Ausência do Presidente de Angola no funeral de Mandela gera polémica | Angola | DW | 14.12.2013
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Angola

Ausência do Presidente de Angola no funeral de Mandela gera polémica

Em Angola o Presidente José Eduardo dos Santos enfrenta críticas por não ter decretado um dia de luto e não ter ido às exéquias de Nelson Mandela. Em seu lugar enviou o vice-presidente Manuel Vicente.

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José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola

O Presidente angolano José Eduardo dos Santos está a ser fortemente criticado por diversos segmentos da sociedade civil e política do país e até no seio do seu próprio partido, o MPLA, por não prestado a última homenagem a Nelson Mandela à semelhança de vários lideres mundiais que marcaram presença na cermónia fúnebre do ícone contra o apartheid na África do Sul.

Para além disso, José Eduardo dos Santos não fez nenhuma declaração pública sobre o legado deixado por Mandela, na TV ou na rádio, tal como outros líderes mundiais, nem tão pouco decretou um dia de luto em memória a "Madiba".

Trauer um Nelson Mandela

Uma das homenagens a Nelson Mandela

Observadores em Luanda notam que as recentes informações que davam conta de que o estadista angolano estava internado numa clínica de oncologia, em Barcelona, Espanha, "até que podiam minimizar as críticas à sua pessoa" se não fosse um comunicado do Governo angolano a desmentir tal informação e tendo mesmo salientado que José Eduardo dos Santos “não está e nunca esteve doente”.

Se José Eduardo dos Santos não está e nunca esteve doente a pergunta que se coloca é a seguinte: então quais são as verdadeiras razões que levaram o Presidente angolano a enviar o seu vice-presidente, Manuel Vicente, às exéquias de Nelson Mandela?

Seguir o exemplo de Mandela

O ativista dos direitos humanos, José Patrocínio, coordenador da ONG Omunga, prefere colocar a questão numa outra vertente: "Não vejo a questão com base no facto do Presidente ir lá ou não. Para mim o problema deve centrar-se mais na questão dos nossos procedimentos em Angola e ter em conta, por exemplo, que os discursos do Presidente não voltassem a ser agressivos e que aprendesse isso com Nelson Mandela."

E José Patrocínio exemplifica a sua tese com uma entrevista dada pelo Presidente José Eduardo dos Santos: "Vimos recentemente uma entrevista concedida a um canal televisivo brasileiro e constatamos mais uma vez um discurso belicista. Isso é que seria interessante o Presidente angolano adotar como postura... os valores e procedimentos de Mandela."

Luanda Angola Afrika Beerdigung Repression Demonstration

Funeral de Manuel Ganga, morto pela guarda presidencial em novembro. O caso acirrou as revoltas contra o Governo

Na verdade, para o ativista José Patrocínio, José Eduardo dos Santos passou a ser um obstáculo sério para o país quer a nível interno, quer no plano internacional: "Muito seriamente acho que cada vez mais devemos pensar que a manutenção do cidadão José Edurado dos Santos no lugar de Presidente da República é um obstáculo sério à questão da mudança em Angola."

Patrocínio vai mais longe: "E mais... é tão sério como ficou claro na entrevista ao canal televisivo brasileiro que as mudanças a terem lugar no país dependem do que ele, José Eduardo dos Santos e o seu partido, o MPLA decidirem no futuro. Se ele será substituído primeiro no partido ou se será substituído ao mesmo tempo no partido e no Estado..."

José Eduardo dos Santos falha para com o povo

Já o antropólogo, Carlos de Oliverira Vasconcelos, classificou a atitude do Presidente José Eduardo dos Santos, de não estar presente nas exéquias de Nelson Mandela como uma traição à vontade soberana do povo de Angola: "Não, não corresponde à vontade do povo. No dia em que se realizou a cerimónia via-se mesmo um semblante de tristeza. Os angolanos reconheceram que perderam um irmão africano, perderam um vizinho e perderam uma grande figura."

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Ausência do Presidente angolano no funeral de Mandela gera polémica

Por seu turno, o jornalista do semanário AGORA, José Manuel Lupassa, foi lacónico na sua abordagem ao perguntar: "Como é que o nosso Presidente iria sentir-se no meio de tantos homólogos que ouvem falar dele quando ainda andavam no colégio e nem sequer pensavam que um dia seriam políticos ou chefes de Estado?"

O jornalista recorda ainda o descontentamento que se vive em Angola e as suas consequências sobre a pessoa de José Eduardo dos Santos: "Depois a imagem do próprio Presidente a nivel exterior está manchada em função dos últimos acontecimentos que têm ocorrido um pouco por todo o país."

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