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Ativistas denunciam perseguições em Benguela

Nelson Sul D'Angola (Benguela)22 de junho de 2015

Na província angolana de Benguela, vários ativistas do "Movimento Revolucionário" dizem ser alvo de perseguições e ameaças de morte. Tudo terá começado depois de uma manifestação anti-governamental, a 27 de maio.

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Protesto em Benguela em março de 2012 (foto de arquivo)Foto: DW

Vários ativistas ligados ao denominado "Movimento Revolucionário" na província de Benguela queixam-se de uma constante perseguição das autoridades governamentais e sobretudo dos Serviços de Inteligência do Estado. Manuel Mateus, um dos membros do movimento, diz que a alegada perseguição está relacionada com a manifestação que realizaram a 27 de maio, em memória dos massacres de 1977 e em que exigiam o fim das perseguições e assassinatos políticos no país.

Segundo Manuel Mateus, recentemente, durante uma reunião, dois indivíduos armados tentaram raptar um dos seus companheiros.

"[Esse indivíduos] não se identificaram, só disseram que eram 'a autoridade' e, por isso, não podíamos fazer perguntas", afirma o ativista, mais conhecido por Max. "Houve uma troca de palavras. Os colegas foram ligando para outros indivíduos, para denunciar o caso. Eles depois sentiram-se um bocadinho envergonhados, foram recuando e puseram-se em fuga."

Manuel Mateus, Aktivist
Ativista Manuel MateusFoto: DW/Nelson Sul d'Angola

Ameaças de morte

Mateus revela ainda que tem sido alvo de ameaças de morte por parte de indivíduos supostamente pertencentes aos serviços secretos. Por mais de uma vez bateram à porta de sua casa, deixando recados intimidatórios à sua família e vizinhança.

Ainda assim, o jovem ativista mostra-se destemido: "A própria Constituição garante-nos este direito [de protestar]. Como diziam Cassule e Kamulingue, 'liberdade ou morte'. Isso também está connosco."

Detenções previstas?

Além disso, Manuel Mateus, residente no Lobito, conta que recentemente teria havido uma reunião do partido no poder na província, onde o responsável municipal do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Julião de Almeida, terá vaticinado a detenção de todos os integrantes do Movimento Revolucionário – antes de, pelo menos, 13 ativistas do grupo serem detidos no sábado (20.06), suspeitos de prepararem atos contra a ordem pública.

"Ele disse que tinha os nomes e que, em 2016 e 2017, teriam de ser apanhados e depois desaparecer, porque podiam trazer confusão para as eleições", diz o ativista.

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As detenções, no período pré-eleitoral, serviriam para acautelar a adesão da população à causa do grupo de jovens que realizam manifestações anti-governamentais desde 2011.

Contactado pela DW África, o secretário do comité provincial do MPLA em Benguela, David Nahenda, recusou comentar o assunto.