Angola é o país lusófono com pior cobertura de serviços básicos de saúde | Angola | DW | 14.12.2017
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Angola

Angola é o país lusófono com pior cobertura de serviços básicos de saúde

Angola é o país lusófono com pior cobertura de serviços básicos de saúde, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Banco Mundial (BM) divulgado na quarta-feira,13 de dezembro, em Nova Iorque, EUA.

De entre as nações lusófonas, seguem-se a Guiné-Bissau, com 39, Moçambique 42, Timor-Leste 47, São Tomé e Príncipe 54, Cabo Verde 62 e Brasil 77 por cento.

Portugal é o país lusófono com melhor resultado, tendo mais de 80 por cento da sua população coberta, mas o relatório não especifica a percentagem de acesso acima dos 80 por cento, escreve a Agência Lusa.

O relatório, intitulado 'Tracking Universal Health Coverage: 2017 Global Monitoring Report', aponta que pelo menos metade da população mundial não tem acesso a cuidados essenciais de saúde.

120 países analisados 

O documento que avalia indicadores na área da saúde em mais de 120 países, refere que mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo, o correspondente a 12 por cento da população mundial, gastam menos de 10 por cento do seu orçamento familiar em cuidados de saúde.

Portugal é o país onde as pessoas gastam mais  em cuidados de saúde, 18 por cento. Seguidamente, aparece  Angola (12 por cento), São Tomé e Príncipe (10 por cento), Timor-Leste (3,0 por cento), Cabo Verde (pouco mais de 2,0 por cento) e Moçambique (cerca de 1,0 por cento). O relatório não apresenta valores para a Guiné-Bissau.

 Ainda sobre os países  lusófonos, o Brasil é onde uma maior percentagem de pessoas gasta 10 por cento, ou mais, dos seus rendimentos em gastos de saúde. Segundo o relatório, cerca de 26 por cento dos brasileiros cabem nesta categoria.

Saúde pública esquecida pelos Governos

Angola Hospital Geral de Luanda (DW/C. Vieira)

Hospital Geral de Luanda - Angola

 Apesar de se ter registado um progresso de 3,0 por cento no cumprimento da meta de acesso a cuidados de saúde, os dados do relatório indicam que pelo menos 180 milhões de pessoas gastam um quarto do seu orçamento nesta área e que este grupo está a crescer a um ritmo de 5,0 por cento  ao ano.

O diretor de Saúde e Nutrição do Banco Mundial, Timothy G. Evans, conforme cita a Lusa, assinalou que o crescimento se deve ao fato de "os Governos não conferirem prioridade à saúde pública e de as pessoas terem cada vez mais altas expetativas de como deve estar a sua saúde", levando-as a pagar "porque não obtêm uma cobertura pública suficiente".

Por seu lado, a diretora-geral adjunta do departamento de Cobertura Sanitária Universal da OMS, Naoko Yamamoto, realçou o surgimento de entidades privadas de assistência médica para suprir as necessidades que "deveriam ser cobertas pelos serviços públicos".

Yamammoto disse que China e a Índia, com grande densidade populacional, foram os países onde este fenómeno se registou mais acentuadamente no ano passado.

Desigualdade entre as regiões

O relatório aponta a América Latina como a região no mundo que apresenta a menor percentagem de pessoas que gastam pelo menos 10 por cento do orçamento familiar em assistência na área da saúde, registo que representa 14,8  por cento da população mundial, cerca de 88 milhões de pessoas.

Angola Slum Kinanga in Luanda (DW/N. Sul d'Angola)

Bairro da Kinanga - arredores de Luanda

Quase 100 milhões de pessoas caem na extrema pobreza (viver com menos de 1,7 euros por dia), porque têm de pagar pelos cuidados de saúde, e outros 122 milhões caem abaixo da linha da pobreza (2,5 euros diários) por causa dos gastos na saúde.

 Ainda sobre o que as famílias despendem com a saúde, 6,3 milhões de pessoas caíram na pobreza nos países de fracos recursos, muito embora a percentagem revele uma descida nos últimos anos.

Nos países pobres, apenas 17 por cento das mães e filhos recebem assistência médica básica, enquanto a percentagem aumenta para 74 por cento nas nações ricas.

 O documento da OMS e do BM destaca que mil milhões de pessoas não recebem tratamento para a hipertensão, mais de 200 milhões de mulheres não têm acesso ao planeamento familiar e cerca de 200 milhões de crianças não recebem todas as vacinas de que necessitariam.

 

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