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Internacional

Alemanha aumenta presença militar no Mali

O Parlamento alemão aprovou esta quinta-feira (26.01) o aumento da presença militar no Mali, que passa a contar com cerca de mil soldados da Bundeswehr. Integram a missão da ONU, atualmente com mais de 12 mil militares.

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Ursula von der Leyen, ministra da Defesa da Alemanha, visitou as tropas no Mali em dezembro de 2016

A MINUSMA, a missão das Nações Unidas responsável por garantir a paz no norte do Mali, onde grupos rebeldes e o Governo travam uma longa luta pelo controlo da região, é considerada uma das mais perigosas missões.

"Em termos de vítimas mortais, é a mais perigosa operação das Nações Unidas no mundo", confirma o especialista Paul Melly, do instituto britânico de relações internacionais Chatham House, em Londres.

Na semana passada, mais de 70 pessoas morreram num ataque a um acampamento de forças de segurança locais e antigos rebeldes na cidade de Gao. As forças de manutenção da paz na região têm sido também um alvo dos extremistas.

Operação necessária

A missão da ONU, integrada por mais de 12 mil soldados, sobretudo de África, vai passar a contar com cerca de mil soldados da Bundeswehr- até agora, o limite era de 650 soldados. Os países europeus - França, Holanda e Alemanha - forneceram grande parte do material, como drones e helicópteros.

Para além do aumento do número de soldados, o Parlamento alemão aprovou também o envio de oito helicópteros adicionais para o Mali - metade de salvamento e outra metade de combate. O primeiro é enviado para o país já esta sexta-feira (27.01).

UN-Fahrzeug im Zentrum von Gao Mali

A MINUSMA é considerada a mais perigosa operação da ONU no mundo

Antes da votação no Parlamento, membros da coligação do Governo alemão CDU/CSU - a União Cristã-Democrata da chanceler Angela Merkel (CDU) e a União Cristã-Social (CSU), o partido-irmão bávaro - e o Partido Social Democrata (SPD) sublinharam o perigo da intervenção no Mali.

Ainda assim, o deputado Henning Otte, da CDU, admitiu que esta é uma operação necessária. Segundo o parlamentar, o colapso do Mali significaria "reacções em cadeia" com "consequências imprevisíveis" para a Europa.

"Por isso, temos de garantir a estabilidade do país, para impedir movimentos migratórios, para combater o terrorismo. E o exército alemão é uma componente essencial", sublinhou.

Missão impossível?

O Mali está em crise desde 2012. Depois da revolta dos tuaregues, rebeldes e extremistas islâmicos passaram a controlar várias zonas do país. As tropas francesas travaram o avanço para a capital, Bamako.

Em 2015, Governo e grupos rebeldes assinaram um acordo de paz. As tropas da ONU tentam assegurar a trégua no terreno, mas a região ainda é palco de violência.

Ouvir o áudio 03:44

Alemanha aumenta presença militar no Mali

Dos partidos de esquerda chegaram argumentos contra o alargamento da missão alemã no Mali. Niema Movassat, deputado do partido Die Linke, defendeu o combate às causas sociais do terrorismo em vez do envio de mais soldados para todo o mundo, lembrando o caso do Afeganistão.

"As semelhanças com a operação falhada no Afeganistão são assustadoras", salientou. "De acordo com a Comissão de Defesa, a missão no Mali é tão perigosa como os tempos da campanha da NATO contra os talibã".

Já Agnieszka Brugger, dos Verdes, rejeita comparações com o Afeganistão: "Não podemos classificar como 'guerra' uma missão de paz das Nações Unidas, sob liderança civil, com elementos civis, cuja missão é monitorizar a implementação de um acordo de paz e acompanhar o processo de reconciliação".

A participação alemã na missão no Mali promete continuar a dar que falar. Mesmo no seio do exército alemão, a questão é controversa: a última edição da revista da associação dos membros do exército na reserva pergunta mesmo se esta é uma "missão impossível".

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