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NOTÍCIAS

Capital da Libéria tem dia de revolta devido a medidas contra o ébola

Na capital da Libéria, as atividades normais estão praticamente paradas desde que a Presidente Ellen Johnson-Sirleaf decretou o recolher obrigatório por causa do ébola. Dois bairros também foram postos sob quarentena.

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Protestos contra a quarentena na capital da Libéria, Monróvia

O anúncio da mais recente medida de combate ao ébola na Libéria foi feito pela Presidente Ellen Johnson Sirleaf num discurso à nação. “A partir de quarta-feira, 20 de agosto, entrará em vigor um recolher obrigatório entre as nove da noite e as seis da manhã”, disse.

A medida é vista por muitos como um reconhecimento de que o Governo de Monróvia não foi capaz de controlar a propagação da doença.

A chefe de Estado liberiana atribuiu esta incapacidade a uma série de fatores, como a negação contínua, os enterros tradicionais – que implicam contacto direto com os cadáveres – e o desrespeito pelos conselhos das autoridades da saúde e pelos avisos emitidos pelo Governo.

Sirleaf diz que “como resultado, e devido à forte concentração da população, a doença espalhou-se largamente em Monróvia e arredores. Por isso, as seguintes medidas devem ser aplicadas com urgência: as comunidades de West Point, em Monróvia, e de Dolo Town, em Margibi, serão postas em quarentena sob vigilância permanente. Isto significa que não haverá movimentações dentro e fora dessas áreas.”

A Presidente Ellen Johnson Sirleaf também mandou fechar todos os centros de entretenimento e os clubes de vídeo.

Liberia Ebola (Bildergalerie)

Jovem agredido durante os confrontos com a polícia

Instalada a revolta

Os efeitos desta medida eram bem visíveis na quarta-feira (20.08) em West Point, nos subúrbios da capital liberiana, onde as forças de segurança começaram a patrulhar a área sob quarentena.

As ruas principais também estavam praticamente desertas e as lojas fechadas. Alguns comerciantes do famoso mercado Waterside, em Monróvia, que também foi encerrado, mostravam-se indignados e confusos.

“É muito perigoso para a nossa saúde. Ainda por cima impedem-nos de ir para a nossa área de negócio. Quem é que nos irá alimentar?”, questionava Benedictus Taweh, um dos descontentes com a medida.

A opinião é partilhada pela comerciante Klubo Johnson: "é muito, muito mau. Não temos maneira de vender os nossos produtos. Como é que os nossos filhos vão comer? Como é que vão sobreviver?"

O Governo anunciou que vai fornecer bens essenciais às comunidades em quarentena, algo que até agora ainda não se verificou.

Liberia Ebola (Bildergalerie)

Soldado liberiado espanca jovem em West Point

Violência toma conta de West Point

Há relatos de confrontos no bairro de West Point e de moradores a atirar pedras contra as forças de segurança que patrulham a área sob quarentena.

Na noite desta quarta-feira (20.08), já havia quatro feridos atingidos por balas durante confrontos no bairro. Os confrontos entre as forças de segurança e os habitantes de West Point começaram quando elementos da polícia entraram no bairro para retirar uma representante do Estado que reside naquela zona com a respetiva família, segundo o relato de um jornalista da agência francesa AFP e de testemunhas locais.

A ação da polícia indignou os residentes que começaram a juntar-se numa zona do bairro em sinal de protesto.

Após o uso de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, os soldados abriram fogo, ferindo pelo menos quatro pessoas, de acordo com as mesmas fontes.

Muitas pessoas dizem que não vêem qualquer ligação entre o vírus e o recolher obrigatório e duvidam que a medida ajude a combater o ébola.

A Libéria é o país onde o ébola já provocou o maior número de mortes: 466 num total de mais de 1.220 registadas, de acordo com o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde.

Ouvir o áudio 02:55

Citadinos de Monróvia revoltam-se contra medidas preventivas do ébola

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