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São Tomé e Príncipe

Clima político tenso antecede a segunda volta das presidenciais em São Tomé e Príncipe

Centenas de cidadãos saíram às ruas esta quinta-feira em manifestação para pedir a anulação das eleições presidenciais de 17 julho. Segunda volta está marcada para o próximo domingo, dia 7.

Sob forte presença policial, a manifestação pacífica foi convocada através das redes sociais e por mensagens de telemóvel, com o objetivo de pedir a anulação da primeira volta das eleições presidenciais de 17 de julho. Partidos políticos e membros da sociedade civil contestam o que consideram ser “anomalias, fraude e erros gravíssimos constatados na primeira volta do pleito eleitoral para a mais alta magistratura da nação”.

São Tomé e Príncipe está em plena campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais, na qual apenas o candidato Evaristo de Carvalho está a contatar o eleitorado.

Os manifestantes percorreram várias artérias da cidade capital, com paragens em algumas sedes de órgãos de soberania, nomeadamente o Supremo Tribunal de Justiça/ Tribunal Constitucional e a Presidência da República, para entregar uma petição que pede a anulação das eleições.

Sao Tome und Principe Evaristo Carvalho

Candidato presidencial Evaristo Carvalho

Para alguns cidadãos que voluntariamente quiseram falar aos microfones da DW, o país precisa de seriedade neste momento.

“100 contos eu como em casa. Sou pai de oito crianças. Com 100 contos, compro chá e o dinheiro vai embora. Patrice Trovoada é primeiro-ministro. Ele não é candidato. Deixa o candidato fazer a sua campanha. Não deve abandonar o posto de trabalho e ir insultar o atual Presidente da República. Não pode”, desabafou António.

Josefina, refere-se às alegações sobre a fraude ao afirmar que “se disseram que é verdade, é verdade. Como é que de uma hora para outra podem dizer que Maria das Neves não teve voto. Patrice Trovoada ganhou…Não. Estão a mentir. Têm que dizer a verdade".

Mas por seu turno, Mário não acredita na independência de Evaristo Carvalho como chefe de Estado.

“Se porventura o senhor Evaristo ganhar essas eleições agora, não será ele o verdadeiro Presidente. Ele só pode ser Presidente até às 17 horas. Ele vai chegar de manhã no seu gabinete e encontrar todos os dossiês feitos pelo primeiro-ministro que é o senhor Patrice Trovoada, e ele terá que cumprir. Nós não queremos isso. Ele pediu maioria para o Governo, nós já o demos. Quer agora Presidente para fazer o quê? Será que não somos são-tomenses, não temos direitos? Nós temos! Até quando! Quando ele quer poder é que conhece São Tomé. Quando está fora do poder, o homem leva até cão para o estrangeiro”.

Afrika Protest in Sao Tomé und Prícipe

Forte presença policial durante a manifestação pacífica

Os manifestantes transportavam dísticos que entre outros dizeres, exigiam a demissão do presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), condenavam a fraude eleitoral e apelavam para que “não matem a nossa democracia”.

Representante do secretário-geral da ONU apreensivo com clima político

A manifestação foi organizada numa altura em que o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a África Central, Abdoulaye Bathili, manifestou-se apreensivo com o evoluir da situação politica no arquipélago são-tomense, depois da primeira volta das eleições presidenciais de 17 de julho.

"Não desejamos que a situação em São Tomé e Príncipe possa atingir o nível de países como a República Centro Africana, o Burundi. Ninguém o pode desejar", disse Abdoulaye Bathili no final de um encontro com o Presidente são-tomense cessante, Manuel Pinto da Costa.

Sao Tome und Principe Wahlen Präsident Manuel Pinto

Manuel Pinto da Costa, Presidente cessante

O chefe de Estado cessante, que foi o segundo mais votado na primeira volta, renunciou a disputar a segunda volta. Manuel Pinto da Costa não aceita a forma como o processo eleitoral foi conduzido e nem reconhece idoneidade à Comissão Eleitoral Nacional (CEN), cuja demissão exigiu para aceitar disputar a eleição com Evaristo de Carvalho, o candidato mais votado a 17 de julho.

"O que posso garantir-vos é que há essa diferença de opinião, de apreciação sobre o que se passou no dia 17 de julho e, por conseguinte, desejamos que esse problema seja resolvido num quadro pacífico", acrescentou o representante especial de Ban Ki-moon que se encontra em São Tomé para uma visita de três dias.

“O mais importante é que os autores aceitem essa diferença”

Abdoulaye Bathili encontrou-se também com o primeiro-ministro Patrice Trovoada, com o presidente da CEN, Alberto Pereira, com o terceiro candidato mais votado na primeira volta, Maria das Neves, entre outros.

"Em São Tomé e Príncipe vive-se um período entre duas eleições. Houve a primeira volta e agora há uma segunda, tenho ouvido umas e outras pessoas. Há diferença de apreciação sobre o desenvolvimento da primeira volta", disse o representante de Ban Ki-moon.

Afrika Sao Tomé und Principe

Abdoulayhe Bathily

"Eu penso que independentemente dessa diferença de apreciação, o mais importante é que os autores aceitem que essa diferença se resolva num clima pacífico que não possa hoje afetar a exemplaridade da democracia de São Tomé e Príncipe, conhecida atualmente no continente", explicou.

"Qualquer que seja a natureza dessa diferença, pensamos que é realmente possível resolver isso a contento das partes. Com vontade politica, uns e outros podem ultrapassar esse problema", disse o diplomata das Nações Unidas.

Ouvir o áudio 02:51

Segunda volta das eleições presidenciais gera protestos

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