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Moçambique

Aplicativo para telemóveis ajuda a combater a malária em Moçambique

O aplicativo produzido pela ONG Malaria Consortium está sendo testado por agentes de saúde comunitários em seis distritos da província de Inhambane, para ajudar na prevenção e tratamento da malária, pneumonia e diarréia.

Um aplicativo para telemóveis está sendo testado como uma nova ferramenta para a prevenção e tratamento da malária em Moçambique. A malária mata cerca de 660 mil pessoas por ano. Cerca de 80% destas mortes são crianças com menos 5 anos de idade, a maioria na África subsaariana.

O aplicativo Commcare está a ser utilizado em seis distritos da província de Inhambane, no âmbito do programa inScale, da organização não-governamental (ONG) Malaria Consortium, com sede no Reino Unido.

Desenvolvido para ser utilizado pelos Agentes Polivalentes Elementares (APEs), que atendem cerca de 60% da população de Moçambique, o aplicativo busca fortalecer a motivação destes agentes e fornecer ferramentas para um melhor diagnóstico da malária, diarréia e pneumonia.

Aplicativo possibilita estatísticas em tempo real

Karin Källander, coordenadora do programa inScale, e pesquisadora seniôr da Malaria Consortium explica que o aplicativo envia informações atualizadas para um banco de dados, viabilizando um acompanhamento em tempo real por autoridades da saúde pública.

Outros objetivos no uso do aplicativo são também apontados: “O Coomcare foi projetado para lidar com a forma como os agentes são vistos pelos membros da comunidade. Também fornece apoio com habilidades técnicas, facilitando conexões entre os agentes e seus supervisores, e também ajudando nos diagnósticos das crianças doentes.”

Segundo a coordenadora do programa em Moçambique, Ana Cristina Castel-Branco, a proposta do aplicativo surgiu a partir de pesquisas, iniciadas em 2009 com o financiamento da Fundação Bill and Melinda Gattes, que apontavam grande desmotivação por parte dos agentes de saúde e um elevado número de abandono do cargo.

Handy-App gegen Malaria EINSCHRÄNKUNG

Jerminda Fernando e sua neta Caira, de 5 anos de idade, que apresentava febre e foi diagnosticada com malária, pelo aplicativo Commcare

Resultados preliminares mostram diagnósticos mais precisos

Embora o projeto esteja previsto para ser concluído em 2016, resultados já podem ser observados ao se comparar os distritos que continuam usando para o diagnóstico das doenças formulários em papel e aqueles que usam o aplicativo: “Com o aplicativo, dificilmente o APE pode errar em um diagnóstico. E as pessoas sentem segurança no trabalho que o APE está a fazer de facto”.

Para os agentes de saúde, o Coomcare tem ajudado no cotidiano do trabalho, ao facilitar o contato com os supervisores e diagnóstico, como relata Fernando Muguambe, agente na localidade de Chirewé, no distrito de Inharrime: “Tem algumas vantagens. Suponhamos que uma criança tenha febre, então o Commcare diz qual é a dosagem que a criança deve receber. Se for o caso da criança apontar algum sinal de perigo, ele diz tudo que precisa fazer”.

Atraso nos pagamentos dos agentes de saúde

Apesar dos benefícios trazidos pelo aplicativo, outro fator tem levado à desmotivação e desistência por parte dos agentes comunitários de saúde.

Ouvir o áudio 03:44

Aplicativo para telemóveis ajuda a combater a malária em Moçambique

O trabalho dos APEs é dificultado com os atrasos no pagamento do subsídio mensal de 1200 meticais, aproximadamente 40 dólares, que deveria ser pago pelo governo a cada três meses. Segundo os agentes, já faz cinco meses que o subsídio está atrasado.

Halima Ndala, APE na localidade de Dongando, relata sobre as dificuldades que enfrenta: “Nós que somos APEs temos pouco tempo para ficar em casa. Pelo menos com o subsídio a pessoa sabe que vai poder comprar um sal e guardar em casa. Eu, para promover a saúde, tenho que ter pelo menos alguma coisa em casa”.

Medicamentos em falta

Outra dificuldade é a falta de testes para malária e medicamentos antimaláricos. Segundo os agentes, os medicamentos estão em falta desde dezembro de 2013, o que faz com que o tratamento recomendando pelo aplicativo não possa ser seguido. “Nós conhecemos nosso trabalho, fazemos educação, fazemos sensibilização para ver se pode reduzir a doença da malária. Mas sempre tem que existir o medicamento”, ressalta Fernando.

Enquanto que medicamentos com base na artemisinina, principal substância utilizada para combater a malária, estão em falta. Em caso de emergência, os agentes recorrem ao paracetamol para reduzir os sintomas e enviam para as unidades de saúde mais próxima que, em alguns casos, ficam a muitos quilômetros das localidades. Distâncias percorridas muitas vezes caminhando.

A falta de antimalárico dificulta ainda mais o tratamento das crianças, que são as principais vítimas da doença: “Se for um adulto podemos fazer alguma coisa. Mas se faço uma visita domiciliar e apanho uma criança com malária, para resolver é um problema”, lamenta Halima.

O objetivo do programa inScale é que todos os APEs possam, no futuro, fazer uso do aplicativo Commcare. Atualmente, o projeto já tem extensão garantida para o norte de Moçambique. Segundo Ana Cristina Castel-Branco, a data de início das atividades no norte ainda não está definida, mas a Malaria Consortium já está em processo de fechamento do contrato com organizações financiadoras.

Agente Polivalente Elementar APE arbeitet in Mosambik

Fernando Muguambe, agente comunitário de saúde, atende crianças no distrito de Inharrime

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