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Angola

Ativista angolano Luaty Beirão termina greve de fome

"Não vou desistir de lutar, nem abandonar os meus companheiros", anunciou Luaty Beirão após 36 dias em greve de fome. "Espero que a sociedade civil nacional e internacional e todo este apoio dos media não pare."

"Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve de fome", afirma o ativista angolano Luaty Beirão numa carta assinada pelo próprio a que o

portal Rede Angola

teve acesso. A notícia foi, depois, confirmada por um advogado do ativista à agência de notícias Lusa.

"Sem resposta quanto ao meu pedido para aguardarmos o julgamento em liberdade, só posso esperar que os responsáveis do nosso País também parem a sua greve humanitária e de justiça. De todos os modos, a máscara já caiu. A vitória já aconteceu", escreve Luaty na carta aos "companheiros de prisão".

Luaty Beirão é um dos 17 jovens acusados de prepararem uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos. 15 jovens estão detidos desde junho - Luaty esteve 36 dias em greve de fome em protesto contra o excesso de prisão preventiva. O ativista, entretanto, internado na Clínica Girassol, pede para que ele e os colegas aguardem em liberdade o julgamento, com início marcado para 16 de novembro.

"Conseguimos muita atenção em volta da nossa causa. Muita dela recai agora sobre mim. Por isso pedi para me juntar a vocês em São Paulo e assim, podermos falar a uma só voz", escreveu Luaty.

É aí, no hospital-prisão de São Paulo, que estão, há mais de uma semana, os outros 14 ativistas detidos.

Protest in Lissabon für die Freilassung angolanischen Aktivisten

Protesto em Lisboa

Solidariedade internacional

A detenção dos ativistas gerou uma onda de apoio internacional, a que se associaram artistas, músicos, escritores, jornalistas e políticos.

Tem havido vigílias e manifestações pacíficas de solidariedade não só em Angola, mas também em

Lisboa, Berlim, Londres e Bruxelas

. Foram ainda criados grupos de apoio nas redes sociais e circulam petições na internet, em português e inglês, em que se pede a libertação dos ativistas.

A jornalista portuguesa Vanessa Rato é autora de uma dessas petições, que nasceu como uma carta aberta ao ministro português dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e ao embaixador português em Luanda, João da Câmara.

"A primeira pessoa que aparece na lista é o filósofo José Gil. Dentro da comunidade de intelectuais e artistas está também o escultor Rui Chaves e o realizador Pedro Costa", enumera a jornalista. "Juntaram-se dois líderes partidários da esquerda portuguesa, a Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, e o Rui Tavares, do Livre, além da deputada Inês de Medeiros, do Partido Socialista. Os atores Joaquim de Almeida e Maria de Medeiros também assinaram a petição. E os realizadores Gus Van Sant e Víctor Erice."

brasilianischer Sänger Chico Buarque

Músico brasileiro Chico Buarque

Chico Buarque assina petição

A petição já ultrapassou as 13 mil assinaturas; foi entregue ao Ministério dos Negócios Estrangeiros na semana passada, mas continua a circular. No domingo à noite (25.10), o cantor brasileiro Chico Buarque contactou a autora porque queria ver o seu nome na petição e adiantou o motivo:

"Em 1980, o Chico Buarque escreveu uma música muito conhecida chamada 'Morena de Angola'. Fê-lo após uma visita ao país, que estava em guerra, nessa altura. No último verso dessa música, ele diz que essa morena de Angola é uma sua camarada do MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola, no poder]", conta a jornalista Vanessa Rato.

"Nós precisamos de liberdade"

Outro dos signatários da petição é o cantor angolano Waldemar Bastos, que, esta segunda-feira (26.10), confessou à DW África a sua tristeza e mágoa.

"É uma situação triste porque temos uma vida que corre risco, que é o Luaty Beirão. Por outro lado, os outros colegas que também estão presos, segundo relatos, às vezes sofrem maus-tratos de um nível desumano. Não estou satisfeito enquanto ser humano, enquanto artista. Nós precisamos, de facto, de liberdade. Sou artista e sou alvo há muitos anos de uma perseguição silenciosa."

Ouvir o áudio 03:21

Solidariedade internacional para com ativistas angolanos

A solidariedade estende-se a Cabo Verde. Personalidades locais escreveram uma carta aberta dirigida ao Presidente de Angola, que foi

publicada no Facebook

.

Da Grécia, o ex-ministro da Economia Yanis Varoufakis juntou-se à luta pela libertação dos ativistas angolanos numa visita recente à cidade portuguesa de Coimbra, posando para uma

fotografia

com um cartaz da Amnistia Internacional nas mãos: "Livre para protestar, livre para discordar."

A deputada federal brasileira Luiza Erundina apresentou, por sua iniciativa, uma moção de solidariedade e pediu ao presidente da sessão legislativa, que teve lugar em Brasília, que a encaminhasse a José Eduardo dos Santos.

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