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Internacional

Brexit: Uma oportunidade para os países africanos?

O Reino Unido vai informar esta quarta-feira a União Europeia de que quer sair do bloco. Esta notificação oficial do Brexit não passa despercebida no continente africano, sobretudo nos países-membros da Commonwealth.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, assinou, na terça-feira (28.03), a carta a formalizar o pedido de saída do Reino Unido da União Europeia. E, na quarta-feira, notificará o bloco da decisão.

A saída do Reino Unido significa que os acordos comerciais europeus existentes deixam de ser aplicados ao país e terão de ser renegociados, algo que preocupa os parceiros africanos do Reino Unido, particularmente o Gana, a Nigéria, o Quénia e a África do Sul, que têm beneficiado de concessões comerciais e ajuda ao desenvolvimento. Teme-se que o Brexit abra caminho a restrições às relações comerciais.

Ainda assim, o analista do Gana Courage Martey mantém-se otimista: "Se o Reino Unido ficar sozinho, isto também poderá ser vantajoso para nós. Podemos negociar diretamente com os britânicos", afirma.

"Atualmente, importamos mais do que exportamos para o Reino Unido. Podemos conseguir uma balança comercial mais equilibrada, garantir acordos mais vantajosos para nós e para os negócios locais."

Na África do Sul há expetativas semelhantes. Segundo Azar Jammine, economista-chefe do gabinete de estudos Econometrix, em Joanesburgo, o Brexit já está a ter um impacto positivo no ambiente de negócios sul-africano - as empresas britânicas estão a dar sinal de um "aumento do interesse" em investir no país e ampliar as relações comerciais, para compensar a perda de oportunidades na Europa.

"Acredito que as empresas britânicas vão ver oportunidades em África e vão querer usar a África do Sul como a base para entrar nesses mercados", diz o economista.

Jammine lembra, no entanto, que o Brexit poderá ter um impacto negativo no crescimento económico da União Europeia, uma importante parceira comercial da África do Sul.

Ouvir o áudio 03:03

Brexit: Uma oportunidade para os países africanos?

Risco de contágio?

Para Brian Wanyama, professor de Economia da Universidade de Kibabii, no Quénia, é necessário que as equipas de negociação dos países da Commonwealth adotem uma estratégia conjunta para conseguir "um melhor acordo" com o Reino Unido.

"Se o fizerem de forma individual, vão certamente sair a perder", alerta.

Kasuma Garba Karfi, especialista em finanças em Lagos, na Nigéria, concorda. "Unidos somos mais fortes", sublinha, particularmente face a um possível risco de "contágio" do Brexit: "O Reino Unido poderá não ser o único país a sair da União Europeia. Se isto continuar, as relações que sustentam a União Europeia podem perder força. Será difícil também para nós, porque teremos de estabelecer uma nova relação com cada país, individualmente."

Para já, dá-se o pontapé de saída apenas no processo britânico. A primeira-ministra Theresa May aciona esta quarta-feira o artigo 50º do Tratado de Lisboa, abrindo as portas às negociações para a primeira saída de um Estado-membro da União Europeia. O processo tem de ser concluído no prazo de dois anos.

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