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Internacional

China aposta em nova estratégia nas relações com África

Nenhum outro país é tão ativo em África, mas, desde os anos 90, os interesses chineses no continente são puramente económicos. Agora, a China quer mudar a visão internacional das relações sino-africanas.

Quando se fala em projetos de infra-estrutura no continente africano todos pensam num país: a China. Já em 1960, a China financiou a construção de uma linha ferroviária entre a Zâmbia e a Tanzânia.

Desde então, o país levou as estradas de asfalto, os estádios de futebol e a Internet de banda larga para África. Ao mesmo tempo, importou do continente petróleo e outras matérias-primas - um fluxo que dominou a visão internacional sobre as relações sino-africanas. Algo que a China está agora a tentar mudar.

A opinião é da chinesa Yun Sun, que estuda a relação africana com a China para a organização Brookings, nos Estados Unidos. "Desde que o presidente Xi Jinping assumiu a Governação da China, a abordagem com os assuntos de África tem um novo visual”, começa por explicar, acrescentando que “a importância de África na política externa da China tem sido enfatizada ainda mais. Agora, a China atribui muito mais importância ao desenvolvimento sustentável de África”.

Mosambik Zimpeto National Stadium

Estádio Nacional do Zimpeto, em Moçambique, foi construído com fundos do Governo chinês

Um "exportador sem escrúpulos"

Um documento publicado recentemente no país expõe projectos concretos da China para África: 30 hospitais, 150 escolas, 105 projectos de energias renováveis e de energia hidráulica e formação agrária para 5.000 especialistas.

Yun Sun admite que calcular o valor destes projectos é uma tarefa quase impossível, até porque o Governo não abre mão dos números nem diferencia ajuda de investimento. Até agora, o foco da China baseava-se na cooperação económica. O programa estratégico do Governo chinês “Go Global” apoia desde 1990 empresas nacionais e incentiva-as a investir em África, com o objectivo de assegurar a exploração de recursos naturais e promover o desenvolvimento económico da China.

O facto deste país asiático não ter medo de regimes autoritários e corruptos ajudou a criar a reputação da China como um exportador de infra-estrutura sem escrúpulos. Yun Sun considera que “este criticismo gerou uma má imagem das intenções da China”. “A imagem que passa é que a China está no continente por causa dos recursos naturais. E essa má imagem contribuiu imenso para a mudança da abordagem da China agora”, conclui.

Opinião diferente é a de David Owiro, economista do Instituto de Assuntos Económicos na capital do Quénia, Nairobi. É lá que uma empresa chinesa acaba de construir uma auto-estrada inteira. David Owiro não acredita nesta "nova abordagem" da China, afirmando que “o modelo chinês actual é o da construção de infra-estruturas que conduzem aos portos que, por sua vez, conduzem à China”.

Cidade do Kilamba - Kilamba Kiaxi Übersicht

Cidade do Kilamba, um dos maiores projetos de construção em Angola, foi financiado com capital chinês

Balança de comércio desequilibrada

“Os chineses falam de uma relação de benefício igualitária entre a China e África”, diz o o analista David Owiro, sublinhando que a questão que não está a ser ponderada pelos africanos “é o que China está a levar de África”. “O que é que África está a receber da China? Se olharmos para a balança de comércio, está a favor da China”, conclui.

A China é hoje o maior parceiro comercial de África e em 2020 o país pretende duplicar o volume dos negócios para os 400 mil milhões de dólares. Ao mesmo tempo, a China está a investir na expansão dos meios de comunicação estatais em África, quer no que toca à Televisão Central da China como à Rádio Internacional da China. Pequim está também a apostar na formação de jornalistas africanos. David Owiro considera que “a entrada da televisão e da rádio talvez tenha dado às pessoas a oportunidade de ouvir vozes alternativas”

Ouvir o áudio 03:49

01.09.14 China em África - MP3-Mono

“Tratando-se ou não de vozes controladas, dão ao público do Quénia e de África uma oportunidade de ter uma opinião alternativa sobre o que se está a passar e sobre o que as outras nações pensam sobre o que está a acontecer em África”, explica p especialista.

Um estudo recente da fundação alemã Friedrich-Ebert, sobre a cobertura dos média chineses em África, conclui que a difusão dos meios de comunicação e a ênfase nos projectos de desenvolvimento chineses têm a mesma intenção: melhorar a imagem da China no mundo.

Aumenta comércio entre China e países lusófonos

O comércio entre China e países de língua portuguesa aumentou 5,12% para 77,42 mil milhões de dólares (58,9 mil milhões de euros) até julho, num regime de trocas comerciais em que o Brasil tem uma quota de 66,7%.

Angola, com uma quota de mercado de 28,2% é o segundo maior parceiro lusófono da China e viu o comércio bilateral ampliar-se 0,91%. O país recebeu de Pequim produtos no valor de 2,6 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros), mais 20,19%, mas vendeu produtos no valor de 19,24 mil milhões de dólares (14,64 mil milhões de euros), mais 3,1%.

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