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Moçambique

Albinos beneficiam de consultas oftalmolóicas gratuitas, em Moçambique

Cerca de 100 albinos participaram de uma campanha para melhorar a visão e sensibilizar sobre os cuidados com os olhos. Ação foi encerrada este domingo (10.09), em Maputo.

Mosambik - Kampagne Albinismus (DW/L. Matias)

Evento de encerramento da campanha oftalmológica para os albinos

Em Moçambique, cerca de 100 pessoas com albinismo foram beneficiadas com consultas gratuitas de oftalmologia, numa campanha levada a cabo, durante cerca de um mês, pela Associação de Apoio às Pessoas com Albinismo em parceria com a organização não governamental portuguesa Kanimambo.

Para o feito, a organização não governamental portuguesa Kanimambo enviou a Moçambique uma equipa de médicos especialistas em oftalmologia, que realizou as consultas na capital, Maputo, e na província nortenha de Nampula.

Os casos considerados graves serão submetidos a intervenções cirúrgicas, esta segunda-feira (11.09).

A diretora de Acção Médica da Kanimambo, Carla Frias, disse à DW África que os principais problemas constatados são miopia - distúrbio visual que acarreta uma focalização da imagem antes desta chegar á retina -, estigmatismo - propriedade que determinados sistemas ópticos apresentam de fazer concorrer numa imagem pontual os raios de outro ponto ou objecto - e nistagmo - oscilações rítmicas, repetidas e involuntárias de um ou ambos os olhos.

O encerramento da campanha foi marcado por uma concorrida cerimónia, durante a qual foram distribuídos protectores solares a dezenas de pessoas com albinismo.

Mosambik - Kampagne Albinismus - Carla Frias (DW/L. Matias)

Carla Frias, directora de Ação Médica da Kanimambo

Solidariedade e sensibilição

O objectivo da campanha era precisamente tentar melhorar a visão das pessoas com albinismo e sensibilizar sobre os cuidados a ter, segundo a médica Mun Faria.

Ela explicou que as pessoas com albinismo só têm entre 10 e 20% de visão, necessitando assim de determinados cuidados especiais.

Outra médica, Ana Claudia Fonseca, disse que a iniciativa serviu para "alertar sobre os cuidados fundamentais de saúde da pessoa com albinismo, recomendar o uso de óculos de sol e prescrever a correcção adequada para tentar melhorar ao máximo a visão".

Nos próximos dois meses, prevê-se a distribuição de óculos de sol a todas pessoas que beneficiaram da campanha.

O problema de visão constitui um cancro para as pessoas com albinismo em Moçambique, de acordo com o Presidente da ALBIMOZ, Williamo Tomás Savaguana.

Ele acrescentou que, por ironia do destino, "a maior parte dessas pessoas têm poucas posses".

Mosambik - Kampagne Albinusmus (DW/L. Matias)

Rabeca Nkiquice, seu marido e os dois filhos albinos

Reações dos atendidos

Por seu turno, Inocêncio Machava, um jovem que teve acesso às consultas gratuitas de oftalmologia no âmbito desta campanha, disse que "a iniciativa é bem-vinda" e que tinha sido submetido a uma observação minuciosa.

Já para Graça Adelino Pires, uma adolescente de 15 anos, e para Paula Eduardo, de 12 anos, a campanha veio ajudar muitas pessoas necessitadas e sem recursos.

Durante a cerimónia, as pessoas que beneficiaram da iniciativa faziam-se acompanhar dos seus pais e outros familiares.

Rabeca Nkiquice, mãe de duas crianças com albinismo - uma de um ano e outra de sete, nomeadamente Nathan e Jushua-, marcou presença na cerimónia juntamente com o marido.

Rabeca disse que se sentia mais segura depois da campanha, porque mostra que há pessoas que se preocupam com a causa daquele grupo de pessoas.

"Como sabe, os albinos sofrem alguma discriminação e, quando vemos que algumas pessoas olham para eles, sentimo-nos mais aliviados e mais seguros", afirmou.

Fazendo um balanço da campanha, a Directora de Acção Médica da Kanimambo, Carla Frias, disse à DW África que "foi de encher o coração".

"Foi tão bom ver as pessoas, depois de terem os olhos corrigidos com a observação, poderem ler as imagens e letras que estavam no quadro, olharem para as pessoas e reconhecerem as caras das mães e dos pais que os acompanhavam, [ver] o sorriso na cara das pessoas," revelou.

Dados oficiais indicam que Moçambique tem cerca de 20 mil pessoas com albinismo, 70% das quais são crianças, adolescentes e jovens.

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