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Guiné-Bissau

Comité da ONU elogia conduta "exemplar" dos militares guineenses

Trabalhos do Comité de Sanções da ONU na Guiné-Bissau terminaram quinta-feira. Autoridades frisam que a missão serviu apenas para analisar a aplicação das sanções impostas aos militares em 2012, após o golpe de Estado.

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Oficiais das Forças Armadas da Guiné-Bissau após maratona de conversações na sequência de golpe de Estado, em abril de 2012

Ao prestar declarações aos jornalistas no final da sua missão, o presidente do Comité de Sanções das Nações Unidas, Elbio Roselli, destacou a conduta "exemplar" dos militares que foram sancionados em 2012 por envolvimento na alteração da ordem Constitucional.

"Tivemos uma conversa muito sincera e muito direta. Os militares têm tido um comportamento exemplar, perfeito, é uma questão para se ter em atenção", disse Roselli na quinta-feira (15.06).

O Conselho de Segurança da ONU aplicou sanções aos generais António Indjai, Mamadu Turé, Estevão Na Mena e Ibraima Camará e ao tenente-coronel Daba Naualma.

Questionado sobre um eventual levantamento das sanções, o responsável do Comité das Nações Unidas explicou que não podia fazer declarações a esse respeito. Aos jornalistas, referiu apenas que vai transmitir as informações recolhidas durante a visita a Bissau ao seu Comité e ao Conselho de Segurança da ONU para avaliação.

Ouvir o áudio 02:44

Comité da ONU elogia conduta "exemplar" dos militares guineenses

Especulação desmentida

Elbio Roselli chegou à Guiné-Bissau na terça-feira (13.06) e reuniu-se com representantes do Governo, do Supremo Tribunal de Justiça e do Parlamento, além de membros da comunidade internacional no país, sociedade civil guineense e partidos políticos. Mas o responsável frisou que a visita não está relacionada com a atual crise política.

A especulação de que o Comité de Sanções das Nações Unidas estaria na Guiné-Bissau para sancionar os políticos responsáveis pelo impasse no Acordo de Conacri causou desconforto junto do Governo de Umaro Sissoco Embaló. O primeiro-ministro disse, entretanto, que a visita do Comité era "normal".

"Quando as pessoas estão sob sanções, de vez em quando, é preciso visitá-las e contactá-las. É como um médico que visita um doente para ver se está melhor ou não, para receber alta", afirmou Embaló.

O primeiro-ministro guineense entende que a ONU deve levantar as sanções que recaem sobre os militares do país, autores do golpe de Estado de 2012. À semelhança de Roselli, o governante também considera que o comportamento daqueles militares tem sido exemplar desde o golpe - por esse motivo, as sanções da ONU já não farão sentido.

"Penso que as sanções são extemporâneas", disse. "Os militares compreenderam a mensagem da comunidade internacional, que não há espaço para golpes de Estado. A minha opinião é de que as sanções deviam acabar, porque os militares deram um bom exemplo."

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