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Moçambique

Afonso Dhlakama acusa esquadrões ligados ao poder de terem assassinado Amurane

Líder da RENAMO considera que "Daviz Simango não tinha capacidade de criar esquadrões para [matar Amurane]". Dhlakama suspeita que esquadrões se tenham aproveitado da crise entre Amurane e o MDM para matar Amurane.

Em Moçambique, o líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, considera que "Daviz Simango não tinha capacidade para criar esquadrões da morte e fazer o que aconteceu [matar Amurane]". Dhlakama acredita que os assassinos estejam ligados à Polícia da República de Moçambique (PRM) e ao poder político e suspeita ainda que os esquadrões se tenham aproveitado da crise entre Mahamudo Amurane e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) para assassinar o edil da cidade de Nampula, baleado na tarde da passada quarta-feira  (04.10.) com três tiros. A DW África entrevistou o líder do maior partido da oposição sobre o assassinato de Amurane.

DW África: O que nos pode dizer sobre o assassinato de Mahamudo Amurane?

Afonso Dhlakama (AD): Primeiro foi triste. O jovem estava a trabalhar bem como presidente do conselho municipal da cidade de Nampula numa província que é bastião do partido dirigido pela RENAMO. Foi uma surpresa e enviei os pêsames aos familiares, mas até agora não se sabe exatamente o que terá acontecido. Do nosso lado quando me perguntaram dissemos que sabíamos das contradições que existiam com o edil da cidade de Nampula e o líder do MDM, Daviz Simango, mas pessoalmente cheguei a dizer que o Simango não tinha capacidade para criar esquadrões da morte e fazer aquilo que aconteceu. Já nos habituamos nesse país a ver os esquadrões da morte a assassinar pessoas como o António Siba-Siba Macuácua, o Carlos Cardoso, o Gilles Cistac, o Jeremias Pondeca e tantos outros até membros da FRELIMO e da RENAMO, mas até hoje nunca a Polícia da República conseguiu identificar os culpados.

DW África: Pelo tipo de assassinato, desconfia de alguém ou de algum partido em particular?

AD: Não digo que desconfio. Posso atribuir a culpa aqueles que têm feito isso sempre, ou seja pessoas ligadas à Polícia da República de Moçambique (PRM). Num país com as instituições a funcionar aparecerem grupos de bandidos que podem disparar tiros, matar e depois desaparecerem sem que de facto o Governo se pronuncie, é estranho. Com isto quero dizer que acho que o Amurane quando tomou posse em 2013 terá assumido um compromisso com os grandes dirigentes da FRELIMO e que ele não tenha conseguido cumprir nos últimos anos, incluindo também as contradições com o próprio Daviz Simango. E os esquadrões ligados ao poder terão aproveitado esta situação para o tirar a vida. O que está mais do que certo é que se fosse um bandido qualquer seria logo identificado e capturado. Mas isso não aconteceu até agora porque são as próprias instituições ligadas ao partido no poder que dão a cobertura.

Ouvir o áudio 06:24

Moçambique: Afonso Dhlakama acusa esquadrões da morte ligados ao poder de terem assassinado Amurane

DW África: A RENAMO tem um forte apoio em Nampula, mas também o MDM tem a sua parcela  de apoio. E este é o terceiro maior município de Moçambique que interessa igualmente à FRELIMO. Espera uma eleição fraccionada nas eleições de 2019?

AD: Absolutamente não. Posso garantir que mesmo o falecido apanhou boleia em 2013 porque a RENAMO não concorreu. Todos sabem que ali é bastião da RENAMO. Na cidade de Nampula nem é preciso  discutir, a RENAMO ganha em Nampula mesmo com o roubo de votos. Sei que o MDM tem uma pequena expressão no eleitorado tal como tem a FRELIMO, mas normalmente é o nosso bastião. Aliás, é do conhecimento de todos que Zambézia, Sofala, Manica, Tete, são províncias com muita influência da RENAMO. Se tudo correr bem, em 2019 vamos ficar com Nampula com um governador eleito que sairá das fileiras da RENAMO. Mesmo que haja eleições intercalares na cidade de Nampula vamos vencer e mesmo nas autárquicas vamos limpar tudo... Disto não temos dúvidas nenhumas.

DW África: Entretanto, Amurane tinha grande apoio em Nampula, aventava-se  até a possibilidade de ele concorrer como independente em 2018 e até de participar nas eleições provinciais com grandes chances. Isso não agradaria à FRELIMO, nem à RENAMO e nem ao MDM...

AD: Ele não tinha nenhuma popularidade e até os seus familiares eram simpatizantes da RENAMO no distrito da Monapo. Eu vivi alguns anos em Nampula que por natureza é uma província com muita influência da RENAMO. Amurane não tinha nenhuma popularidade. É verdade que o Amurane, que não era corrupto, foi apanhado pelo MDM e concorreu na cidade, mas para ganhar alguns votos e mais nada. Houve uma boa abstenção e ele ganhou a presidência da cidade de Nampula com poucos votos. Isso não significa ter popularidade. Ele ganhou porque a RENAMO não concorreu e as pessoas não quiseram que o poder ficasse nas mãos da FRELIMO.

DW África: Em princípio, por lei, devem acontecer eleições intercalares com a morte de Amurane. Caso aconteçam, a RENAMO participaria?

AD: Participaria e ganhava essas eleições.

DW África: Esta morte de Amurane faz com que as pessoas fiquem de olhos postos com alguma desconfiança tanto sobre o MDM como a FRELIMO. Neste contexto como vê essas eleições autárquicas de 2018?

AD: Já está estamos habituados sobretudo a RENAMO que já teve quadros assassinados a sangue frio. Estamos preocupados porque não é só olhar para as eleições do próximo ano, mas são as vidas que desaparecem, pais de filhos que morrem de qualquer maneira.

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