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Moçambique

Assaltos a órgãos de comunicação social no centro de Moçambique: Tentativa de silenciar vozes críticas?

Em menos de uma semana, três órgãos de comunicação social na província de Tete, centro de Moçambique, foram alvo de vandalização, por desconhecidos. A polícia recuperou parte do material roubado.

Mosambik Aparicio Nascimento (DW/A. Zacarias)

Aparício Nascimento, diretor do semanário Malacha

Na quinta-feira passada (27.10) a rádio comunitária de Cateme foi vítima de um assalto. Dois dias depois o semanário Malacha seria vandalizado e na madrugada da última segunda-feira  (31.10)  um grupo de cinco homens entraria na Rádio Dom Bosco sem no entanto concretizar o furto.

O semanário ficou sem todo o material informático, dois gravadores digitais, uma câmara fotográfica e o arquivo digital do jornal que remonta a 2011; já na rádio Cateme foram subtraídos material informático, microfones, um recetor profissional, consolas, uma câmara digital e uma motorizada.

Estes três órgãos de comunicação social são conhecidos pela sua imparcialidade na cobertura e abordagem de casos de corrupção e da atual crise político-militar para além de terem noticiado o caso dos refugiados moçambicanos no Malaui, no início do ano, quando as autoridades locais o negavam.

Refugiados moçambicanos em Vanduzi

Refugiados moçambicanos em Vanduzi

Em entrevista à DW África, Aparício Nascimento,  director do semanário Malacha, editado na vila de Moatize, contabiliza os prejuízos. " Perdemos tudo aquilo que tínhamos de arquivos de imagens, vídeos, gravações. Tudo que nós tínhamos de informação desde 2011 perdemos, praticamente temos que recomeçar”, lamenta Aparício.

O semanário Malacha é tido como um dos órgãos de maior influência, ao nível daquela vila. No entender de Aparício Nascimento, os assaltos aos media são uma ameaça à liberdade de imprensa.

Silenciar vozes incómodas

O núcleo provincial do MISA ( Instituto de Comunicação Social da África Austral) Moçambique em Tete diz-se muito preocupado com esta situação.
De acordo com o presidente daquela ONG de defesa da liberdade de imprensa, Egnácio Gamay, estes assaltos exigem da classe jornalística uma reflexão e união. "Se já vandalizam os nossos equipamentos de trabalho, o que se pode esperar amanhã se calhar é que o pior aconteça. Esta é altura de pensarmos onde estamos. Então precisamos de estar unidos”.

Gamay apela à polícia para maior celeridade no esclarecimento destes casos, lembrando que vezes são em que a polícia diz estar a investigar e parece não apresentar resultados. "Então queríamos pedir que a polícia fosse mais célere e eficiente e que trouxesse na verdade as pessoas que estão por detrás deste assunto”.

Polícia recupera parte do material roubado

Mosambik Medien unter Attack (DWA. Zacarias)

Rádio comunitária de Catembe foi vítima de um assalto

Por seu turno a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Tete, garante estar a investigar todos os assaltos. Segundo Lurdes Ferreira, porta-voz da PRM recuperou no último final de semana parte do material roubado na rádio comunitária de Cateme, quando estes estava a ser vendido na cidade de Tete.

"Conseguimos recuperar parte dos bens, mas infelizmente a pessoa responsável pela venda dos bens pôs-se em fuga”.

Para a polícia é prematuro dizer se é o mesmo grupo que assaltou os órgãos de comunicação em alusão. "Estamos a trabalhar no sentido de encontrar estes indivíduos e responsabilizá-los”, afirma Lurdes Ferreira, acrescentando que a PRM está preocupada com este fenómeno.

 Egnacio Gamay, presidente do Núcleo Provincial do MISA

Egnacio Gamay, presidente do Núcleo Provincial do MISA

MISA pede aos jornalistas para não desistirem

Entretanto, o presidente do Núcleo Provincial do MISA Moçambique em Tete, solidariza-se com os órgãos afetados e encoraja-os a não desistirem.

"Se as pessoas fizeram isso com a intenção de quebrar as pernas para nos impedir de andar, acredito que este acontecimento não vai determinar o fim destes órgãos”, observa Gamay, sublinhando que "quando coisas do género acontecem é sinal de que estamos num bom caminho, que estamos a trazer informações credíveis para sociedade. Quero encorajar aos colegas para que sigamos em frente”.

Entretanto, o diretor do semanário Malacha, Aparício Nascimento garante que este assalto não vai mudar nada na forma que o seu jornal aborda os assuntos da atualidade moçambicana. "No dia que voltarmos a publicar, vamos estar no mesmo rítmo que tínhamos, para que as pessoas não percebam que houve uma rotura de padrão”.

Ouvir o áudio 02:28

Assaltos a órgãos de comunicação social no centro de Moçambique: Tentativa de silenciar vozes críticas?

 

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