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Guiné-Bissau

Após a independência, como vivem os ex-combatentes da Guiné-Bissau?

40 anos depois da declaração unilateral da independência da Guiné-Bissau, a maioria dos antigos combatentes está decepcionada com o estado do país, mas orgulhosa por o ter libertado da colonização portuguesa.

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Reunião dos ex-combatentes na sede do PAIGC em Bissau

Há 40 anos, a Guiné-Bissau proclamou unilateralmente a sua independência nas matas de Madina de Boé, na zona sul do país. Desde então, o país, totalmente independente e administrado pelos guineenses, atravessou muitas metamorfoses políticas que lhe proporciou grandes e graves contratempos na consolidação da democracia, estabilidade política e desenvolvimento socioeconómico.

Isto tem condicionado a actuação do executivo em relação a diversos elementos da sociedade, incluindo os ex-guerrilheiros que lutaram para que o país se tornasse livre e independente.

Para trás, ficou uma luta armada que viu crescer toda uma geração - de guineenses e cabo-verdianos - marcada pela agitação dessa época. Pessoas que atualmente, para além do maior de todos os sonhos - o da independência - não vêem concretizados os ideais de Amílcar Cabral.

Guineische Veteranen in Portugal

Francisca Pereira tornou-se num símbolo da luta pela indepedência nacional

Falam de uma "decepção total", relata Francisca Pereira, destacada dirigente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e uma das referências da luta pela independência.

"Depois da independência, houve altos e baixos devido à incompreensão política que sempre gera sucessivos golpes de Estado e assassinatos". Francisca afirma que tudo aconteceu porque deixaram de se inspirar no lema "unidade de luta".

A busca pela ordem

Após a independência, o país viveu vários anos sem eleições, com um sistema de partido único e assistiu a uma sucessão de golpes de Estado. Tudo isso fez com que o povo guineense acabasse por enfrentar, no seu seio graves desentendimentos políticos que só trouxeram desordem, pouco desenvolvimento e mais pobreza, opinam vários analistas. De tal forma que muitos guineenses passaram a manifestar saudades do tempo em que os portugueses governavam o país.

Guineische Veteranen in Portugal

Augusto Pedro da Graça afirma que os jovens que hoje governam o país esqueceram e abandonaram quem lutou pela Guiné-Bissau

Aos 74 anos de idade, Francisca Pereira conta que partiu para a guerra de libertação nacional como enfermeira e, depois, assumiu a diplomacia do país nas negociações da independência com a comunidade internacional, principalmente a Organização das Nações Unidas (ONU). Diz que, apesar das crises que o país enfrenta, sente-se orgulhosa da liberdade que conquistou com suor e sangue.

"Devia-se disponibilizar meios para dignificar os combatentes que perderam a vida para libertar este país," enfatiza e relembra que "outros ficaram paralizados durante a guerra colonial e hoje estão sem nenhum apoio por parte do Estado".

A falta de reconhecimento dos heróis

Em jeito do reconhecimento aos antigos combatentes da liberdade da pátria, que maioritariamente vivem na miséria, o Estado guineense construiu com a ajuda da China, um bairro residencial em Bissau com 11 edifícios de dois pisos cada, totalizando132 apartamentos.

Ouvir o áudio 03:59

Após a independência, como vivem os ex-combatentes da Guiné-Bissau?

Augusto Pedro da Graça, com 72 anos de idade e que esteve preso durante 11 anos no campo do Tarrafal em Cabo Verde, lamenta o facto de serem abandonados e esquecidos pelos jovens que hoje comandam os destinos da Guiné Bissau. "Só temos a lamentar não sermos reconhecidos pelo Estado," afirma. Nunca pensaram os combatentes viver "esta situação de abandono total".

Augusto Pedro conta que tem oito filhos e ganha cerca de 23 euros por mês. "Acho que a única coisa que o Estado fez de bem para nós, foi a construção da residência para os antigos combatentes".

A maioria dos antigos combatentes está decepcionada com a Guiné-Bissau actual, mas orgulha-se de ter lutado durante anos, sob a liderança de Amílcar Cabral que não assistiu ao acto que mais ansiava: a Independência da Guiné-Bissau. Para o ex-combatente Augusto Pedro da Graça, se Cabral não tivesse sido assassinado, o destino político da Guiné-Bissau teria seguramente seguido outro rumo com menos instabilidade, porque ele representava, pelo menos aparentemente, a unidade do PAIGC na luta pelo ideal nacionalista do povo guineense.

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