1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Bento Kangamba na lista de procurados pela Interpol

As autoridades do Brasil deixam agora nas mãos de Angola a responsabilidade de deter o general angolano Bento Kangamba. Ele é acusado de liderar uma quadrilha de tráfico de mulheres para prostituição em Angola.

O ponto final para o caso envolvendo o esquema internacional de tráfico de mulheres brasileiras ainda depende da prisão de dois angolanos: entre eles, do homem apontado como chefe da quadrilha: o general Bento dos Santos Kangamba, sobrinho por afinidade do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

Até o momento, a Polícia Federal do Brasil confirma que já colocou o nome do general Kangamba e do braço direito dele, Fernando Vasco Inácio Republicano, na lista de procurados da Interpol. Porém, a organização internacional de polícia criminal não tem como garantir a cooperação da polícia de Angola, porque se trata, nesta situação, de uma decisão soberana do país africano.

Certo é que, com a inserção dos mandatos de prisão nos sistemas da Interpol, os envolvidos podem ser presos a qualquer momento e em qualquer país membro da polícia internacional.

O delegado da Polícia Federal que responde pela Interpol, no Brasil, Humberto Prisco Neto esclarece: "O pacto Interpol é assinado por 199 países e em consequência a saída dessa pessoa do território angolano em direção a qualquer um desses países pode dar lugar à sua prisão."

Symbolbild Computer Tastatur

10 mil dólares era quanto se prometia para uma semana de sexo em Angola

Justiça agora depende de Angola

Bento Kangamba é acusado de comandar a quadrilha que traficava mulheres do Brasil para Angola, África do Sul, Portugal e Áustria. O grupo era composto por sete envolvidos. Cinco deles já foram presos no Brasil recentemente quando o esquema internacional foi descoberto pela Polícia Federal, em São Paulo.

Quando questionado se a partir de agora a investigação criminal está nas mãos das autoridades angolanas e se os próximos passos dependem de Angola entregar o general Kangamba, o delegado da Polícia Federal respondeu: "Exatamente. Claro, fica a cargo das autoridades angolanas, seguindo a legislação do seu país, proceder a prossecução criminal dessa pessoa lá."

Assim como o delegado da Interpol, o diretor do departamento de estrangeiros do ministério brasileiro da Justiça, João Guilherme Granja, acredita que Angola terá que dar sequência às investigações.

João Guilherme Granja aponta ainda as possibilidades: "Se o país responde que não vai tratar do nacional do seu país, ele abre ao poder judiciário que está a investigar essa pessoa, a possibilidade de a investigar criminalmente."

Prostitution Zwangsprostitution Frau auf der Straße

Desde 2007 a quadrilha terá movimentado cerca de 45 milhões de dólares com o tráfico de mulheres

Extradição ou processo

Mas o delegado lembra que isso não é uma janela para a impunidade: "O país diz não, essa pessoa é um nacional e não vai ser extraditada, ela abre para o primeiro país o poder de exigir que ele investigue e processe criminalmente e puna. Com a extradição existe uma dupla obrigação: ou se extradita, ou se processa."

O representante do ministério brasileiro da Justiça explica as dificuldades diante de um acordo específico entre o Brasil e Angola, ainda sem conclusão: "Existe um acordo bilateral cuja internacionalização não foi concluída, não está em vigor."

Mas o representante lembra que existe um acordo que abrange os dois países: "É uma convenção da CPLP, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, que abrange Angola e Brasil, sobre a extradição que está em vigor. Foi finalizado pelo Brasil em fevereiro deste ano."

Entretanto, a Constituição brasileira, por exemplo, proíbe a extraditação de um brasileiro. João Guilherme Granja explica em que contexto a extradição pode ser feita: "E os acordos de extradição também prevêm que não se extradite um nacional do país. Nesses casos tem de haver provocação para o processo criminal."

Rejeição da acusação

Bento Kangamba, atráves de um porta-voz, já desmentiu as acusações, considerando que o objetivo de tudo é atingir e caluniar outras personalidades.

Bento dos Santos Kangamba, de 48 anos de idade, é casado com uma sobrinha de José Eduardo Santos, o Presidente de Angola. O general é também presidente do Kabuscorp que milita na primeira divisão do Girabola, a principal liga de futebol de Angola. O general é ainda patrocinador do Vitória de Guimarães em Portugal. Há suspeitas que através das suas atividades o general esteja envolvido na lavagem de dinheiro.

Mas a polícia angolana, de acordo com o Angonotícias, diz que não recebeu nenhuma notificação da polícia brasileira sobre o caso. Isso até o passado dia 4 de novembro.

Ouvir o áudio 03:30

Bento kangamba pode ser detido no contexto de acordo da Interpol

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados