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Moçambique

Afonso Dhlakama regressa a Maputo

Líder da RENAMO foi recebido em ambiente de festa na capital de Moçambique por centenas de militantes do partido, esta quinta-feira (4.09), após ausência de cinco anos.

Afonso Dhlakama aterrou por volta das 18h20 desta quinta-feira (4.09) no Aeroporto Internacional de Maputo, cinco anos após ter abandonado a capital moçambicana, no quadro da crise política e militar que assolou o país durante cerca de um ano e meio.

Acompanhado por alguns quadros do movimento e diplomatas estrangeiros acreditados na capital moçambicana, Dhlakama foi recebido por centenas de militantes do partido que, desde o final da manhã, começaram a afluir ao aeroporto da capital moçambicana, trajando camisolas com uma imagem estampada já antiga de Dhlakama e brandindo bandeiras da RENAMO, gerando um incomum ambiente de festa na infraestrutura aeroportuária.

Além dos membros da RENAMO, dezenas de jornalistas, incluindo alguns estrangeiros, aguardavam a chegada de Afonso Dhlakama, que não respondeu, contudo, a nenhuma pergunta colocada pela comunicação social.

"Hoje é um dia de alegria muito importante e é uma festa à chegada do nosso líder, que tanto tempo esteve no mato a sacrificar-se por nós. Hoje é o nosso dia", disse à agência Lusa António Castigo, um jovem militante da RENAMO.

Mosambik - Afonso Dhlakama in Chimoio

Dhlakama deixa centro de Chimoio em direcção ao aeroporto

Promessas antes da partida para a capital

Dhlakama chegou a Maputo após ter presidido a um comício na cidade de Chimoio, capital da província de Manica, centro de Moçambique, de onde embarcou para a capital do país, depois de uma viagem de carro do refúgio onde vivia desde outubro do ano passado, após o seu acampamento em Satunjira, província de Sofala, na região centro, ter sido tomado pelo exército.

No seu reaparecimento público, em Chimoio, Afonso Dhlakama assegurou que a sua ausência, por um ano e meio em parte incerta, serviu para tornar Moçambique mais "pacífico e democrático" e "rejuvenescer o multipartidarismo". O líder da RENAMO garantiu mais uma vez que vai cumprir o acordo de cessar-fogo e prometeu ir às eleições “para lutar contra a má gestão do país".

Dhlakama dispensou o carro protocolar enviado pelo governo para o acompanhar de Satundjira ao aeródromo de Chimoio, optando por uma viatura particular todo-o-terreno. O líder da RENAMO também manteve a sua guarda, fortemente armada, que o escoltou em simultâneo com a força governamental, juntamente com a delegação de embaixadores que negociou a sua viagem a Maputo.

O líder da RENAMO não anunciou se vai fixar residência na capital moçambicana, assegurando apenas que vai escolher uma das três casas disponíveis, sendo uma em Maputo (sul), a segunda em Nampula (norte) e a terceira em Satunjira (Gorongosa, sul), deixando em aberto a possibilidade de regressar às encostas da serra da Gorongosa.

Ivone Soares

Comitiva de diplomatas que acompanhou Afonso Dhlakama na viagem até Maputo. Ao centro, Ivone Soares, presidente da organização da juventude da RENAMO

Na capital provincial de Manica, Afonso Dhlakama apanhou uma avioneta da Moçambique Expressos (Mex), operada pela companhia de bandeira nacional, fretada e mantida desde quarta-feira no aeródromo, junto com a sua guarda, a maioria mulheres, e a delegação de embaixadores. Os elementos da sua segurança foram desarmados no aeródromo, e as armas e munições empacotadas em caixas de madeira, seladas pela Polícia moçambicana.

Encontro entre Dhlakama e Guebuza confirmado pelo Governo

A viagem de Afonso Dhlakama a Maputo tem no horizonte um encontro com o Presidente moçambicano, que deverá ter lugar na sexta-feira (5.09), no edifício da Presidência da República. Esta quinta-feira, o porta-voz do Presidente moçambicano confirmou a reunião entre Armando Guebuza e Afonso Dhlakama.

Edson Macuácua, que falava durante uma conferência de imprensa, adiantou que, durante a reunião, o chefe de Estado moçambicano e o líder do principal partido da oposição deverão ratificar o acordo assinado pelas delegações negociais da RENAMO e do Governo moçambicano, com vista à cessação das hostilidades militares, que eclodiram no país há cerca de um ano e meio.

Ouvir o áudio 03:32

Afonso Dhlakama regressa a Maputo

No entanto, cidadãos ouvidos pela DW África consideram que esta tensão militar, que causou vários mortos, feridos e danos materiais avultados, podia ter sido evitada. “As exigências eram legítimas, visto que o Estado está partidarizado. Mas o Governo é o Governo, nem sempre tem de ceder facilmente”, afirma um cidadão moçambicano. Uma outra moçambicana considera que “quando alguém quer paz, vai atrás”. “O nosso Presidente, de acordo com o que disse Dhlakama, queria conversar. Podia ter retirado as Forças Armadas para que ele viesse conversar”, conclui.

Lições para o futuro

Para o analista Egídio Vaz há lições a tirar desta tensão militar. “A guerrilha não tem necessariamente em vista o alcance do poder político, mas sim o objetivo de forçar as negociações”, afirma, acrescentando que “era possível negociar e chegar ao entendimento há dois anos, sem recorrer à via armada”.

Kombibild Armando Guebuza und Afonso Dhlakama

De acordo com o Governo, já estão em curso "os preparativos necessários para a realização do encontro entre o Presidente Guebuza e o líder da RENAMO", esta sexta-feira (5.09)

Fernando Gonçalves, outro analista, considera que Afonso Dhlakama vai continuar a ter um papel importante no processo politico do país, uma vez que “é o líder do segundo maior partido com representação parlamentar em Moçambique e há um papel histórico que não se pode negar”. “Não podemos descurar o facto de que a paz e a tranquilidade dependem muito da atitude de Dhlakama em relação a tudo isso”, conclui.

Egídio Vaz, por sua vez, pensa que “é importante buscar o papel de Afonso Dhlakama em tempo de paz, para que ele seja útil mas também alargar os mecanismos de diálogo e a busca de consenso”. Na última década, diz o analista, cometeu-se um erro: “o fechamento ao diálogo e a concentração para a construção de uma agenda que não era inclusiva”.

Dlakhama foi o último candidato às presidenciais de 15 de outubro a aparecer publicamente na campanha eleitoral, que entrou no quinto dia esta quinta-feira. O analista Fernando Gonçalves considera, no entanto, que este facto poderá ter um lado positivo, sublinhando “o efeito de Dhlakama surgir neste momento, rompendo com todo o suspense que se tinha gerado no seio dos moçambicanos”.

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