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Internacional

A paz regressa à República Centro-Africana?

O Fórum de reconciliação nacional na República Centro-Africana, que decorria em Bangui, a capital, desde segunda-feira passada (04.05), terminou com resultados considerados encorajadores e com perspetivas de paz no país.

O encontro durou uma semana e nele participaram cerca de 580 representantes de partidos políticos, de milícias, da sociedade civil e de religiões, bem como emissários dos países vizinhos, da União Africana, de França e da ONU. O objetivo principal era o de acabar com a violência que se prolonga há anos na República Centro Africana, e que já fez milhares de mortos e mais de um milhão de refugiados.

Neste Fórum de reconciliação nacional várias recomendações foram discutidas e finalmente adotadas durante os debates que abordaram quatro temas principais: "Justiça e Reconciliação", "Paz e Segurança", "Boa Governação" e "Desenvolvimento Socioeconómico".

Os ex-rebeldes centro-africanos da Seleka e os seus rivais anti-Balaka concluíram um acordo de desarmamento, de desmobilização e de reinserção. Os 10 mil capacetes azuis da Missão de Estabilização da ONU na República Centro Africana (MINUSCA), que substituiu a força francesa Sangaris, vão agora controlar este cessar-fogo.

Por outro lado, depois de a Autoridade Nacional de Eleições (ANE) ter considerado impossível organizar em junho ou julho as eleições presidenciais e legislativas, os participantes do Fórum de reconciliação recomendaram a adoção de um novo calendário eleitoral, depois de consultas feitas ao governo de transição e aos mediadores nacionais e internacionais. Os participantes defenderam igualmente o prolongamento do mandato do governo transitório, que expira no mês de agosto.

Bangui Zentralafrikanische Republik MINUSCA 09.10.2014

A missão de estabilização da ONU (MINUSCA) vai controlar o cessar-fogo

Joseph Bindoumi esteve presente no fórum na qualidade de membro da plataforma da sociedade civil e comentou os resultados: “Penso que as discussões decorreram da melhor forma apesar de algumas terem sido muito ásperas. Falaram-se de várias dificuldades, como, por exemplo, a falta de dinheiro para o financiamento das eleições na data prevista, que seria entre junho e agosto. Mas ficou agora decidido que os escrutínios (presidencial e legislativo) terão lugar obrigatoriamente em 2015, apesar de muito mais tarde do que estava previsto. Por outro lado, ficou acordado que a transição, que deveria terminar em 2015, será prolongada até que o processo fique definitivamente concluído.”

Grupos armados dizem que querem paz no país

Um dos painéis de discussão foi dedicado à questão da "Paz e Segurança", e os grupos armados mostraram-se disponíveis para que a paz regresse efetivamente à República Centro Africana.

“Estamos otimistas porque viemos para este fórum com um espírito de perdão, de tolerância e de paz. Penso que chegou o momento de colocarmos um termo no conflito armado e de virarmos a página", disse um porta-voz de um dos grupos armados.

Outro dos porta-vozes afirmou que “se viemos participar neste fórum é porque queríamos realmente um regresso à paz no país. Portanto, a partir dos compromissos assumidos neste encontro, esperamos que todos trabalhem para que a paz regresse à República Centro Africana.”

"Angola vai apoiar a RCA com recursos"

Recorde-se de que o Governo angolano anunciou a 20 de novembro de 2014 que estava a analisar a possibilidade de enviar um batalhão de infantaria motorizada com o seu armamento técnico, uma companhia de forças especiais e um hospital de campanha para a República Centro-Africana, para integrar a missão de paz da ONU.

Ouvir o áudio 03:21

A paz regressa à República Centro Africana?

O envio de forças militares de Angola para a República Centro-Africana chegou a ser previsto para o primeiro semestre de 2015, mas acabou por não se concretizar.

O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, Sachipengo Nunda, esclareceu que o seu país decidiu não enviar os militares para a MINUSCA, tendo Luanda optado por apoiar "com recursos". "O Estado angolano achou por bem participar fundamentalmente com recursos, porque a República Centro- Africana não tinha recursos nem para fazer funcionar o Governo. Enviar mais forças para um país sem Governo não seria uma solução muito relevante", explicou o general Sachipengo Nunda à agência de notícias LUSA, à margem do encontro das chefias militares da lusofonia, que teve lugar na semana passada, em Luanda.

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