro do país. Desde abril passado, as tensões transformaram-se novamente em confrontos, alguns deles mortíferos.

Esta segunda-feira (21.10), a RENAMO anunciou o fim do Acordo de Paz de 1992, depois de um ataque das forças governamentais contra a base da RENAMO na Gorongosa, província de Sofala.

Já na tarde desta terça-feira (22.10), Lourenço do Rosário, o negociador independente que assegura a ligação entre o poder e os ex-rebeldes, disse aos jornalistas que a RENAMO se engajou a não responder aos ataques mas pediu ao chefe de Estado que retire as suas tropas da zona de forma a que o líder da oposição, Afonso Dlakhama, possa continuar a dirigir as suas forças.

CPLP disposta a intervir "se necessário"

Murade Murargy

Murade Murargy, secretário-executivo da CPLP

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), através do seu secretário-executivo, Murade Murargy, garantiu em Luanda, onde está em visita de trabalho, que a organização está preparada para intervir politicamente em Moçambique se tal lhe for solicitado.

"Por enquanto acho que não é necessária nenhuma intervenção da CPLP. Mas os estados-membros estão disponíveis para o caso de haver necessidade de uma intervenção, não militar, mas sim política", esclarece o secretário-executivo da comunidade. "Acredito que o governo moçambicano, sob a liderança de Armando Guebuza, vai saber gerir esta situação e restabelecer a normalidade no país", diz ainda Murargy.

A nível dos PALOP, até ao momento, Cabo Verde foi o único que reagiu à situação que se vive em Moçambique. O governo do arquipélago também acompanha como muita preocupação o evoluir da situação, segundo afirmou o primeiro-ministro José Maria Neves.

Porträt José Maria Neves

José Maria Neves, primeiro-ministro cabo-verdiano

"Queremos que continuem os esforços no sentido da manutenção da paz e da estabilidade em Moçambique, que tem tido ganhos importantes em termos de crescimento económico e de consolidação do Estado de Direito democrático", diz o governante cabo-verdiano. "Em função da evolução da situação, o governo de Cabo Verde irá atualizando o seu posicionamento relativamente a esta matéria", conclui José Maria Neves.

Sant'Egídio deposita esperanças no diálogo

A Comunidade de Sant'Egídio, que mediou as negociações e a assinatura do Acordo Geral de Paz, a 4 de outubro de 1992, espera que "ainda haja espaço para a retoma do diálogo".

Carla Turrini, representante da Comunidade para Moçambique, afirma estar "muito preocupada pelos acontecimentos dos últimos dias". "Apesar disso", ressalva, tem confiança "num espaço para retomar o diálogo, para as partes se sentarem e falarem para encontrarem uma solução".

"Penso que ninguém quer a guerra e a violência em Moçambique. O povo gostou destes 20 anos de paz", conclui Carla Turrini.

Ouvir o áudio 05:12

Comunidade internacional preocupada com Moçambique

UE descarta intervenção em Moçambique

Destaca-se ainda a reação da União Europeia (UE), que diz estar a seguir de perto e com preocupação a situação em Moçambique, tendo "apelado ao diálogo pacífico e inclusivo" entre as partes.

Michael Mann, porta-voz da Alta Representante da UE e vice-presidente da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Catherine Ashton, garantiu à DW África que a instituição está "a tentar perceber um pouco melhor o que se está a passar no terreno". Para já, a UE afasta a hipótese de uma proposta de mediação em Moçambique, com Michael Mann a afirmar "que ainda é cedo" para se comprometerem "demasiado".

"Estamos a tentar clarificar a situação e seria errado, da minha parte, estar a especular neste momento. Naturalmente, iremos fazer tudo o que pudermos para ajudar na situação", garante Mann.

"Temos acompanhado as notícias de confrontos entre a RENAMO e o exército nacional e estamos preocupados. Particularmente, porque pessoas morreram e propriedade foi destruída. E há um clima de insegurança na população civil", explica ainda o porta-voz.

Michael Mann Iran Atomgespräche in Bagdad, Irak

Michael Mann, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton

"No que nos diz respeito, só um processo político para consolidar a paz e a reconciliação em Moçambique pode conduzir a um desenvolvimento sustentável no país", adianta. E, por isso, a UE apela "a um diálogo pacífico e inclusivo entre todas as partes como a única forma de resolver as diferenças políticas e tentar reforçar o processo democrático".

Prosseguir no caminho do desenvolvimento

Também o governo português diz acompanhar com preocupação a situação no país lusófono. O Executivo de Portugal lamenta a perda de vidas humanas, fazendo votos para que Moçambique regresse rapidamente a um quadro de normalidade e o país "prossiga no caminho do desenvolvimento económico e do progresso social", como afirma um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros distribuído em Lisboa.

As autoridades de Timor-Leste dizem também estar a acompanhar com atenção o desenrolar dos acontecimentos e deixam claro que acreditam que tanto o Presidente de Moçambique como o líder da RENAMO "tudo farão para manter a paz e a estabilidade no país".

Por seu turno, os Estados Unidos da América, ao deplorarem profundamente o regresso à violência, apelam à contenção de todas as partes e à tomada de medidas visíveis e eficazes para acalmar as tensões e evitar os riscos de escalada do conflito. Segundo se lê no comunicado da embaixada dos EUA em Maputo, "é do interesse da comunidade internacional e de todos os moçambicanos que Moçambique siga a via do desenvolvimento".

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