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Moçambique

Ausência das autárquicas prejudica RENAMO e favorece MDM, dizem analistas

Observadores, analistas e sociedade civil questionam o futuro político da Resistência Nacional Moçambicana, depois do boicote às eleições autárquicas. Especialistas ouvidos pela DW África falam em "enfraquecimento".

Um dia depois das eleições autárquicas em Moçambique, onde já se regista uma liderança do partido no poder, a FRELIMO, em várias províncias, enquanto noutras o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na oposição, soma resultados assinaláveis, observadores, analistas e a sociedade civil em geral já questionam o futuro político da Resistência Nacional Moçambicana, liderada por Afonso Dhlakama, que decidiu não participar neste pleito eleitoral, em protesto contra a composição dos órgãos eleitorais, que acusa de serem favoráveis à FRELIMO.

"Cartão amarelo" para a RENAMO

Segundo o sociólogo Moisés Mabunda, os moçambicanos "exprimiram a sua consciência, assumiram que um processo democrático, a convivência social, regem-se por regras concretas, que são, nomeadamente, a prevalência da lei, de toda a regulamentação comummente aprovada pela sociedade", afirma o analista.

"Os moçambicanos assumiram que a mudança de um Estado, a mudança de um regime, a mudança da governação de um determinado partido ou de um grupo, faz-se através de um processo conhecido entre democracias, aceite universalmente, que é o processo arbitral, o escrutínio eleitoral", acrescenta.

Kommunalwahl Mosambik - Maputo

Eleitores aguardam a sua vez para votar numa assembleia de voto em Maputo

Para outro analista, Pedro Nhacete, o povo moçambicano "foi votar com uma consciência de cidadania e mostrar que não quer governantes que ganham o poder por questões militares". "Usando a gíria desportiva", diz, este resultado "é um cartão amarelo para a RENAMO, porque as pessoas foram lá e votaram".

Estratégia pode ter consequências nas próximas eleições

Já Moisés Mabunda considera que a atuação da RENAMO foi "uma preversão daquilo que deve ser a convivência social, daquilo que são as regras que regem as democracias". "A RENAMO queria ir em contramão, queria encontrar outros mecanismos que não o processo eleitoral para mudar o partido do Governo", explica, considerando que "isto é inaceitável e os moçambicanos não aderiram naturalmente a esta contramão que a RENAMO quis impôr".

O analista Pedro Nhacete é claro: a ideia da RENAMO de não participar e boicotar o pleito foi uma má estratégia e que poderá ter reflexos. O analista afirma que "esta estratégia poderá influenciar as eleições de 2014, presidenciais e legislativas". "Estas autárquicas seriam uma ante-câmara para perceber o que pode acontecer no próximo ano, mas eles não estiveram neste ensaio. Falta muito pouco tempo para estas eleições".

Louros para o MDM

Ouvir o áudio 05:12

Ausência das autárquicas prejudica RENAMO e favorece MDM, dizem analistas

Muitos observadores atentos já falam do enfraquecimento da RENAMO e do reforço do MDM e da FRELIMO. O sociólogo Moisés Mabunda considera que "a FRELIMO já está muito forte e as últimas eleições gerais mostraram a sua força". Por isso, pensa que "o MDM está a tirar muitos louros desta situação com a RENAMO".

O analista não hesita em afirmar que "a RENAMO, em vez de apostar na organização interna, na coerência político-estratégica, na mobilização dos moçambicanos, em apresentar-se como uma alternativa de liderança social, mostra que está a derrapar. Não mostra absolutamente nada e isto beneficia o MDM, que se vai afirmando, de eleições em eleições, como uma força política a ter em conta para um futuro não muito longo".

Opinião semelhante tem o analista político Pedro Nhacete, que considera que "o partido ganha mais tarimba quando vai às eleições, concorre e é votado. Quando não tem essa possibilidade, corre o risco de afastamento político. Daqui a pouco, vamos assistir ao MDM a ser a segunda força política de Moçambique, porque o povo saiu à rua para votar e a RENAMO não está presente. Para mim, o eleitorado da RENAMO poderá ser canalizado para o MDM. E isto é o início do enfraquecimento da RENAMO".

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