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Moçambique

Camponeses do norte de Moçambique rejeitam ProSavana

As populações que vivem ao longo da região onde deverá ser implementado o projeto agrícola ProSavana rejeitaram-no, alegando ser incompatível com a realidade das comunidades camponesas.

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Agricultores de Chinde numa plantação de arroz, província da Zambézia

A versão zero do Plano Diretor para o Desenvolvimento Agrário do Corredor de Nacala, que esta semana foi apresentada e discutida num encontro entre o Governo e a Sociedade Cívil, trouxe informações divergentes.

As comunidades rurais e camponeses que estiveram presentes na apresentação do Plano diretor zero do ProSavana falaram da falta de clareza sobre os objetivos deste Projeto. Por exemplo, os camponeses do distrito de Malema e Monapo, que se localizam ao longo do Corredor de Nacala, referiram-se a alegada usurpação das suas terras.

Justina Wirriam disse que, o nome do ProSavana está a criar medo junto das comunidades na localidade de Mutuali, distrito de Malema e outros locais do Corredor de Nacala: "Em Mutuale estamos preocupados com o nome ProSavana. Ouvi dizer que as pessoas que foram falar no ProSavana são as mesmas que foram para Mutuale pela Agrimoz. E por causa da Agrimoz há famílias sem machambas e terras. E hoje também estou a ver as mesmas pessoas aqui."

A camponesa relata ainda que os camponeses rejeitaram o projeto: "Em Mutuale estamos doentes por causa do ProSavana. Deixa-nos preocupados, já nem conseguimos dormir. No dia de auscultação em Mutuale houve uma grande discussão, os camponeses de lá negaram, mesmo, o nome ProSavana."

Ouvir o áudio 03:05

Camponeses do norte de Moçambique rejeitam ProSavana

Desconfianças e dúvidas persistem

Já Eris Pensador tem dúvidas sobre a naturza do ProSavana: "Lendo no geral todo o documento do ProSavana, conseguimos ver que este é um plano de negócios e não um programa de desenvolvimento."

Eris Pensador e Lemos Mupa, camponeses de Malema e Monapo, baseados no Corredor de Nacala, dizem que o ProSavana não tem nada a ver com as populações, mas sim com interesses de pessoas estranhas: "Esse programa ProSavana, quando se ouve falar nele, para o posto administrativo de Tukulo já constitui uma tristeza. Queria saber qual será o benefício para nós os camponeses."

Já o padre José Luzia Conçalves se sente dividido quanto ao polémico assunto: "Estou ainda um bocado em dúvida para saber se concordo ou descordo. Diante da apresentação feita, claro que eu ia levantar o braço a concordar. Mas com as críticas pequeninas que já ouvi aqui e as outras grandes que tenho ouvido noutro lado, eu estou de pé atrás."

Aunício da Silva, jornalista e ativista social diz que o ProSavana carece de elementos fundamentais para que se aproxime das preocupações da população: "A meu ver é uma visão simplista, enganosa e pouco científica."

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Terras onde o ProSavana testou sementes na província do Niassa

ProSavana e melhorias

O diretor nacional do ProSavana disse que a operacionalização deste projeto poderá acontecer em 19 distritos, das províncias de Niassa, Cabo Delgado e Nampula.

António Raúl Limbau afirmou que um dos pontos altos deste projeto é a melhoria de vida dos produtores com destaque, para o setor familiar: "Concordamos todos que as nossas condições de vida precisam de ser melhoradas cada vez mais. É isso que se pretende ver, que o ProSavana possa contribuir na melhoria das condições de vida dos habitantes deste Corredor que representam cerca de um quinto ou um sexto da população do nosso país e por isso merece uma atenção especial."

ProSavana é o maior projeto para a modernização da agricultura em Moçambique. Com o apoio da cooperação do Brasil e do Japão, Moçambique quer melhorar a produtividade da agricultura ao longo do Corredor de Nacala na província de Nampula, no norte do país.

Nos últimos anos, houve muitas críticas por parte de pequenos agricultores em relação à ocupação de terras por investidores estrangeiros. Ao longo das últimas semanas, foi apresentado o Plano Diretor no norte de Moçambique.

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Áreas exploradas pelo ProSavana

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