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Moçambique

Autoridades de Moçambique na Gorongosa: acto de soberania ou provocação?

RENAMO condena deslocação do vice-ministro do Interior à Gorongosa, um dos bastiões do partido. O "marcar de posição" do Governo no local é visto por muitos como uma afronta ao maior partido da oposição.

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Ponte que liga Gorongosa e Inchope, em Sofala, alvo de vários ataques durante o período de tensão político-militar

Na quarta-feira (12.11), o vice-ministro moçambicano do Interior, José Mandra, esteve na Gorongosa, onde conversou com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) estacionadas no local. De acordo com o Jornal Notícias, o vice-ministro disse que as forças "devem estar em prontidão na prevenção e combate ao crime, por se tratar de um dos deveres fundamentais que se enquadram na agenda nacional de mitigação da pobreza".

Embora os confrontos entre a RENAMO, o maior partido da oposição, e o exército governamental tenham acabado, as FDS não saíram da região e ainda não há uma data prevista para a sua retirada. A RENAMO não viu com bons olhos a presença de Mandra no seu reduto. Nas palavras de António Muchanga, porta-voz do partido, "a RENAMO lamenta o que está a acontecer porque a região da Gorongosa é a mais segura do país, devido à natureza da população e à presença de elementos da RENAMO".

Muchanga denuncia "o fabrico de drogas e rapto de empresários sob o olhar passivo da polícia" de Moçambique, considerando que "está a ficar claro que o Governo moçambicano não sabe dar prioridade ao desdobramento das Forças de Defesa e Segurança e pode ser responsabilizado pelo que está a acontecer no país".

"Afronta à RENAMO" diz diretor do Savana

Mosambik Afonso Dhlakama 10.04.2013

Líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, esteve refugiado durante mais de um ano na serra da Gorongosa, na província central de Sofala

Em Moçambique, há quem interprete este marcar de posição do vice-ministro do Interior como uma provocação à RENAMO. Na opinião de Fernando Lima, jornalista e diretor do semanário independente Savana, José Mandra "não tinha nada que ir à Gorongosa, não tinha nada que fazer aquele show, porque claramente foi uma afronta à RENAMO". No entanto, explica o jornalista, "não há nenhuma mudança, as forças sempre estiveram ali".


Ao mesmo tempo que as autoridades moçambicanas marcam a sua posição no reduto da RENAMO, o país aguarda ansiosamente pelo veredicto do Conselho Constitucional sobre a anulação das eleições gerais de 15 de outubro passado, conforme pedido da RENAMO e do MDM, a segunda maior força da oposição. 15 de dezembro é o dia em que o Conselho deve bater o martelo.

Já antes disso o maior partido da oposição tinha ameaçado fazer uma revolta popular, a contestar as eleições devido às irregularidades e fraudes eleitorais. Haverá alguma relação entre estes dois factos? Fernando Lima acredita que não. "O vice-ministro do Interior não é conhecido por ser muito inteligente, portanto não me parece que seja uma atitude bem pensada ou que alguém o tenha mandado lá para provocar a RENAMO", diz Lima.

Embora não considere que a ida à Gorongosa tenha sido uma boa ideia, o jornalista afirma que "o Governo tem razão, há soberania governamental em todo o território moçambicano, logo, o vice-ministro do Interior pode ir onde quiser sem ser impedido". Fernado Lima acrescenta ainda que as autoridade "não foram provocar a RENAMO, não dispararam, não detiveram ninguém da RENAMO, mas aquele distrito votou todo RENAMO. Por isso, têm de ter a consciência de que são, em última análise, um exército de ocupação naquela zona".

RENAMO pede desbloqueamento de verbas

Ouvir o áudio 04:30

Autoridades de Moçambique na Gorongosa: acto de soberania ou provocação?

Por outro lado, decorre um diálogo entre o Governo e a RENAMO onde o consenso demora a ser alcançado. Em cima da mesa esta a integração dos homens da RENAMO nas Forças Armadas de Defesa e na Polícia e ainda a reinserção social e económica dos inaptos.


O porta-voz da RENAMO, António Muchanga, aponta o dedo ao Executivo, afirmando que "há divergências, porque o Governo retirou o fundo que está a custear as despesas desta operação e entregou-o ao ministro da Agricultura. Parece que o ministro está a confundir essa verba de manutenção deste processo com mais uma verba para o seu gabinete".

"Nós temos 35 pessoas. O Governo tem 35 homens e a comunidade internacional tem 23. Estas pessoas precisam de ser assistidas do ponto de vista logístico. A RENAMO pede transparência: queremos saber quando e como é que o dinheiro será alocado", conclui Muchanga.

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