Camarões: Paul Biya está há 35 anos no poder | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 06.11.2017
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Camarões

Camarões: Paul Biya está há 35 anos no poder

Paul Biya é um dos chefes de Estado há mais tempo no poder. Assumiu a Presidência dos Camarões a 6 de novembro de 1982 e não dá sinais de querer deixar o cargo.

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O Presidente dos Camarões, Paul Biya, e a primeira-dama Chantal Biya em agosto de 2014

A mobilização de pessoas para as comemorações do 35º aniversário de Paul Biya no poder começou cedo. Centenas de jovens foram recrutados nos bairros da capital Yaoundé para participar na festa, à semelhança de outros grandes eventos do Movimento Popular Democrático dos Camarões, o partido do Presidente, conta Kennedy Fonsah.

"[O partido] distribui t-shirts e 1.000 ou 2.000 francos CFA [entre um euro e meio e três euros] para comprar arroz. Dão às pessoas dinheiro e bebidas. E dão-lhes whisky para eles pensarem que são do partido", afirma o presidente do sindicato de moto-taxistas, que costuma ser incumbido de recrutar jovens.

"O Presidente Paul Biya tem o mandato do povo", refere Joachim Tabi Owono. O político camaronês já foi candidato à Presidência, mas apoia agora o chefe de Estado e pede aos outros que façam o mesmo.

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Paul Biya está há 35 anos no poder

Críticas a Paul Biya

"Há algumas pessoas que pedem ao Presidente Biya para sair e reivindicam a independência", diz Owono. "Mas o Presidente colonizou o país? Colonizou algumas regiões dos Camarões? Quando o Presidente Paul Biya ganha as eleições, quem perde devia calar-se e apoiá-lo. Ele devia, pelo menos, ser respeitado, porque tem o mandato do povo e as eleições são já no ano que vem".

Há meses que há manifestações contra o Governo camaronês. A minoria de língua inglesa queixa-se de discriminação num país maioritariamente francófono. Em outubro, separatistas anglófonos declararam simbolicamente a independência. Dezenas de pessoas morreram em protestos.

O maior partido da oposição, a Frente Social-Democrática, condena a repressão das manifestações pelas forças de segurança.

"Tudo isto mostra um regime fraco e à beira do colapso, que resolveu aniquilar as vidas dos cidadãos", afirma Dennis Kemlemo, porta-voz do partido: "a situação deplorável dos direitos humanos nas regiões do noroeste e do sudoeste depois da repressão brutal pelo exército e pela polícia, as mortes, as agressões, as detenções em massa, os raptos não têm precedentes no nosso país."

Os opositores pedem a Paul Biya, de 84 anos, que não se recandidate nas próximas eleições presidenciais, previstas para 2018. Mas, para já, tudo indica o contrário. Em 2008, a Constituição camaronesa foi revista para acabar com os limites dos mandatos presidenciais, o que permitiu a Biya recandidatar-se nas eleições de 2011 e vencer. Até agora, o Presidente ainda não mencionou que se iria retirar da vida política ativa.

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