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Moçambique

Afonso Dhlakama acusa Governo da FRELIMO de agir de má fé

O líder da RENAMO não compreende o apertar do cerco militar à sua pessoa quando negociadores do Governo moçambicano e representantes do maior partido da oposição preparam um encontro para breve entre Nyusi e Dhlakama.

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Afonso Dhlakama, líder da RENAMO, o maior partido da oposição em Moçambique

Em Moçambique, Afonso Dhlakama acusa o Governo da FRELIMO de agir de má fé, argumentando que o cerco do exército governamental à sua pessoa está cada vez mais apertado, quando ao mesmo tempo esse mesmo Governo voltou a mesa de diálogo com o maior partido da oposição.

O líder da RENAMO, em exclusivo à DW África, confirma as informações de movimentações militares na região centro de Moçambique, reduto do maior partido da oposição:

DW África: Fala-se numa movimentação do exército moçambicano na serra da Gorongosa e de um cerco a zona onde se encontra. Confirma?

Afonso Dhlakama (AD): Sim, confirmo, é má fé. Há muitos efetivos, forças da FRELIMO, FADEMO, FIR (Forças de Intervenção Rápida) que saíram de Maputo e juntaram-se às posições aqui em volta da Serra da Gorongosa, perto de onde estamos, a tentarem ameaçar-nos. Mas já sabíamos, porque a estratégia da FRELIMO é de atacar as zonas próximas de onde estou, de intimidar como forma de Dhlakama abandonar Gorongosa para ir a Maputo. Mais isto é má fé porque nós já criamos uma equipa que até já se encontrou com a da FRELIMO com quem se irá encontrar de novo, acredito que na segunda-feira (30.05) para discutir os pontos que irão constituir a agenda. Então, se eles mandam cercar-me, aqui perto da base, disparando e intimidando as pessoas, significa que a intenção de negociar que dizem ter não corresponde a verdade. Querem dar a entender aos europeus que estão interessados em negociar, porque eles sabem que negociar é o que a RENAMO quer e por isso querem impedir essas negociações. Se tivesse destacado, por exemplo, trezentos homens,

Mosambik Sadjundjira Sicherheitskräfte attackieren Renamo Anhänger

Exército moçambicano na região de Sadjundjira, um dos bastiões da RENAMO

comandos, da Gorongosa, em Sofala, para cercarem o palácio do Nyusi em Maputo, ou estando a trinta kilómetros da cidade de Maputo, todo o mundo estaria a gritar, toda a União Europeia iria condenar-me, chamar-me belicista e ficaria com má imagem. Mas como são homens da FRELIMO que vieram cercar o Dhlakama que está aqui na Gorongosa ninguém está preocupado com isso e ninguém força a FRELIMO a abandonar este cerco, fazendo-nos parecer animais. Procedem de má fé, não só a FRELIMO, mas também os nossos amigos de cooperação internacional que parecem estar a falar de boa fé a quererem negociações. Não há negociações que possam ser levadas a cabo em Maputo com o líder da RENAMO, que orienta a equipa de negociações, que de um lado tem de falar para Maputo a dizer "negoceiem assim...", mas por outro tenho de orientar grupos a dizer "disparem assim...", acho que isso é extremamente perigoso.

Mosambik Beira Sicherheitskräfte verhaften Renamo Anhänger

FIR agredindo a guarda da RENAMO na residência de Afonso Dhlakama na cidade da Beira, em 2015

DW África: Falou agora do primeiro contacto entre as equipas da RENAMO e do Governo da FRELIMO para preparem o início das negociações. Quais são os pontos de agenda da RENAMO?

AD: Bom, não gostaria de divulgar os pontos, mas eles já estão lá. Já que isto é negocição, nós não temos muitos pontos, todo o mundo sabe o que a RENAMO pretende. Queremos, em primeiro lugar, que a FRELIMO entenda que só poderá haver paz, democracia, Estado de direito e a Constituição a funcionar, sobretudo eliminar a fraude, se a RENAMO, em primeiro lugar, for entendida na nossa estratégia de governarmos as seis províncias. Não queremos dividir o país, podemos negociar a reforma da Constituição, porque é um doceumento-mãe que regula a vida das pessoas e não é meia dúzia [de pessoas] que está em Maputo que vai negar a liberdade das pessoas que votam nos partidos. E a comunidade internacional deve entender que a RENAMO não vai recuar nessa exigência que, aliás é exigência de milhões de pessoas. Apesar de ter havido fraude, essas pessoas que votaram em nós querem ver o programa da RENAMO a orientar a política e administração naquelas províncias. Queremos tratar da defesa e segurança, estamos a falar da concentração das tropas na Gorongosa. O exército tem de pertencer ao Estado e não a um partido, mas estão cá na Gorongosa, porque o partido FRELIMO decidiu matar o Dhlakama e fazer

Mosambik Krise Flüchtlinge

Refugiados internos deixando Maringué em 2013 devido aos confrontos

confusão. Portanto, relativamente a este ponto que haja uma reconciliação dos nossos quadros militares, segundo o Acordo Geral de paz, e que ocupem também cargos de chefia nas forças armadas, no Estado-maior, nas brigadas, batalhões e companhias para que deixemos de ter em Moçambique uma ala da RENAMO e um exército da FRELIMO. O resto é a paz ou Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE). Nós não temos uma lista longa, porque não nos interessa, queremos um acordo rápido e sério.

DW África: A RENAMO vai insistir na participação de algum mediador internacional nas negociações?

AD: A RENAMO já propôs que a União Europeia fizesse parte da mediação, de igual modo a Igreja Católica de Moçambique e a África do Sul. Mas o Governo andou com manobras ao afirmar que os moçambicanos têm experiência e não queremos estrangeiros nessa mediação. Em qualquer país do mundo tem que haver mediação. No Acordo Geral de Paz estava o Governo italiano, Santo Egídio, a Igreja Católica de Moçambique....Porque é que agora com tantos problemas que afetam a democracia não vamos ter mediadores estrangeiros? Mas quanto a este ponto concreto de mediação não sei o que vai acontecer porque todos têm dito, nomeadamente a UE, que a RENAMO e a FRELIMO negoceiam seriamente e para nós “negociar seriamente tem que haver alguém a mediar ouvindo as razões de um lado e do outro para dar conhecer ao mundo as posições defendidas por uns e outros. A RENAMO e o Governo sozinhos vamos acabar por nos acusar mutuamente, cada um puxar a sardinha para a sua brasa. Portanto estamos à espera que ao elaborarmos essa agenda que vai incluir os pontos do diálogo e havendo um acordo sobre esse documento, acredito que sim, o Governo terá que se pronunciar acerca da proposta da RENAMO concernente à mediação internacional.

DW África: Já tem uma previsão sobre um encontro com o Presidente Filipe Nyusi?

AD: Ninguém recusa a ideia desse encontro, só que isso tem que ser preparado e não podemos, nós os dois nos encontrarmos, cada um a olhar para o outro, a imprensa a fotografar ou a filmar e depois não anunciamos nada. Isso iria aborrecer o povo de Moçambique e desapontar não só os moçambicanos mas todo o mundo. Então houve um encontro para tratar o quê? Fala-se muito do encontro entre Dhlakama e Nyusi mas tem que haver algo de produtivo, por exemplo, um acordo para jutificar que os dois líderes estiveram reunidos e que rubricaram um documento para mostrar ao povo que o nosso encontro não foi para tormarmos um chá mas para resolvermos os problemas que afetam a situação do povo e de Moçambique.

Mosambik RENAMO Rebellen im Gorongosa Gebirge 2012

Homens armados da RENAMO


DW África: O senhor Afonso Dhlakama aceitaria assumir o cargo de vice-Presidente de Moçambique desde que a Constituição fosse revista?

AD: Não porque não sou da esquerda. Digo com todo orgulho que lutei pela democracia. Sou de centro-direita e sei o que é ser marxista para depois entrar numa transição de marxista para socialista. O partido FRELIMO foi comunista, marxista e dos mais perigosos do que outros partidos marxistas do mundo. Matou pessoas nas prisões, criou campos de reeducação, etc. A solução agora não é de tentar converncer a RENAMO para trabalhar diretamente com a FRELIMO. Isso seria o fim da democracia multipartidária em Moçambique.

DW África: Em 1999 o então Presidente Joaquim Chissano consentiu que a RENAMO assumisse alguns cargos ministeriais, mas a RENAMO terá demorado a tomar uma posição em relação a isso e Chissano acabou por anunciar um Governo composto por apenas membros do seu partido, a FRELIMO. Afonso Dhlakama está arrependido ?

AD: Nunca houve a ideia de nomear ministros da RENAMO, mas sim algo para acabar com o nosso partido. Convém lembrar as pessoas que a RENAMO não apareceu de qualquer maneira e a FRELIMO nunca lutou pela democracia neste país. Foi a RENAMO que lutou 16 anos obrigando a FRELIMO a aceitar em Roma o multipartidarismo depois de ter perdido a guerra. Seria ingrato da nossa parte que a RENAMO dissesse ao povo que lutamos pela democracia e agora vamos levar os nossos quadros para trabalharem como ministros num Governo da FRELIMO.Isso é só propaganda. Sou inteligente, político e general e se a RENAMO aceitasse esta ideia da FRELIMO hoje o partido já não existia.

Ouvir o áudio 11:58

Afonso Dhlakama acusa Governo da FRELIMO de agir de má fé

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