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Moçambique

Ano novo, crise antiga em Moçambique: o que fará Filipe Nyusi?

Para os moçambicanos não é só um novo ano que começa, mas também um novo Governo e as suas incógnitas, considera analista. Do velho ano transita o fantasma dos confrontos entre Governo da FRELIMO e a RENAMO.

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Vista parcial de Maputo, capital de Moçambique

A fase das eleições parece ter sido apenas um interregno e agora a tensão entre as partes aumentou, com as manifestações e discursos da RENAMO e do lado da FRELIMO há também ações intimidatórias. Ouvimos o politólogo moçambicano Adelson Rafael sobre a situação.

DW África: Que cenários se podem desenhar para o país nos próximos tempos?

Adelson Rafael (AR): A primeira consequência é que vamos ter um país que, muito por conta do período que passou vamos ter que estender para a crise, algo que pode ser de certa maneira mau pelos impactos que possa causar na economia, bem como criar possibilidades de termos novamente tensões políticas. Porque não podemos esquecer que os homens da RENAMO continuam ainda na posse de armamento que não é do conhecimento das autoridades. O mais provável, embora não seja o desejado, é que qualquer crispação que possa ocorrer em função das movimentações das Forças Armadas de Defesa e Segurança, que por lei têm o direito de efetuar essa tarefa, pode resultar numa nova tensão política. E essa tensão pode alastrar-se a uma área urbana por conta da intolerância política que se tem verificado nos últimos tempos, principalmente nos dois partidos políticos, a FRELIMO e a RENAMO

DW África: Pode-se dizer então que o acordo de cessação das hostilidades não foi conduzido da melhor maneira, uma vez que os homens da RENAMO continuam armados?

AR: Sim. O acordo de cessação das hostilidades assinado a cinco de setembro de 2014 não foi conduzido da melhor maneira. Houve por parte de um dos lados, a inflexibilidade em tentar conter o outro. Conhece-se a postura de agir da RENAMO, mas também não houve essa sensibilidade após a eleição por parte do governo da FRELIMO. E é isso que tem causado todo esse imbróglio à volta do que está a acontecer atualmente.

DW África: O novo Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, toma posse provavelmente no dia 15 de janeiro. Acha que o governo da FRELIMO vai continuar a gerir a crise como fez até agora ou iremos assistir a alguma mudança face a entrada de Nyusi?

Ouvir o áudio 04:19

Ano novo, crise antiga em Moçambique: o que fará Filipe Nyusi?

AR: Tanto a nível da campanha bem como o seu primeiro discurso após a validação dos resultados denota-se uma abertura por parte do novo Presidente. Não podemos esquecer que a sua maneira de tratar a questão é completamente diferenciada e houve sempre coerência no discurso de Nyusi enquanto ministro da Defesa e também enquanto candidato. Julgo que aqui pode ser encontrado um espaço para se atenuar a crise e pode haver maior abertura. Mas aqui ele também estará muito condicionado pela política da FRELIMO. Porque, por mais abertura que haja por parte do novo Presidente da República enquanto não houver abertura por parte da Comissão Política, que continua a ser a mesma, haverá pouco espaço de manobra sobre esta questão.

DW África : Filipe Nyusi é uma figura próxima de Alberto Chipande, destacada figura da FRELIMO e também dos antigos combatentes. Pode ser que esta aproximação resulte num recrudescimento da tensão em Moçambique?

AR: De maneira alguma. Julgo que esse não é o problema. Apesar da influência que Chipande tem a nível do partido FRELIMO, e ele sempre teve um tratamento muito duro para com a oposição especialmente para com a RENAMO, acho que Nyusi assumiu um discurso muito conciliador. Se ele não seguir esse discurso será o descalabro total porque ele cairá em descrédito. Há essa necessidade de, primeiro, ter a aceitação popular e só depois poder tomar atitudes ou decisões mais radicais. Pelo menos por parte de Nyusi nos próximos doze meses não vejo o Presidente a tomar atitudes muito radicais em relação à esta questão.

Bildergalerie Wahlkampf 2014 Mosambik

Cartaz na sede da FRELIMO na Ilha de Moçambique durante a campanha da eleições gerais de 2014

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