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Casos de VIH/Sida estão a aumentar na Guiné-Bissau por falta de informação

Fátima Camará (Bissau)10 de junho de 2014

O estigma e a falta de informação são apontados por especialistas guineenses como as principais causas da prevalência da doença no país. O número de casos de infeção pelo VIH está a aumentar, principalmente entre jovens.

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Mãe e filho, ambos infetados com o VIH, num hospital no MalawiFoto: Rafael Belincanta

Na Guiné-Bissau, o primeiro caso de infeção pelo vírus da Sida foi diagnosticado em 1985/1986, no Norte do país.

Vinte e oito anos depois, a falta de conhecimento sobre as vias de transmissão do Vírus de Imunodeficiência Humana (VIH) e o estigma à volta da doença são os principais fatores que contribuem para o aumento do número de casos.

O primeiro estudo realizado em 2010 a nível nacional apontava para uma taxa de prevalência de 3,3% na população guineense, com maior incidência nas grávidas, profissionais do sexo e motoristas.

Uganda Flüchtlingslager in der Nähe von Gulu AIDS Medizin
Grávidas, motoristas e profissionais do sexo são os grupos sociais com maior incidência da doençaFoto: picture-alliance/dpa

Zylenie Menut, secretário executivo da organização Luta Contra a Sida, numa entrevista à DW, admite que a prevalência do VIH na faixa etária dos 15 aos 25 anos está relacionada com a falta de informação.

“Do estudo realizado em 2010, era visível o fraco conhecimento dos guineenses [sobre a doença]. Sobretudo nos jovens. As pessoas na faixa etária dos 15 aos 25 anos apresentavam menos 15% de conhecimento sobre as formas de prevenção e transmissão do VIH”, frisa.

Tratamentos tradicionais inúteis

Mamadu Baldé, Coordenador do Centro de Informação Despiste, Apoio e Aconselhamento em Sida, indica que alguns aspetos socioculturais, como “as cerimónias e os tratamentos tradicionais”, também contribuem para a proliferação do vírus. Por outro lado, Mamadu Baldé refere que o Estado tem sido negligente.

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“Independente de termos insistido de que haja uma abordagem no currículo escolar sobre o VIH/Sida no sentido de podermos ter no futuro uma geração que conheça muito bem o problema e que o previna, o ministério da Educação ainda não o pôs em prática”, lamenta.

Facto que explica a incidência do vírus em grupos vulneráveis, como é o caso das grávidas, indica Zylenie Menut.

“Entre as grávidas, segundo dados de 2009/2010, 5,8% é a média nacional, embora haja picos preocupantes nas regiões de Gabú e Bafatá, onde a taxa de prevalência atinge os 10%. Outros grupo vulneráveis são os motoristas com 9,3%. No caso das profissionais do sexo, de acordo com o mesmo estudo de 2009/2010, 39% estão infetadas”, indica Zylenie Menut.

Estigma como fator de transmissão

David Té, médico especialista em Medicina Geral e Familiar, aponta o estigma na sociedade guineense como fator de estrangulamento no tratamento dos seropositivos.

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Estigma dentro da comunidade médica é grande sobretudo devido à falta de preparação para o temaFoto: AFP/Getty Images

“Consideram as seropositivas como pessoas infiéis. Por incrível que pareça, há técnicos de saúde que também, por pouca preparação, se referem aos técnicos de saúde que atendem pacientes com VIH como médicos da Sida. Essa atitude leva a uma terceira forma de estigma: o auto-estigma dos próprios doentes”, afirma David Té.

A Guiné-Bissau apresenta uma taxa de prevalência do VIH/Sida (3,3%) superior à de países como o Senegal e Cabo Verde, cujos valores percentuais estão abaixo dos 2%.

O Fundo Mundial de Luta contra o VIH/SIDA, o principal financiador do Secretariado Nacional de Luta contra a Sida, suspendeu o seu apoio na sequência do golpe de Estado de 12 abril de 2012, tendo-o retomado em 2013 com o desembolso de cerca de 6 milhões de Euros.

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