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Angola

Apoios internacionais à desminagem em Angola em queda

A redução da ajuda internacional tem reflexo no terreno. A Halo Trust teve um corte de pessoal de mais de metade. Apesar das dificuldades o resultado do trabalho é considerado positivo.

Minenräumung in Angola (Cecile de Comarmond/AFP/Getty Images)

Desminagem em Angola (2011)

Segundo dados divulgados pela Halo Trust, Mines Advisory Group e Ajuda Popular da Noruega, Organizações Não-Governamentais (ONG) que trabalham na desminagem em Angola, o financiamento internacional registou uma queda de 89% entre 2008 e 2015.

A informação é divulgada quando se assinalam 20 anos da visita da princesa Diana de Gales a Huambo (15.01.1997), que deu uma grande visibilidade ao problema.

Halo Trust reduz equipas em mais de metade

Em declarações à DW, José Pedro Agostinho, gestor adjunto de programa da Halo Trust em Angola, estima que as perdas de apoios internacionais à organização onde trabalha rondaram "aproximadamente 60 a 70 por cento” até ao ano passado. A situação teve consequências no trabalho desenvolvido pela ONG no terreno.

"Perdemos de tal maneira fundos e apoios que reduzimos a capacidade operacional de 1100 trabalhadores para 300. Operávamos em quatro províncias e tivemos de reduzir para duas províncias”, nota.

Angola - Kriegsfolgen (picture-alliance/ZB)

Crianças vítimas de minas em Angola (2006)

Os desafios diários, como as dificuldades logísticas ou os trabalhos em zonas mais retomas, são considerados menores quando comparados com a falta de financiamento. "O problema principal é mesmo a falta de financiamento sem o qual não conseguimos manter o pessoal e isso resulta em perda de pessoal constante. Temos de estar a empregar e desempregar com frequência”, explica.

Crise na Europa

Foi em 2008 que se começou a sentir uma redução do apoio internacional, com três fatores a serem apontados. "Primeiro, havia uma crise na Europa; segundo que Angola devia financiar a sua própria desminagem; e terceiro Angola tem recursos suficientes e não precisa de ajuda financeira para tal. Mas na verdade isso não condiz com o que realmente acontece no terreno”, observa José Pedro Agostinho.

Atualmente apenas os Estados Unidos, o Japão e a Suíça estão a fazer donativos para estas operações. Estima-se que entre 2017 e 2025 sejam necessários entre 246 a 275 milhões de dólares americanos em financiamento para a conclusão da desminagem em Angola.

Washington anunciou que vai doar quatro milhões de dólares para o programa angolano de desminagem.

Os bons resultados da desminagem  

Minenräumung in Mosambik (picture-alliance/dpa)

Desminagem em Moçambique (13.03.2000)

As minas continuam a afetar a vida da população e acidentes continuam a acontecer "com certa frequência”, nota José Pedro Agostinho. Porém os números não são claros: "os dados também não são muito precisos porque alguns dos acidentes não chegam aos ouvidos das autoridades ou ao sistema de saúde”.

Luanda tem compromissos internacionais para acabar com as minas no país até 2025. Nesta altura, decorre um reconhecimento de quantos campos de minas ainda existem. O trabalho deve estar concluído em julho próximo.

 A última informação disponível é de Outubro de 2016, quando se estimava existirem no país ainda 1435 campos de minas.

Para José Pedro Agostinho, na Halo Trust desde 1995, "a desminagem tem sido um fator primordial no desenvolvimento de Angola”.

"O trabalho de desminagem possibilita que várias outras atividades económicas e socioeconómicas possam ser desenvolvidas, desde a agricultura, ao comércio, à construção de habitações, à educação e à saúde”, conclui.

Ouvir o áudio 03:02

Apoios internacionais à desminagem em Angola em queda

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