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Internacional

A uma semana do início do CAN 2017

A 31ª edição da Taça das Nações Africanas (CAN), é aguardada com muita apreensão mas também expetativa pela sociedade civil e as autoridades gabonesas. A Guiné-Bissau é a única seleção dos PALOP presente na competição.

Gabun Maskottchen Samba (Getty Images/AFP/S. Jordan)

Mascote Samba - CAN 2017

Daqui a uma semana, mais precisamente no próximo dia 14 de janeiro, o Gabão acolhe a edição deste ano do Campeonato Africano das Nações (CAN 2017). Este grande acontecimento desportivo vai ter lugar num contexto de morosidade e tensões ligadas à contestada reeleição  de Ali Bongo à presidência do país, em agosto último. O Governo considera que este Campeonato Africano de Futebol poderá ajudar o Gabão a reforçar a sua coesão social .

Motivo de orgulho para os gaboneses

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Pacome Moubelet Boubeya, um tal acontecimento é antes de tudo motivo de orgulho para todo o povo do Gabão.

"A segurança está a ser reforçada. Atualmente o mundo vive situações complexas, devido ao aumento do terrorismo e outros atos de desestabilização. Mas temos a certeza que os jogos irão decorrer sem problemas, as pessoas não vão ser dificultadas na sua entrada nas fronteiras do Gabão, as populações e os desportistas virão sómente festejar e celebrar o futebol".

Gabuns Präsident Ali Bongo Ondimba bei der Wahl in Libreville (Reuters/G. W. Obangome )

Presidente Ali Bongo (eleição presidencial 27.08.2016)

Mas observadores notam que este grande evento desportivo africano tem lugar num momento particular para o Gabão. Para além das reivindicações sociais e políticas que nos últimos meses fustigaram o país, o Gabão encontra-se fragilizado pela baixa dos preços do petróleo.

Muitos milhões de francos cfa investidos

Os preparativos para a realização do CAN envolveram grandes montantes financeiros que, segundo as autoridades, serviram para "criar ou reabilitar infraestruturas, estádios, estradas, a renovação de um hospital, a segurança dos bairros entre outras despesas, tudo isso financiado pelo Estado gabonês".

De qualquer das formas, para Jean Gaspar Ndoutoumaye, porta-voz do opositor Jean Ping, o pensamento da maioria dos gaboneses não vai estar em festa durante a realização do CAN.

"O CAN deveria realizar-se num país calmo e sereno, porque este acontecimento desportivo é também a imagem do país que está em jogo. Os problemas políticos que tiveram recentemente lugar no nosso país, ou seja um golpe de Estado eleitoral, ainda não foram solucionados. Tudo que acontece hoje no Gabão a nível social e económico é, em primeiro lugar, uma consequência deste golpe de Estado eleitoral", concluiu.

Gabun Opposition Jean Ping Pressekonferenz (Getty Images/AFP/S. Jordan)

Jean Ping, líder da oposição no Gabão

Essas alegações são refutadas pelo chefe da diplomacia gabonesa Pacome Boubeya, quando afirma que é verdade que o seu país conheceu e conhece alguns problemas sócio-económicos, mas não se deve encarar a questão como uma fatalidade.

"A França organizou o Europeu de futebol não há muito tempo e aquele país não estava numa situação económica melhor em relação ao mundo. Sempre existiram situações económicas difíceis em vários países do mundo. E para além disso não foi ontem que decidimos receber no Gabão esta edição do CAN. A decisão foi tomada há anos".

"Djurtus" pela primeira vez no CAN

A competição desportiva terá início no dia 14 e desenrolar-se-á até 5 de fevereiro em quatro cidades gabonesas: Libreville, Franceville, Port-Gentil e Oyem, mas alguns observadores temem a ocorrncia de incidentes nomeadamente em Port-Gentil e em Oyem, cidades tradicionalmente favoráveis aos partidos da oposição política gabonesa.

Fussballspiel Guinea Bissau - Zambia (DW/B. Darame)

Guineenses assistem (04.06.2016) o jogo Guiné-Bissau / Zâmbia (qualificação para CAN 2017)

Recorde-se, que a Guiné-Bissau é o único PALOP que irá participar no CAN 2017. A Guiné-Bissau vai estar pela primeira vez nesse evento desportivo e os adeptos sonham e vaticinam bons resultados na fase de grupos, em que os 'djurtus' irão defrontar o Gabão, os Camarões e o Burkina-Faso.

José Mário Vaz pede à seleção de futebol para se inspirar em Portugal

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, pediu na sexta-feira (06.01) os jogadores da seleção guineense de futebol para que se inspirem no exemplo de Portugal na conquista do Euro2016 quando enfrentaram a Taça das Nações Africanas (CAN).

José Mário Vaz, que se dirigia especificamente ao selecionador guineense, Baciro Candé, e ao capitão da seleção, Bocundji Cá, entregou aos 'djurtus' a bandeira nacional do país e disse esperar, em troca, que lhe entreguem a taça a 05 de fevereiro.

"Quando Portugal foi para o Euro ninguém dava nada por eles, mas graças a Deus conseguiram trazer a taça do Euro. Quero que isso sirva de motivação e de exemplo para nós", exortou José Mário Vaz. 

Belgien Brüssel Eröffnung der Geberkonferenz von Guinea-Bissau (DW/M. Sampaio)

José Mário Vaz, Presidente da Guiné-Bissau

O líder guineense acredita que desde que os jogadores estejam unidos, coesos e solidários no campo, a taça não irá fugir à Guiné-Bissau. 

"Tragam a taça de campeões de África. Quero que tragam a taça em nome de Amílcar Cabral", pediu o líder guineense, aludindo ao fundador da nacionalidade da Guiné e Cabo Verde.

José Mário Vaz afirmou ainda que a qualificação do país para a fase final da CAN, é um motivo de orgulho de respeito da Guiné-Bissau junto dos outros países africanos, o que leva os seus homólogos a felicitarem-lhe sempre que o encontrem lá fora. 

O capitão da seleção guineense, Bocundji Cá, não prometeu a taça ao Presidente, mas reafirmou a determinação dos jogadores para representarem a Guiné-Bissau de "forma condigna e com a cabeça levantada". 

Líder da federação de futebol da Guiné-Bissau eleito melhor dirigente do ano 

O presidente da Federação de futebol da Guiné-Bissau, Manuel Nascimento Lopes (Manelinho), foi distinguido melhor dirigente do ano 2016 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), numa gala realizada na Nigéria.

A inédita qualificação da Guiné-Bissau para a fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN), de futebol a realizar no Gabão, foi considerado pelo presidente da CAF como "motivo singular e de satisfação", o que, disse Hayatou, ditou a escolha de Manelinho como dirigente do ano. 

Ouvir o áudio 03:03

A uma semana do início do CAN 2017

Para o presidente da CAF, a qualificação da Guiné-Bissau para a CAN também simboliza "um verdadeiro nivelamento para cima" do futebol africano, "guindando países antigamente considerados pequenos para a alta-roda", enfatizou.

Recorde-se, que a gala da CAF consagrou o argelino Riayad Mahrez como jogador africano do ano, seguido do gabonês Pierre Aubameyang, na segunda posição, e do senegalês Sadio Mané, no terceiro lugar. Aubameyang, capitão do Gabão, defronta a Guiné-Bissau no próximo dia 14, no jogo de abertura da Taça das Nações Africanas (CAN) de 2017.

 

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