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NOTÍCIAS

Ativistas desaparecidos em Angola suscitam preocupação

Em Angola multiplicam-se os casos de perseguição, agressão e sequestro de organizadores dos movimentos de protesto anti-regime. Os perpetradores anónimos, chamados "kaenches", são homens armados e treinados a preceito.

Manifestação em Benguela, Angola

Manifestação em Benguela, Angola

As mais recentes vítimas dos "kaenches" são os líderes do "Movimento Revolucionário Unido", um grupo de ex-militares das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) e do Exército Libertação Nacional de Angola (ELNA). Estas formações convocaram uma manifestação contra "o mau trato que sofrem" por parte do governo angolano.

Também o ativista Rafael Marques sente na pele a perseguição

Também o ativista Rafael Marques sente na pele a perseguição

De resto, os organizadores da manifestação fracassada do último domingo estão preocupados. Os antigos militares, apenas queriam manifestar o seu desagrado com as condições de vida que afirmam ser desumanas e a falta de apoio do governo angolano. Mas a manifestação foi impedida pelas autoridades. Mais: dois dos dirigentes do movimento desapareceram. Tomás Artur Maria, um dos membros do protesto, dirigiu-se agora à imprensa nacional e internacional, pedindo para que estes raptos não passem despercebidos. Artur Maria teme que os seus colegas estejam a ser torturados e não reapareçam tão cedo, como disse à DW África: "Opovo já sabe que no domingo foi detido o Álvaro Kamulingue e desde então não há rasto dele. Na terça-feira, foi detido o dirigente máximo, Isaais Sebstião Kassule. Estamos à procura em toda a parte, fomos a todas as esquadras da polícia, mas os comandantes estão a negar toda a responsabilidade."

Só os manifestantes angolanos fora do país, como em Berlim, usufruem plenamente do direito à livre expressão

Só os manifestantes angolanos fora do país, como em Berlim, usufruem plenamente do direito à livre expressão

Apelo à imprensa

A DW África contactou o comando provincial da polícia de Luanda, que negou ter qualquer conhecimento destes casos de sequestro. Aos amigos e familiares dos desaparecidos, a polícia terá dito que nada sabe sobre a identidade dos sequestradores, referiu Tomás Artur Maria: "Eles disserem que são elementos desconhecidos, e que as famílias têm que os procurar. Mas nós não sabemos onde procurá-los. A polícia que é a entidade competente para manter a ordem!"

O membro do grupo dos ex-militares "Movimento Revolucionário Unido" diz-se muito preocupado e lança um apelo de solidariedade a todos os ex-militares e ao povo angolano em geral. O objetivo é forçar a libertação dos dois manifestantes desaparecidos, diz Tomás Artur Maria: "Vou comunicar a todo o povo angolano, aos ex-militares da casa militar, ex-FAPLA, ex-ELNA, vou apelar aos nossos partidos políticos, à UNITA, ao nosso Bloco Democrático, ao Partido Popular, PRS e aos outros partidos idóneos, para fazer saber que em todos os bairros, devido às manifestações, há raptos e torturas”, avisa.

Milícias não estão identificadas

O Presidente, Jose Eduardo dos Santos, não parece disposto a tolerar os protestos da sociedade civil

O Presidente, Jose Eduardo dos Santos, não parece disposto a tolerar os protestos da sociedade civil

Artur Maria adverte ainda que o seu movimento vai dar 48 horas às autoridades: “Se os nossos homens não aparecerem, nós vamos dirigir-nos todos diretamente à casa do empresário Bento Kangamba, empresário de assassínios. É ele o comandante das milícias que estão a executar em todas as áreas da periferia de Luanda, " acusa o veterano.

Recorde-se que entre os vários movimentos de oposição em Angola reina um clima de medo devido aos sucessivos atos de violência perpetrados pelas chamadas milícias. Circulam muitas suspeitas sobre os organizadores e financiadores desses bandos, mas, até agora, nada foi provado. As autoridades angolanas afirmam não ter qualquer informação sobre quem poderá estar por detrás dos "kaenches".

Autor: António Cascais
Edição: Cristina Krippahl/António Rocha

Ouvir o áudio 03:55

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