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Angola

Aumento em flecha das remessas de Portugal para os PALOP

Os imigrantes africanos dos países de língua portuguesa em Portugal estão a transferir mais dinheiro para fora. Já os portugueses na África lusófona enviam menos dinheiro para casa. A crise em Angola é uma das razões.

Pouco antes de ir para o trabalho, Leida Afonso foi ao banco para transferir dinheiro para a família que está na Guiné-Bissau. Sempre que possível, a jovem guineense envia dinheiro aos familiares todos os meses, tal como fazem outros cidadãos estrangeiros radicados em Portugal.

No primeiro semestre deste ano, as remessas dos imigrantes africanos lusófonos para os países de origem aumentaram substancialmente. Em maio, subiram 59,5 por cento, de acordo com o boletim estatístico do Banco de Portugal. Segundo os números, que comparam igual período de 2014 e 2015, o montante de remessas passou de 2,79 milhões para 4,45 milhões de euros. O volume maior foi para Angola.

Em sentido inverso, as verbas enviadas pelos emigrantes portugueses a trabalhar nos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) caíram 4,71 por cento em maio deste ano, de 14 milhões para 13,36 milhões de euros. De Angola para Portugal registou-se este ano uma descida de 5,65 por cento, ou seja, de 12,48 milhões de euros contra os 13,23 milhões de euros do ano passado. A causa principal deste recuo é a situação em Angola, onde as autoridades, a braços com uma crise económica, bloquearam as transferências.

Crise económica em Angola

Na verdade, nunca foi significativo o envio de dinheiro de Portugal para Angola, segundo José João Rocha, administrador da Nova Câmbios em Portugal e Angola.

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Aumento em flecha das remessas de Portugal para os PALOP

"Praticamente, os valores enviados de Portugal para Angola sempre foram residuais no nosso negócio. Sinceramente, não tenho dados que me permitam dizer se estão a aumentar ou não".

Segundo o administrador, o ano de 2013 foi excelente. Mas, durante 2014, devido às dificuldades na obtenção de divisas em Angola, houve uma quebra "muito significativa" de transferências para Portugal. É um problema que se mantém, até porque, ao longo deste ano, o fluxo entre trabalhadores portugueses e Angola inverteu-se. O regresso a Portugal está relacionado com os atrasos nos pagamentos por força da crise que afeta a economia angolana.

"Quer os angolanos quer os emigrantes portugueses em Angola têm kwanzas, mas não podem enviar os kwanzas que querem. Porque depois a nossa empresa e outros operadores do mercado estão sujeitos às divisas que a banca comercial em Angola disponibiliza para podermos fazer as transferências para Portugal."

Esta situação tem tido uma repercussão negativa na vida de famílias e empresas portuguesas, confirma João Rocha. "Começa por ter repercussão na vida de várias empresas. Temos conhecimento de vários casos, em especial no norte de Portugal, nos distritos do Porto e de Braga, de pequenas empresas, a maioria delas de construção civil, que suspenderam a atividade porque estavam muito dependentes daquilo que faziam em Angola e deixaram de operar lá."

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