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Moçambique

Artistas de Cabo Delgado queixam-se: Moçambique não apoia a arte

No norte de Moçambique, os amantes das artes mostram-se preocupados com a falta de apoio ao desenvolvimento de competências e preservação das diferentes manifestações artísticas. A riqueza cultural está em perigo, dizem.

Artistas em Cabo Delgado, designadamente escultores, pintores, oleiros, músicos e produtores de cestaria tradicional, estão descontentes com a política de apoio por parte das autoridades que consideram práticamente inexistente em Moçambique. Os amantes das artes, contactados pela DW África, dizem haver - entre outros problemas - uma grande falta de transparência no processo de implantação de estabelecimentos de ensino profissional e de preservação da cultura.

Estado reconhece riqueza cultural, mas não a apoia

Kunst aus Mosambik

Reinata Sadimba, escultora, produz arte makonde, mas vive em Maputo, onde as possibilidades de comercialização e exposição são maiores

Apesar do reconhecimento do vasto mosaico cultural, dos diferentes grupos étnicos de Cabo Delgado, a preservação do património cultural está aquém das espetativas dos artistas.

Vítor Raposo, agente cultural em Cabo Delgado, propõe ações concretas para a preservação da riqueza cultural e e uso sustentável do património cultural de Cabo Delgado: "O estado deveria apostar em escolas profissionais que promovam e desenvolvam, por exemplo, a arte makonde. Poderia muito bem ser montada uma escola de arte no planalto dos Makondes. Não só a matéria prima como também uma grande parte dos artistas estão lá. Eles até têm algumas associações que poderiam cooperar com as instâncias nacionais e regionais."

Arte makonde precisa de ser ensinada

A preservação e valorização do património cultural são ações essenciais para a memória de um lugar e de uma comunidade explica Vítor Raposo: "Vejamos o caso da escultura makonde que é uma património muito valioso e que é praticada por muitos artistas aqui em Cabo Delgado: infelizmente está cada vez mais repetitiva e isso deve-se essencialmente à falta de formação. Precisamos mesmo de uma escola de artes visuais para resgatar aquilo que está em perigo de ser perder."

Hafen in Pemba Mosambik

Pemba, capital da província de Cabo Delgado: aqui confluem muitas culturas e etnias.

O escultor Jonas Mponda afirma que urge a implementação de políticas e ações concretas tendentes a preservação das artes e da identidade cultural do povo de Cabo Delgado: "Seria necessário haver aqui em Cabo Delgado, pelo menos um museu, como aquele que existe em Nampula." Para além da falta de escolas de formação e orientação sobre técnicas profissionais, de acordo com Jonas Mponda, faltam também palcos para a exibição de danças e músicas tradicionais.

Meios escassos não chegam para muito

Traditioneller Tanz Tufo

A dança do tufo é uma dança tradicional do norte de Moçambique

Para o chefe do departamento da cultura na direção provincial de educação e cultura de Cabo Delgado, Marcelino Dingano, o apoio à cultura sabe a pouco, mas os meios são escassos e não é fácil delinear as prioridades, nomeadamente no que diz respeito às infraestruturas culturais: "Para garantir o funcionamento dessas infraestruturas uma das coisas necessárias é a existência de material. Mas o material e os meios que existem aqui são escassos para poder pôr a funcionar essas escolas e outras infraestruturas." Marcelino Dingano afirma que Cabo Delgado "necessitaria de uma casa regional da Cultura. A partir daí poderiam derivar outras atividades."

Ouvir o áudio 03:25

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