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São Tomé e Príncipe

Comércio justo de cacau satisfaz produtores são-tomenses

Comércio justo de cacau em São Tomé e Príncipe está, realmente, a beneficiar os produtores. Os próprios confirmam e exemplificam. A GEPA, da Alemanha, é um dos maiores compradores do cacau e realiza grandes lucros.

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Trabalhadores empacotam cacau numa roça em São Tomé

2014, foi um ano de sucesso para os agricultores e exportadores de cacau biológico de qualidade, da zona sul de São Tomé.

A confirmação é de Adalberto Luís, responsável da fileira CECAQ11: "Foi um bom ano para CECAQ, pois tivemos um aumneto de produção na ordem dos 25%, portanto, saímos de 189 para 230 toneladas."

Com a venda de 25 contentores de cacau biológico seco para GEPA, uma das maiores associações de comércio justo da Alemanha, a Cooperativa Agricultores e Exportadores de Cacau Biológico, CECAQ11, que congrega quase 1000 agricultores, encaixou no ano passado 750 mil euros.

A cooperação com a GEPA vai para além da simples compra do cacau biológico de São Tomé e Príncipe. A associação também investe na redução da pobreza nas roças.

São Tomé Fair Trade Kakao

Deolinda Correia está satisfeita com os benefícios do chamado comércio justo

Produtores confirmam ganhos para comunidade

Deolinda Correia, agricultora e tesoureira da cooperativa, é quem dá a garantia: "Pagam-nos o nosso cacau e dão também um prémio a cada tonelada que entregamos. Esse prémio é de 150 dólares."

O membro da cooperativa explica ainda que "esses 150 dólares não são para serem entregues aos agricultores ou a qualquer pessoa, mas sim para as obras sociais nas comunidades. E algumas comunidades conseguiram com esse dinheiro instalar água canalizada."

Com o dinheiro do cacau, Deolinda Correia conseguiu realizar um dos seus maiores sonhos: educar os seus filhos. Recorde-se que nas empresas agrícolas são-tomenses poucos jovens conseguem concluir a nona classe.

"Com o CEQA11 conseguimos saber que devemos trabalhar a nossa parcela e assim obtermos mais produção e mais dinheiro. E com mais recursos financeiros podemos concretizar mais ou menos tudo o que pensamos fazer", conta Deolinda Correia.

A produtora dá um exemplo pessoal: "A minha vida mudou bastante. Tinha dificuldade em pôr os meus filhos a estudar, vivia lá na comunidade do Quimpo. Nas dependências as pessoas estudam até, no máximo, nona classe, é difícil passar da nona, porque é preciso muito sacrificio, muita trabalho, chuva, tudo... Então, consegui fazer uma casa aqui em Santana e os meus filhos continuam a estudar, graças a Deus, como eu queria."

Deolinda Correia tem motivos para sorrir. Nos armazéns da cooperativa, ela e os seus colegas ensacam o cacau que fará parte dos três proximos contentores que deverão seguir, em março, para a GEPA da Alemanha.

São Tomé Fair Trade Kakao

Embora o país seja produtor de cacau, muitos são-tomenses não têm fácil acesso ao chocolate

Cacau gera muito mais lucros para a GEPA

A cooperativa CECAQ11 tem planos: No decorrer deste ano de 2015 quer aumentar a produtividade e passar o volume de produção de 250 para 300 toneladas por ano.

A GEPA é uma das maiores associações de comércio justo da Alemanha. A associação alemã foi fundada há 40 anos por organizações ligadas a várias igrejas cristãs.

A ideia era criar uma rede de apoio de uma maneira justa para com os produtores nos países em vias de desenvolvimento. A GEPA fatura anualmente cerca de 15 milhões de euros na venda de chocolates.

Uma parte desse cacau é comprada na ilha de São Tomé à cooperativa de agricultores e exportadores de cacau biológico de qualidade, CECAQ11.

Ouvir o áudio 02:50

Comércio justo de cacau satisfaz produtores santomenses



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