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Moçambique

Ataques no centro de Moçambique podem alastrar-se a outras zonas?

Depois da tomada da antiga base central da RENAMO pelo exército moçambicano, teme-se ataques de retaliação de grupos isolados. Mas ataques seriam circunscritos a habituais bastiões do partido, acredita especialista.

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Escolta militar na EN1 entre Save e Muxungué

O principal foco de tensão militar, na região centro de Moçambique, parece ter sido sufocado pelo exército governamental. A RENAMO, maior partido da oposição, anunciou que não controla os seus homens, depois do ataque do exército governamental a Satunjira. Entretanto, a RENAMO tem apoio também no norte do país.

Falámos com Alfiado Zunguza, especialista em paz e resolução de conflitos da organização não-governamental moçambicana Justa Paz, sobre um possível alastramento dos ataques a outras zonas.

Mosambik Militär

Militares moçambicanos na base da RENAMO em Satunjira

DW África: Será que eventuais ataques da RENAMO noutras regiões de Moçambique podem acontecer em resultado deste sufoco?

Alfiado Zunguza (AZ): Não há essa possibilidade, a não ser que esses ataques surjam por iniciativas individuais, de grupos isolados.

DW África: Mas através de uma liderança, de uma orientação do líder da RENAMO ou das altas patentes militares da RENAMO, acha que isto pode acontecer?

AZ: Não, porque o próprio Afonso Dhlakama disse que não iria retaliar por ter sido atacado e ter sido ocupada a base de Satunjira.

DW África: A RENAMO já disse isso muitas vezes. Entretanto, vários ataques aconteceram. No sábado (26.10) houve um novo ataque – embora não se confirme que seja da RENAMO, há fortes suspeitas que homens da RENAMO tenham estado envolvidos. Pondo de parte esse discurso da RENAMO, não há essa possibilidade?

AZ: Não. É possível que exista um resquício de um grupo na zona de Muxungué, que pode estar ou não sob o comando direto de Afonso Dhlakama e de outras forças que vêm desencadeando essas ações. Trata-se de uma zona que já era problemática muito antes de se ocupar Satunjira. Agora, provavelmente, ainda existem algumas dessas forças que atuem por iniciativa própria, mas circunscritas a essa zona. Os únicos sítios onde há tropas da RENAMO, armadas, que sejam conhecidos, são nas zonas que mencionei – em Nampula e na zona de Muxungué. Além dos homens que estão atualmente em fuga com o próprio líder.

Ouvir o áudio 03:48

Ataques no centro de Moçambique podem alastrar-se a outras zonas?

Não vejo que seja possível termos ataques no resto do país pelo simples facto de se ter ocupado Satunjira. Aliás, a própria RENAMO disse que isso não vai acontecer. E acredito que outros comandantes da hierarquia da própria RENAMO não irão dar nenhuma ordem para que se façam ataques esporádicos ao nível do país. Se não já os teríamos a esta altura. Esse lapso de tempo indica que há uma certa estabilidade e a situação vai-se normalizar nos próximos dias.

DW África: O exército governamental registou baixas em todos os confrontos com os homens da RENAMO. Só no último confronto, na tomada de Satunjira, o exército registou uma "vitória". Acha que o exército governamental está à altura de responder ou evitar eventuais ataques ao longo do país?

AZ: É um pouco difícil prever isso, pois, caso houvesse ataques, não seriam de unidades maiores regulares, que requereriam, por exemplo, a movimentação de uma unidade das forças de segurança para lidar com essa força. Seriam ataques de tipo terrorista, esporádicos. Em que os atacantes surpreendem, fazem o ataque e desaparecem.

Neste caso, seria extremamente difícil aventar a hipótese de sucesso na resposta das forças. Nesta altura, elas estão mais mobilizadas para as zonas já conhecidas: a zona de Satunjira, Maringué, Gorongosa e Muxungué. Se houver um ataque fora dessas zonas, as forças não estão preparadas e não reagiriam imediatamente. Mas isto seria provavelmente um alerta para as próprias forças se poderem precaver para a eventualidade de ataques noutros pontos. E, assim, desenhar um projeto mais preventivo, de trabalho com as comunidades, com as próprias lideranças da RENAMO em vários pontos do país, para que se evite uma situação de ataques militares, que poderiam propiciar uma reação das Forças de Defesa e Segurança contra esses grupos.

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