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Angola

Ameaças de morte contra jornalista em Angola

Em Angola, o jornalista e editor do semanário ''A Capital'', Mariano Brás, diz estar a ser ameaçado de morte por causa da publicação de artigos sobre a maior fraude ocorrida no Banco Nacional de Angola.

O jornalista suspeita que as ameaças estão a ser proferidas por dois dos 17 réus que, neste momento, se encontram a monte. O Sindicato dos Jornalistas Angolanos exigiu que as autoridades levem a tribunal os autores dessas ameaças e pediu ainda proteção para o jornalista.

Mariano Brás, editor da rubrica "criminalidade" do semanário angolano "A Capital", com sede em Luanda, diz estar a sofrer ameaças de morte por parte de dois arguidos implicados no célebre ''caso BNA'', devido às revelações que tem vindo a publicar sobre o tema.

De acordo com o jornalista, as ameaças foram feitas por telefone e envio de recados, depois de publicar, em primeira mão, a decisão do Tribunal Supremo (TS) angolano de deter 27 presumíveis membros de uma rede acusada de desfalcar o Banco Nacional de Angola e que se encontravam em liberdade provisória. A fraude lesou o banco em mais de 136 milhões de dólares norte-americanos. Depois da publicação da reportagem, dez dos acusados voltaram a ser presos.

Mariano Brás

Jornalista Mariano Brás

Ameaças por telefone

Mariano Brás identificou os indivíduos que proferiram as ameaças como fazendo parte dos 17 réus que ainda se encontram em liberdade e que são, agora, considerados foragidos: "Um dos arguidos disse que eu estava a persegui-los e, em função disso, não se responsabilizariam por aquilo que me pudesse acontecer. Posteriormente, na mesma semana, por intermédio de uma pessoa amiga, voltei a receber o recado de um dos arguidos, a dizer que caso nos encontrássemos na rua, ele não poderia ser responsabilizado por aquilo que me pudesse fazer".

O editor do semanário "A Capital", Mariano Brás, afirma que há razões para temer pela sua integridade física, já que as ameaças foram proferidas por indivíduos que considera altamente perigosos.

Indivíduos ligados a bandos de marginais

"Estamos a falar de indivíduos que eu, particularmente, considero altamente perigosos", diz. Para o jornalista, indivíduos que têm a perícia para desfalcar o Banco Nacional de Angola têm necessariamente que estar envolvidos com "grupos de marginais".

Entretanto, a direção do jornal "A Capital", para o qual trabalha Mariano Brás, já formalizou uma queixa junto da Direção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), que abriu uma investigação. Por enquanto, segundo o jornalista, os nomes dos indivíduos não podem ser divulgados por ''segredo de justiça'': "Os especialistas da DNIC pediram-me que não divulgasse já o nome dos indivíduos, que se encontram em fuga".

Jornalista deve ser protegido pelas autoridades

Ouvir o áudio 03:47

Ameaças de morte contra jornalista em Angola

A propósito, a DW África ouviu o Sindicato dos Jornalista Angolanos (SJA). O porta-voz, Teixeira Cândido, afirmou que assim que o sindicato receba formalmente uma queixa do jornalista, será produzido um comunicado. Cândido espera, além disso, que os autores das ameaças sejam levados a tribunal e exige que a polícia proteja o jornalista.

O Sindicato dos Jornalistas apoia e encoraja o seu filiado: "Acho que o Mariano tem de continuar a fazer o seu trabalho e não se inibir com essas ameaças de morte. A nossa profissão é assim. Às vezes estamos expostos a esses riscos. Mas não nos podemos deixar inibir por esses riscos sob pena de não podermos exercer a nossa profissão."

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