Alemanha: Coligação governamental a qualquer custo? | NOTÍCIAS | DW | 12.01.2018
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Alemanha: Coligação governamental a qualquer custo?

Alemanha está perto de chegar a um novo Governo, depois de mais de cem dias das eleições parlamentares. O povo desespera, enquanto os políticos do CDU/CSU e SPD pacientam, apesar do cansaço.

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Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o líder do SPD, Martin Schulz

Não se via sinal de entusiasmo nas caras da chanceler Angela Merkel e do líder do partido dos Sociais Democratas Martin Schulz quando apareceram diante dos jornalistas na manhã desta sexta-feira (12.01).

A chanceler Angela Merkel tentou o seu melhor para assegurar aos alemães que o acordo foi um passo na direção certa, mas a sua cara cansada dizia outra coisa: "Mantivemos conversações intensas, sérias e profundas. O documento resultante disso não é um documento superficial, é a expressão das nossas intenções de fazer o que podemos para que os alemães continuem a viver uma boa vida nos próximos 10 a 15 anos."

Pouco descanso foi uma das razões para a postura séria, mas não foi o único motivo. A Alemanha está sem Governo há cerca de cem dias e muitos cidadãos estão cada vez mais impacientes.

Mas nem os democratas cristãos nem os sociais democratas estão muito entusiasmados em formar um novo Governo. Os dois lados lutam para alcançar um acordo sobre reformas políticas há quatro anos.

Sacrificar promessas eleitorais

Deutschland PK Sondierungsgespräche in Berlin Merkel

Angela Merkel visivelmente cansada

O líder do SPD, Partido Social-Democrata, Martin Schulz, admite que também foi difícil chegar a consenso desta vez:"Durante as nossas conversações esta noite percebemos que somos partidos diferentes, que temos ideias e programas diferentes. A arte de formar uma coligação é alcançar um compromisso acordados pelos dois partidos e que também beneficie os cidadãos e eleitores deste país", sublinha Schulz.

Os dois lados apresentaram uma proposta de 28 páginas para a formação da nova coligação. Mas o acordo não vai agradar a muitos membros do partido SPD.

A CDU, União Democrata-Cristã, e o SPD acordaram sobre um programa de digitalização de escolas e universidades, algumas pequenas reformas na saúde e uma pensão mínima para os cidadãos pobres. Mas as duas formações terão de sacrificar algumas promessas eleitorais.

Os sociais democratas não conseguiram convencer a CDU a aumentar os impostos para os cidadãos ou fazer aprovar uma reforma radical no setor de saúde. Isso não agradou Martin Schulz.

Internamente SPD ainda precisa de luz verde

Deutschland PK Sondierungsgespräche in Berlin Schulz

Martin Schulz

Eike-Christian Hornig, professor de ciências políticas na Universidade de Giessen, na Alemanha, falando ao canal público Phoenix recordou o passado de uma coligação entre os dois partidos: "Lembrar as celebrações do SPD na sua sede quando os líderes do partido anunciaram o fim da grande coligação depois das últimas eleições. Agora eles têm de repensar a sua estratégia. Eles terão dificuldades em conquistar o apoio dos membros do partido para esta nova coligação governamental", sugere Hornig.

Mas dias difíceis estão por vir na Alemanha. Uma convenção do partido SPD no fim deste mês de janeiro terá de dar luz verde à liderança do SPD para as negociações formais para a coligação. E todos os membros do SPD têm de aprovar  qualquer acordo de coligação em referendo.

Governo de coligação a bem ou mal

Especialistas acreditam que os dois lados irão formar um Governo no final - não porque querem, mas por que têm de o fazer.

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Alemanha: Coligação governamental a qualquer custo?

Svenja Krauss é especialista em política na Universidade de Humbold em Berlim e alerta para uma consequência: "Angela Merkel não quer ter um Governo minoritário. Os sociais-democratas estão conscientes de que precisam de entrar para o Governo de forma a proporcionar um Governo estável aos cidadãos."

E Krauss alerta: "Se tivermos um Governo instável, isso pode fortalecer os partidos de direita."

Os dois lados também têm mais uma razão para formar um Governo estável. Se eles falharem podem ser convocadas novas eleições. E é este cenário que os partidos - que viram a sua imagem cair para níveis históricos nas últimas eleições - querem evitar a qualquer custo.

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