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Moçambique

Cidades no centro de Moçambique sem água há pelo menos dois meses

Na província de Manica, empresa resposável pelo abastecimento diz que suspensão do serviço se deve aos trabalhos de manutenção na rede e ao baixo nível do reservatório de água na região.

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Em Chimoio, moradores têm de recorrer aos poços tradicionais, rios, lagos e fontanários para conseguir água para o consumo diário

Trinta e sete bairros das cidades de Chimoio e Vila Ferroviária de Gondola, na província de Manica, centro de Moçambique, estão sem água. As torneiras geridas pelo Fundo de Investimento e Património de Água (FIPAG) não estão a jorrar o precioso líquido há bastante tempo. Em algumas zonas, o abastecimento está interrompido há pelo menos dois meses.

A estimativa é que a falta de água esteja afetando mais de um terço da população na cidade de Chimoio, que tem cerca de 370 mil habitantes. Os residentes desta localidade dizem enfrentar dificuldades para ter acesso ao líquido.

Rainha João Zamuia, que vive em Chimoio, descreveu a situação como sendo preocupante, pois os moradores têm de recorrer aos poços tradicionais, rios, lagos e fontanários para conseguir água para o consumo diário. E segundo a moradora, esta água não é propícia para uso.

"Para encontrarmos a água saímos de madrugada e percorremos longas distâncias, e cada um a sua sorte. Submetemo-nos a diversos riscos. Estamos a pedir ajuda das autoridades governamentais para resolverem a situação que deixa a desejar", relatou Zamuia.

Dificuldades para conseguir água

Albertina Chico, que também reside em Chimoio, centro de Moçambique, disse que a água canalizada desapareceu das torneiras da região há bastante tempo. Ela afirma que as autoridades não disseram o motivo de o serviço ter sido suspenso.

"Assim que há restrições no fornecimento da água, o FIPAG continua a trazer faturas. Por enquanto não estamos a consumir. Será que os gestores não sabem disso? Nós ‘povo' estamos a sofrer. As nossas reclamações não são ouvidas mas esquecem-se de que o povo é quem elege os governantes. E outro fator é da subida de valores de pagamentos, cada vez mais as faturas vem com um valor elevado parecendo que estamos a consumir", revelou a moradora, indignada.

Jossefa Francisco, um dos gestores de um fontanário na região de Chimoio, diz que a situação é lastimável porque, devido a grande demanda, muitas pessoas saem sem água depois de passarem muito tempo na fila à espera da sua vez para encher um recipiente com àgua potável.

"Estamos mal, nesta região somente temos um fontanário. Não há mais outras bombas para atender a demanda. Aqui atendo pessoas incontáveis há dois meses. A procura tem estado a aumentar devido às restrições do FIPAG e o fontanário já não está a aguentar", destacou Francisco.

Mosambik Afrika Wassermangel

Fundo de Investimento e Património de Água (FIPAG)

Empresa justifica suspensão do serviço

O diretor da área operacional da FIPAG, Victor Tuacale, disse à DW que a suspensão do serviço de abastecimento de água potável se deve aos sucessivos trabalhos de manutenção de algumas estruturas da rede. Segundo o diretor, o problema já está sendo resolvido paulatinamente.

"Outro fator da restrição está sendo causado pelo rebaixamento contínuo do nível na Albufeira de Chicamba, neste momento temos uma cota de 607.46 m, aumentando desta forma os custos operacionais por causa do uso das bombas de emergência. O fornecimento de água está parcialmente paralisado em resultado de manutenção de tubos que se encontram num estado obsoleto", explicou.

O FIPAG tem uma carteira total de 43.953 consumidores, sendo que 42.750 são domésticos e 159 fontanários apenas nos distritos de Manica, Chimoio e Gondola.

Ouvir o áudio 02:55

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