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Internacional

Começo de nova democracia no Zimbabué com Mnangagwa?

Ex-vice-presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, que será empossado no cargo de Presidente do país após a renúncia de Robert Mugabe, já afirmou que seus apoiantes serão testemunhas de um começo de uma nova democracia.

Simbabwe Emmerson Mnangagwa (Getty Images/M.Longari)

Emmerson Mnangagwa no seu regresso a Harare (22.11.)

O Zimbabué nunca mais será o mesmo depois da retirada do presidente Robert Mugabe e da sua mulher Grace. O futuro homem forte, Emmerson Mnangagwa, será empossado no cargo de Presidente do Zimbabué na sexta-feira (24.11.).

Mas será que com a ascenção ao mais alto cargo do ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa a coisa pública mudará completamente no Zimbabué? Ou será que um ditador vai simplesmente ser substituido por outro? Nos olhos de muitos zimbabueanos, o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa é simplesmente o sucessor natural: Mnangagwa, de 75 anos de idade, há décadas que faz parte do aparelho do todo poderoso partido ZANU-PF, que suportou também Robert Mugabe nos passados 37 anos.

"Mnangagwa foi a mão direita de Mugabe"

Derek Matyszak, pesquisador no instituto para estudos de segurança (ISS), na África do Sul, em entrevista à DW, faz a seguinte análise:

"Mnangagwa esteve 50 anos ao lado de Mugabe. Era mesmo considerado a mão direita de Mugabe."

No Zimbabué, Mnangagwa tem uma alcunha: "the crocodile," - o crocodilo - uma referência à sua frieza e ao seu secretismo.

Como Mugabe, Mnangagwa ganhou as suas credenciais políticas durante a longa batalha contra o regime da minoria branca, na antiga colónia britanica, a Rodésia do Sul. Mnangagwa aderiu bastante cedo ao "Zimbabwe African National Union" (ZANU), organização rebelde que combatia o então primeiro-ministro Ian Smith. Mais tarde a organização ZANU foi transformada em partido, a ZANU-PF - "Frente patriótica" - que lidera a política do Zimbabué desde a independência.

Formação militar no Egito e China

Em 1965, o primeiro-ministro branco, Ian Smith, tinha declarado unilateralmente a independência da Rodésia da Grã-Bretanha e instalado um sistema dominado pela minoria branca. Foi esse sistema que Emmerson Mnangagwa combateu desde o início, tendo recebido formação militar no Egito e na China.

Ouvir o áudio 04:12

Começo de nova democracia no Zimbabué com Mnangagwa?

Depois da sua formação militar Mnangagwa tornou-se rapidamente comandante de um grupo de guerrilha denominado "grupo crocodilo", que organizava atos de sabotagem contra o regime de Ian Smith.

Mnangagwa foi apanhado pela polícia secreta do regime e condenado à morte. Mas - como era muito jovem - conseguiu que essa pena máxima fosse transformada em pena de prisão. Foi na prisão que Mnangagwa se terá aproximado de Robert Mugabe, que também tinha sido preso e com o qual chegou mesmo a partilhar uma cela. 

Assistir ao vídeo 01:39

Zimbabué: Há motivos para comemorar o novo Presidente?

Derek Matyszak, pesquisador no Instituto para Estudos de Segurança (ISS), na África do Sul, afirma que, logo desde o início, a relação entre Mugabe e Mnangagwa era de grande lealdade e orientada para um objetivo: a vitória que ambos planeavam com enorme sentido estatégico. Em entrevista à DW África Derek Matyszak afirma que "a relação entre Mugabe e Mnangagwa era mais uma relação estratégica do que propriamente uma amizade".

A estratégia que unia os dois acabou por desmoronar quando surgiu a hipótese da segunda mulher de Mugabe, Grace Mugabe, vir a ser a sucessora do marido, em detrimento do vice-presidente e antigo combatente. Mnangagwa não suportava a ideia de vir a ser relegado para o segundo ou terceiro plano e mexeu os cordelinhos no seio das forças armadas do Zimbabué. Ao mesmo tempo as intrigas de Grace Mugabe contra o antigo companheiro de luta do seu marido aumentavam de tom e intensidade.

Mais tarde ou mais cedo o conflito tinha que explodir, afirma o analista Derek Matyszak. E foi isso mesmo que aconteceu. O desfecho é conhecido: Mugabe e a esposa estão fora do poder. Mnangagwa é o novo homem forte do Zanu-PF e do Zimbabué. Resta saber se Mnangagwa contribuirá ou não para a democratização do país.

Robert Mugabe und Grace Mugabe (Getty Images/J.Delay)

Robert e Grace Mugabe (2009)

Oposição do Zimbabué "cautelosamente otimista"

O principal partido da oposição no Zimbabué, o Movimento para as Mudanças Democráticas (MDC), que apoiou o afastamento de Robert Mugabe da presidência, disse esta quinta-feira (23.11.) estar "cautelosamente otimista" em relação ao próximo líder do país, Emmerson Mnangagwa.

Num comunicado, o MDC explicou esperar que Mnangagwa "não vá imitar e replicar o regime mau, corrupto, decadente e incompetente de Mugabe".

Segundo o porta-voz do MDC, Obert Gutu, o partido vai acompanhar atentamente as próximas decisões de Mnangagwa, "particularmente em relação ao desmantelamento de todos os opressivos pilares da repressão que foram criados pelo regime cessante de Mugabe".

Na quarta-feira (22.11.), Mnangagwa, 75 anos, apelou a "todos os patriotas" do país para "trabalharem em conjunto", no seu primeiro discurso desde o início da crise e perante centenas de apoiantes reunidos na sede da União Nacional Africana do Zimbabwe -- Frente Patriótica (ZANU-FP), o partido no poder. O novo líder do país também saudou o "início de uma nova era" para o país.

"Hoje assistimos ao início de uma nova democracia", assinalou, perante os seus partidários em euforia. 

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