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Internacional

Apesar de ilegal pesca com dinamite é prática comum na Tanzânia

No ano passado registaram-se, num período de 30 dias, 300 explosões ao largo da Tanzânia. Apesar de ilegal, a prática repete-se. Autoridades estão alerta, tentando proteger os recifes de coral, fortemente ameaçados.

Tansania Daressalam Fischer (Julia Amberger)

Pescadores tanzanianos

Os recifes de coral ao largo da Tanzânia são um destino de férias paradisíaco, mas continuam a ser ameaçados por uma técnica de pesca praticamente extinta na África Oriental, mas que continua a acontecer na Tanzânia: a pesca com explosivos.

Para os pescadores, o uso desta técnica tem um objetivo simples: matar um maior número de peixes em muito menos tempo – neste caso, segundos -, do que o que se consegue utilizando os métodos da pesca tradicional. Todos os dias, dezenas de cargas de dinamite atingem os recifes ao largo da Tanzânia, destruindo habitats naturais e ameaçando várias espécies.

"Não compensa pescar com os métodos tradicionais”

Na costa da Tanzânia – a sul de Dar-es-Salam – uma fila de 50 casas de pedra surge entre uma floresta de palmeiras. Foi aqui que Omari Mussa, que foi pescador durante muitos anos, cresceu. Omari Mussa tem apenas um dedo na mão esquerda. Perdeu os restantes num acidente, enquanto pescava com dinamite pois lançou a bomba ao mar tarde demais.

DW Eco Afrika - Tansania (eco@africa)

Um engenho explosivo lançado contra um recife de coral pode matar até cem peixes

Em entrevista à DW África, o ex-pescador, que ganha agora a vida como cozinheiro, afirma que, apesar desta ser uma prática perigosa, "não compensa pescar com os métodos tradicionais”.

Um engenho explosivo lançado contra um recife de coral pode matar até cem peixes. A onda de choque da explosão rebenta a bolsa de ar de qualquer ser vivo num raio de 5 a 20 metros, dependendo da quantidade de explosivos utilizada. Os animais vão ao fundo e os pescadores recolhem os maiores.

Numa fração de segundo, a dinamite transforma um recife colorido, cheio de vida, num deserto subaquático, razão pela qual esta prática foi proibida no país.

Quando Omari Mussa percebeu que consequências tinha a pesca com explosivos no meio ambiente decidiu abandonar a profissão. Hoje protege os animais e os recifes na sua cidade natal. "Deixei de pescar com dinamite quando soube que isso prejudica o mar e que tem consequências para a natureza como um todo. E tive um acidente enquanto pescava. Isso fortaleceu a minha determinação”, conta.

Todos os dias, em nome da World Wide Fund For Nature (WWF), Omari Mussa regista o número de peixes capturados pelos pescadores locais e a forma como estes foram capturados.

Tansania Daressalam Fischer (Michael Markovina)

Mercado de peixe em Dar-es-Salam (Tanzânia)

Pena é "leve"

A Tanzânia não é apenas um dos destinos turísticos mais populares de África. Quer também tornar-se o líder africano da indústria mineira. Por isso, muita dinamite circula no mercado negro, o que faz com que, cada vez mais, os explosivos cheguem às mãos dos pescadores.

Marcel Kroese é um dos especialistas do programa "Smart Fish”, financiado pela ONU, que apoia a pesca sustentável, defendendo também a punição para quem recorre à pesca com explosivos. Segundo o responsável, "a pesca com dinamite costumava ser usada também no Quénia e o país implementou uma legislação anti-terrorismo que prevê penas para quem compra dinamite. Infelizmente, a Tanzânia ainda não seguiu este caminho, embora estejam a pensar nisso agora.”

O comércio ilegal de explosivos é, em vários países, punido com penas de prisão que chegam aos 30 anos, no entanto, na Tanzânia, a lei das minas – que controla o comércio de explosivos e data de 1963 – prevê uma multa de apenas 2 euros e meio, que é o preço de um cartucho de dinamite. A lei está agora a ser revista.

10 explosões por hora em Dar-es-Salam

Ouvir o áudio 03:22

Pesca com dinamite é prática comum na Tanzânia

No ano passado, um investigador registou, na Tanzânia, mais de 300 explosões no mar num período de 30 dias. Na zona de Dar-es-Salam, o número subia para até 10 explosões por hora.

Marcel Kroese alerta para o facto das consequências serem visíveis a longo prazo. "Tem um impacto a longo termo no ambiente marinho que tem um impacto direto em quem vive nas zonas costeiras. Isto pode levar as pessoas a cometer outros crimes, porque os recursos não suportam mais a pressão da pesca”, explica.

Em junho de 2015, o Governo da Tanzânia implementou uma força de intervenção que envolve várias agências no combate aos crimes ambientais. Funcionários dos ministérios das minas, pescas e justiça uniram-se para resolver o problema com o apoio do exército e da polícia.

Numa das missões ao largo da costa da Tanzânia está o polícia Chrispin Kilulu. À DW África, o polícia conta que "(os pescadores) têm sempre um fato de mergulhador com eles. Usam barbatanas e, quando mergulham a grande profundidade, um regulador para respirar”. Hoje, nenhum pescador foi detido.

Não se sabe exatamente quantas pessoas morreram já nestas águas enquanto pescavam com dinamite.

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