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Cabo Verde

Cabo Verde pede maior presença da Greenpeace no país para controlo de águas

O ministro da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde entende que a organização não-governamental pode ajudar a reforçar a monitorização das águas e a exploração dos recursos de pesca do arquipélago.

O ministro da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde, Gilberto Silva, pediu, esta segunda-feira (27.02) uma maior presença da organização não-governamental (ONG) Greenpeace no país no sentido de ajudar a reforçar a monitorização das águas e a exploração dos recursos de pesca do arquipélago.

"Cabo Verde tem uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) que é cerca de 180 vezes mais extensa do que a parte terrestre, o que significa que precisamos de ter uma atitude responsável e monitorizar as nossas águas", afirmou o governante, que falava a bordo do navio Esperanza da organização ambientalista Greenpeace, que está em Cabo Verde, pela primeira vez, no âmbito de uma campanha para promover a pesca sustentável na costa Ocidental Africana.

Para Gilberto Silva, "a atuação da Greenpeace e de outras organizações, em parceria com entidades públicas, seria uma boa coisa para o controlo das nossas águas e para exploração dos recursos".

O barco da Greenpeace está atracado no porto da cidade da Praia desde a semana passada, tendo recebido esta segunda-feira entidades governamentais, organizações ligadas à pesca e à gestão dos portos cabo-verdianos, pescadores, peixeiras e estudantes. O objetivo é sensibilizar para as questões ambientais, como as más práticas pesqueiras, pesca ilegal e impacto das mudanças climáticas. 

Schiffslärm stört Buckelwale bei der Nahrungssuche (picture-alliance/dpa/Greenpeace)

Navio Esperanza numa missão perto da Antártica, em 2008

Salientando a importância desta "boa iniciativa", o ministro cabo-verdiano lembrou que a Greenpeace é uma organização que "tem feito muitas lutas em prol do ambiente no planeta e tem contribuído de forma substancial para a elevação da consciência ambiental no mundo".

"Para nós, é um motivo de regozijo estarem aqui com um projeto desta natureza", enfatizou o governante, que pediu ainda à Greenpeace que coopere mais com as organizações não-governamentais do país e reforce a educação ambiental das pessoas. "Com a globalização, os problemas são globais e as soluções devem ser globais, daí a importância da cooperação entre os países e organizações, no sentido de salvaguardar aquilo que temos de maior valor, que é mar", afirmou. 

Greenpeace incentiva a solução conjunta

O gestor da campanha "Oceanos" da Greenpeace África, Ibrahima Cisse, alerta para a dimensão da sobrepesca e da pesca ilegal na zona da África Ocidental e defende uma abordagem regional que envolva seis países da região – Cabo Verde, Mauritânia, Guiné Bissau, Guine Conacri, Serra Leoa e Senegal – , locais por onde o barco irá passar durante as 11 semanas previstas para esta missão.

"Estamos aqui para reforçar uma abordagem regional e para ajudar os países a trabalharem em conjunto, porque alguns têm zonas económicas exclusivas enormes e não têm capacidade para as vigiar. Se pusermos estes países a trabalharem juntos, podemos melhorar a gestão das pescas, tendo em mente que a forma como se pesca, as mudanças climáticas e a poluição terão um impacto direto nas populações", explicou o responsável, acrescentando que  "a pesca em excesso e a pesca ilegal nas águas oeste africanas constitui uma ameaça à segurança alimentar, às reservas de peixe e à saúde dos oceanos".

O navio Esperanza, o maior de três da Greenpeace, visitará quarta-feira (01.03) a Mauritânia. Segue depois para a Guiné-Bissau, Guine Conacri, Serra Leoa e Senegal.

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