Chifres de rinocerontes transformados em jóias pelos traficantes | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 18.09.2017
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Internacional

Chifres de rinocerontes transformados em jóias pelos traficantes

Traficantes de chifres de rinocerontes, cujo comércio internacional é ilegal, para escapar a qualquer controle, transforma os cornos em jóias, segundo a ONG de defesa dos animais TRAFIC.

Até muito recentemente as apreensões limitavam-se essencialmente aos chifres inteiros ou divididos em dois pedaços. Agora, "as redes criminosas de origem chinesa que operam na África do Sul transformam localmente os chifres de rinocerontes em braceletes e pós nomeadamente para evitar a deteção e fornecem os produtos aos consumidores na Ásia, principalmente no Vietname e na China”, explica TRAFIC num relatório divulgado esta segunda-feira (18.09.).

A polícia sul-africana descobriu oficinas onde as jóias são esculpidas nos chifres dos rinocerontes, segundo o relatório da ONG. "Trata-se de um problema que está a aumentar”, explicou o coronel Johan Jooste, que dirige o departamento dos Hawks, uma unidade de elite da polícia sul-africana, que se ocupa das espécies em perigo. 

"As organizações criminosas não querem exportar mais os chifres inteiros. Começaram por cortá-los em dois pedaços, para responder à procura, por um lado e por outro, para evitar serem detetados pelas autoridades”, acrescenta o relatório do TRAFIC.

Os chifres de rinocerontes, transformados em pó, é muito utilizado na medicina tradicional chinesa, embora as suas virtudes terapêuticas não estejam até hoje provadas cientificamente . Os chifres são também transformados em jóias que são "exportadas e vendidas na Ásia”, explica o relatório da ONG de defesa dos animais.

60 mil euros por um quilo de chifres 

Um quilograma de chifres de rinocerontes pode atingir cerca de 60 mil euros no mercado negro na Ásia. Os chifres inteiros, considerados símbolos de riqueza e de influência, continuam a ser oferecidos como presentes na Ásia.

A transformação do chifre de rinoceronte em jóias complica o trabalho da polícia disse à imprensa o especialista Julian Rademeyer. "Quem vai prender num aeroporto uma pessoa que transporta na sua bagagem um bracelete ou um colar?”, pergunta Rademeyer.

Outras técnicas para escapar ao controle e à vigilância da polícia são muito básicas: os chifres são embrulhados em papel de alumínio, cobertos com pasta dentífrica, em frascos de shampo, ou ainda cobertos de cera para esconder o odor de decomposição, afirma TRAFIC.

Na última década, mais de 7.200 rinocerontes foram mortos no continente africano para alimentar a procura dos chifres no continente asiático. Atualmente a África conta somente com 25 mil animais, dos quais 79% na África do Sul, acrescenta TRAFIC.  

Três moçambicanos condenados na África do Sul por tentarem abater rinocerontes

Três moçambicanos foram condenados  pela justiça sul-africana a 10 anos de prisão cada um por invadirem uma reserva natural com armas de fogo para abater rinocerontes, anunciou o Governo de Moçambique em comunicado.

 Os homens com idades entre os 25 e 35 anos foram condenados na quarta-feira (13.09.) "depois de se terem infiltrado ilegalmente no Parque Nacional Kruger", a maior reserva de vida selvagem da África do Sul.

Na altura, estavam "na posse de arma de fogo e munições com a intenção de fazer abate ilegal de rinocerontes para obter os seus chifres", acrescenta o documento da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

Os três terão passado de Moçambique para a África do Sul através da fronteira de Mapulanguene, classificada como "um antro de [caçadores] furtivos e mandantes da caça furtiva", acrescenta-se.

Caçador furtivo moçambicano condendo a 20 anos de prisão na África do Sul

Antes, um caçador furtivo também de nacionalidade moçambicana, foi condenado (11.09.) a 20 anos de prisão por tráfico ilegal de cornos de rinoceronte na África do Sul, anunciou a polícia.

Nashörner in Südafrika (CC/Sabi Sabi Private Game Reserve)

Mapoyisa Mahlauli foi detido a 17 de março de 2016 no parque nacional Kruger, no nordeste da África do Sul e que faz fronteira com Moçambique. Naquele dia, os guardas da patrulha do parque foram alertados para tiros e descobriram um rinoceronte branco morto, cujo corno fora cortado.

Os guardas seguiram o rasto dos caçadores e, após uma troca de tiros, o moçambicano foi detido na posse de munições, de uma serra e de cornos de rinoceronte recentemente cortados. O seu cúmplice conseguiu fugir.

O suspeito, de 30 anos, foi considerado culpado de caça ilegal e posse ilegal de arma. "Ele vai cumprir um total de 20 anos de prisão", afirmou o porta-voz da polícia, Katlego Mogale.

Em comunicado, a polícia considerou que este julgamento "envia uma mensagem forte a outros caçadores furtivos". 

Por outro lado, um cidadão chinês foi detido na sexta-feira (15.09.) na posse de cinco cornos de rinoceronte, no aeroporto internacional de Joanesburgo, quando se preparava para embarcar com destino a Hong Kong. Os cornos foram encontrados na sua bagagem, embrulhados em papel de alumínio.

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