Angola vê ″sinais positivos″ para fim da crise na RDC | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 24.04.2018
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Internacional

Angola vê "sinais positivos" para fim da crise na RDC

O Presidente João Lourenço, que lidera órgão de concertação política, defesa e segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, acredita num desfecho satisfatório da crise na República Democrática do Congo.

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João Lourenço: "Continuamos, contudo, preocupados com a situação no leste da RDC"

Para o chefe de Estado angolano, há "mais motivos para acreditar" que a situação na República Democrática do Congo (RDC) "caminha para um desfecho satisfatório", nomeadamente a marcação, para 23 de dezembro próximo, das eleições presidenciais no país e a realização do registo eleitoral.

A posição foi assumida por João Lourenço no discurso de abertura da cimeira de chefes de Estado e de Governo da "Dupla Troika" da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que junta esta terça-feira (24.04), em Luanda, os Presidentes da República da África do Sul, Namíbia, Zâmbia, RDC, o vice-Presidente da Tanzânia e o primeiro-ministro do Lesoto.

"São sinais que podem contribuir significativamente para o necessário e urgente desanuviamento das tensões internas na RDC e para o reforço da confiança mútua entre o Governo, a oposição e a sociedade civil", afirmou João Lourenço.

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"Em função desta nova atmosfera", acrescentou o chefe de Estado angolano, é necessário "apelar a todos os intervenientes diretos no processo de regularização do conflito na RDC que façam prova de sabedoria, de patriotismo e de máxima contenção nos momentos mais críticos", olhando "em primeiro lugar para os interesses nacionais, para que consigam superar as diferenças e construam espaços de convergência que privilegiem a paz, a segurança, a estabilidade e a reconciliação nacional".

Violência preocupante

Ainda assim, o chefe de Estado angolano não esconde a preocupação com a violência em algumas regiões do país vizinho, nomeadamente no leste, cujos conflitos chegaram a levar à fuga de 30.000 refugiados congoleses, em 2017, para Angola.

"Continuamos, contudo, preocupados com a situação reinante no leste da RDC, onde grupos rebeldes, com destaque para a Aliança das Forças Democráticas (AFDL), continuam a ceifar vidas de pacíficos cidadãos, entre elas mulheres e crianças, inviabilizando o desenvolvimento económico e social do país", enfatizou na abertura da cimeira, convocada para analisar, entre outros assuntos, a situação naquele país da África Austral.

Na origem da instabilidade interna na RDC está a permanência no poder de Joseph Kabila, Presidente da República desde 2001, com contínuas manifestações da oposição e da comunidade católica, reprimidas pelas forças de segurança.

O país conta igualmente com a Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), a maior força da ONU no mundo, com mandado até março do próximo ano e 16.000 militares, que deverão apoiar o processo eleitoral, nomeadamente no recenseamento dos eleitores, a própria votação e a transição do poder, esperado, segundo o calendário oficial, para 12 de janeiro de 2019.

Kabila manter-se-á no poder pelo menos até janeiro de 2019, mais de dois anos depois de ter terminado o seu segundo mandato, em dezembro de 2016. Segundo a Constituição da RDC, o Presidente da República só pode exercer as funções durante dois mandatos.

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