Angola: Fim do oligopólio no setor das telecomunicações à vista | Angola | DW | 02.01.2018
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Angola

Angola: Fim do oligopólio no setor das telecomunicações à vista

Angola já iniciou processo de seleção de nova empresa no setor de telecomunicações. O processo deve durar até final de fevereiro. Em breve o país terá um quarto operador, o que pode por fim ao oligopólio no mercado.

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Um balcão da Unitel em Luanda, Angola

Sobre esta mudança à vista no setor das telecomunicações e as suas consequências, a DW África entrevistou o economista e investigador do Centro de Estudos da Universidade Católica de Angola, Francisco Miguel Paulo.

DW África: A entrada de um quarto operador no setor de telecomunicações angolano vai aumentar a competitividade e pôr fim ao monopólio de Isabel dos Santos?

Francisco Paulo (FP): Nós como economistas estamos à espera há muito tempo. O setor das telecomunicações, em especial a telefonia móvel deveria ter mais operadores. Só tínhamos poucos operadores: a Unitel e a Movicel, que tinha quase o oligopólio. A entrada de uma outra operadora vai, de facto, aumentar a concorrência. E esperamos que essa concorrência faça com que haja diminuição nos preços que são praticados, porque os preços das telecomunicações em Angola são muito elevados, tanto na telefonia móvel como para internet. Só para dar um exemplo, eu em média gasto cerca de 40 dólares por mês só com o telemóvel e internet no telemóvel. É muito caro se comparado com os países da região. Então, vai, sim, aumentar a concorrência e esperamos que isso por sua vez aumente a qualidade e diminua os preços.

Angola Forscher und Professor Francisco Miguel Paulo in Lobito (DW/Nelson Sul D'Angola)

Francisco Miguel Paulo

DW África: E a redução deve acontecer ainda este ano?

FP: Em parte vai depender [de alguns fatores]. O setor das telecomunicações é muito intensivo em capital, [investimento] nas antenas e outras infraestruturas. Acho que se deve permitir a partilha dessas infraestruturas, as operadores existentes que têm essas infraestruturas devem partilhá-las com outras operadoras. A entidade reguladora deve permitir que haja partilha das infraestruturas e isso fará com que a nova operadora não tenha tantos custos no que diz respeito a implementação de infraestrurturas a nível nacional. Se houver partilha de recursos, de infraestrutura, isso sim, vai diminuir os preços. Agora, se não houver, se a própria operadora tiver de construir a sua infraestrutura é óbvio que terá muitos problemas em ter preços mais competitivos.

DW África: Em termos de qualidade no serviço, acha que este novo Governo vai, de facto, atuar para garantir melhorias para o consumidor?

FP: Deve fazer isso. Penso que esta é a vontade política do novo Governo, porque quando as telecomunicações não são de boa qualidade atrasa o desenvolvimento económico. Experiências empíricas mostram que a intensificação e a qualidade das telecomunicações num determinado país contribuem para o crescimento económico, porque vai fomentar as transações económicas entre as pessoas. Então, é mesmo necessário e o Governo está ciente disso, felizmente.

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Angola: Fim do oligopólio no setor das telecomunicações à vista

DW África: Mesmo no contexto de crise, Angola é um mercado atraente para empresas estrangeiras?

FP: É muito, é um mercado atrativo. Não se esqueça que Angola importa entre 60% a 70% de bens de consumo, não só os bens tangíveis como também os serviços. Se olhar para a balança de pagamentos, o país gasta cerca de oito mil milhões de dólares para a importação de serviços. Então, as empresas estrangeiras que vêm investir em Angola têm mercado garantido, somos 28 milhões de habitantes. E também com a perspetiva de Angola aderir a Zona de Comércio Livre da SADC [há chances] e tem o mercado da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) ao redor, cerca de 280 milhões de habitantes, então, há, de facto, potencial. As economias vivem de crises, as crises são passageiras, estamos em crise neste momento e daqui mais alguns anos isso vai passar e vamos voltar ao período normal. E os investidores sabem disso e nas crises nós sempre podemos aproveitar as oportunidades para fazer mais negócios.

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