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Cabo Verde aposta em energias renováveis

23 de janeiro de 2012

A ministra da Agricultura de Cabo Verde esteve em Berlim e Bona onde discutiu temas como mudanças climáticas e energias renováveis.

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"Sem água você não pode se adaptar a nada", defende a ministra da Agricultura
"Sem água você não pode se adaptar a nada"Foto: DW#

A Ministra da Agricultura de Cabo Verde, Eva Verona Ortet, retornou nesta segunda-feira (23/01) ao país africano contente com os resultados da Conferência dos Ministros, no Fórum Mundial para Alimentação e Agricultura 2012, em Berlin e com os contatos mantidos na cidade de Bona, nomeadamente com as duas convenções da ONU que se ocupam da desertificação (UNCCD) e das aletrações climáticas (UNFCC).

Em Bona, Eva Ortet conheceu os mecanismos para se ter acesso ao Fundo Verde Climático, que ainda está sendo constituído e que servirá para ajudar os países em desenvolvimento.

"Cabo Verde é um país que desde a sua independência tem estado a adaptar-se às mudanças climáticas. Para nós [essa adaptação] não é uma necessidade mas uma questão de sobrevivência", esclareceu em entrevista à DW.

A ministra explicou que atualmente Cabo Verde está a investir em mobilização de água, "porque sem água você não pode se adaptar a nada", comenta. Destacou também investimentos na conservação do solo e "nesse sentido solicitamos alguma orientação e assistência técnica para o país que se prepara para aceder aos fundos disponíveis, porque o arquipélago está a preparar a sua estratégia nacional de energias renováveis", defendeu em Bona.

Energias renováveis

Cabo Verde já utiliza 25% de energias renováveis na rede, e a estratégia é chegar a 50% até 2020. A intenção é ter pelo menos uma ilha totalmente com energia renovável. A ministra também destacou que nesse momento já é possível fazer uma avaliação positiva da redução na emissão de gás carbônico com os investimentos que foram feitos até agora. Por isso o país deve investir mais, principalmente em plantações de Jatropha, a planta do biodiesel africano

Água: um bem precioso também em Cabo Verde
Água: um bem precioso também em Cabo VerdeFoto: picture-alliance / dpa

"Temos muitas áreas onde não temos água e se não temos água não podemos tornar [a localidade] uma área muito produtiva, mas com a Jatropha já temos a experiência que  podemos produzir e os agricultores podem ter algum rendimento."

Eva Ortet explica que o projeto, na fase de experimentação, está muito avançado, e que o relatório de uma missão que esteve no local para avaliar o impacto mostra o sucesso do mesmo.

Projeto alemão visa biocombustível

O projeto mencionado pela ministra é da empresa alemã "Bayer Crop Sciense", estimado em 150 mil euros. A intenção é plantar 37 mil plantas da Jatropha, também conhecida como purgueira, em vários pontos da Ilha do Fogo.

As sementes serão utilizadas na fabricação de biodiesel na Alemanha. Sobre as polêmicas em torno da planta em outros países, como Moçambique por exemplo, Eva Ortet deixa claro, que em Cabo Verde, a purgueira vai ser cultivada em áreas que não são totalmente produtivas, mas que até poderiam ser utilizadas pela pecuária.

"Sendo certo também que não queremos que esta produção concorra com os alimentos", defende ao dizer que o mais importante é garantir a segurança alimentar, mas "no momento temos muitas áreas disponíveis para avançar com esse projeto."

Parcerias bilaterais

A missão alemã responsável pelo projeto da Jatropha em Cabo Verde tem o apoio técnico de um sênior expert alemão. Durante a visita em Bona, a ministra caboverdeana também discutiu a cooperação entre os dois países para que outros reformados colaborem com projetos em Cabo Verde.

"Cabo Verde é um país que desde a sua independência tem estado a adaptar-se às mudanças climáticas", explica a ministra
"Cabo Verde é um país que desde a sua independência tem estado a adaptar-se às mudanças climáticas"Foto: picture-alliance/dpa

"A grande necessidade é a elaboração da nossa carta agrícola  porque o problema de gestão do solo é complicado em Cabo Verde. Há uma grande concorrência com o turismo, infraestruturas, imobiliária,etc. então é preciso trabalhar na conservação do solo para agricultura."

A cooperação pode iniciar em breve e a ideia é que os sênior expert fiquem naquele país em média 3 meses, mas podendo se estender até 8 meses.

Autora: Sabine Weiler
Edição: Bettina Riffel / António Rocha