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Cabo Verde

Alzerina Gomes e Paula Saad: Vencer adversidades para serem empresárias

Duas mulheres, uma de Cabo Verde e outra da Guiné-Bissau, Alzerina Gomes e Paula Saad, respetivamente, desafiaram o mundo dominado pelos homens e enveredaram pelo caminho de empreendedoras, donas do seu próprio negócio.

Portugal Alzerina Gomes in Lissabon (DW/J. Carlos)

Alzerina Gomes (dir.) partilha a sua experiência na oitava edição do evento "Women of Inspiration”, em Lisboa.

Duas mulheres desafiaram o mundo dominado pelos homens e enveredaram pelo caminho de empreendedoras, donas do seu próprio negócio: Alzerina Gomes, cabo-verdiana e Paula Saad, guineense, participaram em Lisboa na oitava edição da "Women of Inspiration", evento que debateu, entre outros temas, como vencer num meio profissional.

A cabo-verdiana Alzerina Gomes, natural de Santo Antão, emigrou para França e os Estados Unidos da América e é hoje uma empresária de sucesso e uma conceituada designer de jóias, com obras reconhecidas internacionalmente. Segundo disse à DW África, "não sabia que um dia eu iria realizar o meu sonho".

A guineense Paula Saad, empresária num país afetado por crises políticas cíclicas, ainda enfrenta o problema da desigualdade de género. Paula Saad, empresária há 15 anos, é sócia gerente do Grupo YahReis, com negócios na área da restauração e decoração de interiores na Guiné-Bissau.

"Organizamos eventos, temos uma grande casa, que é o Papa Louca, muito conhecida na Guiné-Bissau, estamos mesmo no centro da cidade. Trabalhamos com várias entidades, com várias empresas. No passado, trabalhei muito na decoração de interiores, na área dos panos de tear, nos panos tingidos, da cerâmica local, em mobiliário feito também com matéria local".

Empreendedoras e independes

Portugal Alzerina Gomes in Lissabon (DW/J. Carlos)

Alzerina Gomes

Ambas têm um ponto em comum: são empreendedoras, criaram o seu próprio negócio e independência. Alzerina Gomes saiu de Cabo Verde por razões financeiras e por falta de oportunidades, porque era de uma família muito pobre. "Nós somos cinco e a minha mãe não tinha possibilidades de nos dar escola, nos dar o que precisamos. Então eu tinha uma visão muito grande desde criança, sempre imaginava a moda".

Mãe de dois filhos, ela conta como tornou possível o seu sonho de infância, depois de ter passado uma temporada de sete anos em Paris, cidade francesa da moda. Começou a trabalhar como empregada doméstica até que foi incentivada pela patroa a ser modelo. Acabou por aproveitar a chance. "Então, trabalhei em Paris sete anos e isso deu-me uma visão maior".

É daí que dá o salto em busca de outras experiências. No ano de 1998, optou por Nova Iorque em detrimento de Tóquio (Japão) e Londres (Inglaterra). Era a cidade com que sonhava desde os quatro anos de idade e que determinou a mudança da sua vida.

"Era uma mudança, mas era o que eu precisava; na educação que eu queria, na aprendizagem que eu queria, na cultura que eu queria, Nova Iorque foi a cidade que eu queria".

Aprendeu inglês e começou a trabalhar na sua primeira coleção. Em 2000 expôs as jóias e vendeu todas as peças. A estilista decidiu continuar, apesar de muitos obstáculos para criar a sua própria empresa. "E muitas pessoas gostavam da minha ideia, do meu design. Em 2005, lancei a companhia oficialmente, legalmente, e lá foi o arranque da [marca] Alzerina", destaca a designer de jóias.

Portugal Paula Saad in Lissabon (DW/J. Carlos)

Paula Saad

Hoje tem as portas abertas e mercado fiél às suas ideias. "Graças a Deus, hoje já tenho muitas boas portas abertas. Trabalho com a Warner Brothers Movie, já fiz cinco filmes com a WB, já trabelhei com a Sony Pictures. Já fiz a Disney, trabalho com muitos atores e atrizes".

Empresária num país marcado por crises cíclicas

Por sua vez, Paula Saad, também mãe de dois filhos, vive há 17 anos na Guiné-Bissau. A guineense de origem libanesa e portuguesa fez-se empresária determinada a ir mais longe, apesar das adversidades num país marcado por crises políticas.

"De fato nós estamos muito afetados. A nossa paz na Guiné-Bissau é cíclica mas, como eu digo sempre – eu sou guineense, eu nasci na Guiné e não fui criada lá – algo chamou por mim. Fui para lá, tinha que dar o meu contributo ao meu país, porque eu acho que é o esforço de um que gera o bem estar de todos. Acho que isso para mim foi uma inspiração de poder continuar sempre e nunca desistir, mesmo debaixo de balas ou de derrube de governos, seja o que for, porque a vida sempre continuou", sublinha Paula Saad.

Ouvir o áudio 03:38

Alzerina Gomes e Paula Saad: Vencer adversidades para serem empresárias

Foi o amor à pátria que levou Paula Saad a regressar às origens onde começou por explorar a natureza. "E daí ouví-la e saber o que é que ela me poderia oferecer. Foi quando comecei a fazer os arranjos florais. Fui desenvolvendo cada vez mais a técnica e dei-me a fazer exposições em vários sítios. No Senegal, em Portugal, tudo com arte floral".

Guiné-Bissau um país com muitas oportunidades

Paula sente que o país ainda lhe oferece muitas oportunidades a explorar. "Temos um país riquíssimo, temos tudo a explorar, apesar dos próprios guineenses não conhecerem o valor do seu país. Porque não temos muita produção – e acho que é um pouco culpa dos governos não obrigarem as populações a produzir e pararem com as importações para podermos pelo menos enriquecer o país. Isto é uma das coisas que eu friso sempre, mas eu acho que a Guiné-Bissau tem tudo para poder chegar ao nível de muitos outros países vizinhos", destaca a empresária.

Recentemente Alzerina Gomes foi galardoada com "Congressional Certificate of Recognition" pelo Congresso dos Estados Unidos da Améria pela sua contribuição para a preservação da cultura cabo-verdiana naquele país, de onde vem a inspiração para as suas criações.

Ambas as empresárias estiveram em Lisboa a partilhar as suas respetivas experiências na oitava edição do evento "Women of Inspiration”, que decorreu este último sábado (22.10.)na capital portuguesa, promovida pela organização não-governamental "Adoro Ser Mulher”.

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