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Angola

Burocracia angolana pode travar investimento de PME alemãs

"Um pé à frente, um pé atrás“ é a síntese do sentimento dos empresários alemães participantes no quinto fórum económico alemäo-angolano que se concluiu domingo, depois de reuniöes em Luanda e viagens a Benguela e Huíla.

Angola Unternehmer Günther-Peter Storbeck

Günther-Peter Storbeck à procura de possíveis investimentos em Angola

Günther-Peter Störbeck é um típico médio empresário alemäo. Há muitos anos que vende máquinas de alta qualidade para a construcäo civil e para a industria de extracäo de minérios. Os negócios correram-lhe bem e assim resolveu expandi-los para África, nomeadamente para a África do Sul, onde fundou uma empresa que abastece também os mercados do Botswana e do Zimbabué.

Há pouco tempo ouviu dizer que Angola era o país do futuro e que vale a pena investir num mercado em crescimento. "Vim a Angola para conhecer pequenos e médios empresários, como eu, mas aqui falou-se sobretudo dos mega-negócios, na ordem de várias centenas de milhöes de dólares. Isso näo é o que eu esperava, quero ir devagar, com valores pequenos, e para isso preciso de parceiros pequenos em Angola, empresários que tenham uma dimensäo média, comparável à minha".

Exigência de um milhão de dólares como investimento mínimo

Ouvir o áudio 03:59

Burocracia angolana pode travar investimento de PME alemãs

Durante a semana em Angola, houve várias surpresas para Störbeck. Uma delas, a mais agradável, é a abertura dos angolanos em relação aos alemães e europeus. Apesar de não falar portugues o empresário percebeu que os angolanos têm uma facilidade de adaptação aos europeus de que os sul-africanos nem sempre dispõem.

A surpresa negativa foi a dificuldade que encontrou a nível burocrático, começando pela obtenção do visto e cumulando na exigência das autoridades de Angola de que seja investido pelo menos um milhão de dólares. "Um milhão de dólares – essa exigência dos angolanos é para esquecer. Pelo menos a pequenas e médias empresas alemãs não estão dispostas a vir para cá com tanto dinheiro", diz.

Contudo "parece que as autoridades reconhecem que isso não funciona e por isso estão a estudar a maneira de alterar a lei", acrescenta. "Nas conversas que tive disse também aos meus interlocutores angolanos que se não facilitarem a obtenção de vistos, isso vai dificultar muito os negócios, imagimem eu ter uma reunião com um parceiro de negócios e não conseguir entrar no país. Perde-se logo a vontade de concluir o negócio.“

Enorme potencial de negócio em Angola

Outro dos participantes no fórum foi Ricardo Ferreira, um brasileiro, que veio da Alemanha em representação da Firma Schneider Elektrik de Regensburg, uma empresa especializada em reparações e construções de redes públicas de energia eléctrica."Eu ainda näo consegui fechar nenhum negócio em concreto, mas vejo grandes potenciais de negócio em Angola. Visitámos várias fábricas em Benguela e Lubango e verificámos que essas fábricas recorrem a geradores próprios, a gasóleo, o que encarece e torna inseguro o fornecimento de energia. Ora é precisamente aí que a gente poderia ajudar, nomedamente na construção de redes públicas integradas de fornecimento de energia elétrica.“

Os pontos críticos na ótica do representante da firma alemã são os seguintes: "o grande problema que vejo neste momento é a questão dos vistos. Imagimem que precisemos de enviar um grande número de técnicos alemães para aqui, ou formadores para qualificarem pessoal angolano: nesse caso seria muito importante obter os vistos de forma menos burocrática.“

Doris Icke

Doris Icke em entrevista à DW África diz que os "alemães são bem vindos a Angola"

À procura de novos clientes

Doris Icke veio a Angola em representação de um pequeno banco alemão – o banco AKA - que se especializou no financiamento de exportações de empresas alemãs para o continente africano.

Doris Icke já fechou vários negócios em Angola, sobretudo o financiamento de barragens e estradas. Todos esses negócios correram muito bem. Por isso espera angariar mais clientes. "Visitámos várias fábricas angolanas e em toda a parte sentimos que há muito interesse em cooperar com empresas alemãs. Nas fábricas vimos muito espaço para novas máquinas, novos investimentos. Há por tanto por fazer e eu senti que os alemães são muito bem vindos aqui".

A banqueira Doris Icke deixa no entanto um alerta a todos os alemães que queiram investir em Angola: "precisamos de muita paciência e de muito tempo. A burocracia neste país é muito complicada. Outro fator é a língua portuguesa, que para nós alemães também pode constituir um entrave".

Angola através de Lisboa – é este o mote do próximo congresso que a associação empresarial África-Verein vai realizar em Lisboa, ainda neste Outono. A ideia é usufruir dos conhecimentos e experiências das empresas portuguesas em Angola, para – em conjunto – se avançar para mais negócios.

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