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Angola

A luta pela independência de Angola travada a partir de Portugal

O Movimento Associativo Estudantil, que nos anos 1950 e 1960 desafiou o regime colonial de Salazar, foi importante na mobilização de consciências nacionalistas impulsionadoras das lutas pela independência dos PALOPs.

Alguns dos associados da Casa dos Estudantes do Império, que fizeram parte do referido movimento, realçam esse papel em declarações à DW, à margem de um recente debate, em Lisboa, organizado pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).

O Movimento Associativo Estudantil, que vigorou durante a ditadura salazarista, teve um papel valioso no processo político e cultural que conduziu à luta pela autodeterminação e independência dos países africanos de língua portuguesa. O médico Edmundo Rocha, um dos 14 angolanos que, em setembro de 1961, instalaram em Kinshasa (ex-Zaire) o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), diz: “Um dos pólos do desenvolvimento da consciência nacionalista foi aqui, em Lisboa, na Casa dos Estudantes do Império. E graças a várias pessoas, e a várias gerações, a do Agostinho Neto, do Lúcio Lara, a nossa, do João Vieira Lopes, do Gentil Vieira, foi-se sucessivamente mantendo e espalhando os ideais da chama do nacionalismo”.

Angola Edmundo Rocha

Edmundo Rocha

Fuga para o combate

Manuel dos Santos Lima, que viria a ser o primeiro comandante do Exército Popular para a libertação de Angola, foi outro dos “militantes” desse movimento: “Seguíamos atentamente o que se passava fora de território português, particularmente os movimentos independentistas nas antigas colónias francesas e inglesas. Nessa altura, quando os africanos se cruzavam em qualquer capital européia, era frequente as pessoas saudarem-se e perguntarem: e então, como é que está a luta no vosso país?”.

Edmundo Rocha, que esteve também ligado ao Movimento de Estudantes Angolanos (MEA), considera determinante a fuga organizada, de Portugal para Paris, de cerca de cem jovens das colónias, que mais tarde se juntariam aos movimentos de libertação: “Em 61, cem estudantes africanos decidiram fugir de Portugal, dar o salto, e reunir-se aos movimentos de libertação nacional lá fora: em Leopoldville com o MPLA, a FRELIMO nessa altura ainda não estava constituída, mas veio a constituir-se um ano ou dois depois, e ao PAIGC. O Pedro Pires [posteriormente Presidente de Cabo Verde] participou nessa fuga”.

Angola Manuel dos Santos Lima

Manuel dos Santos Lima

Os riscos da clandestinidade

Foi um ato de coragem, refere o médico. Porque, na época, um em cada dez portugueses era informador da polícia política (PIDE), que seguia todos os passos dos ativistas suspeitos. Os estudantes das colónias eram prisioneiros da situação política portuguesa e tinham que agir com cautela na clandestinidade. Já em 1960, quando se propagavam os valores e os princípios da africanidade, chegavam notícias sobre as independências de países africanos como o Congo Kinshasa – lembra o professor catedrático, Manuel Lima: “Portugal de Salazar resiste a esse movimento independentista, que se fez pacificamente, e então tem que se ir para a luta armada como último recurso. E é por isso que as antigas colónias portuguesas terão como grande parceiro a Argélia”, onde a França também não aceitou de bom grado um acordo, “e recorreu-se à guerra”, explica Manuel Lima.

Angola Carlos Veiga Pereira

Carlos Veiga Pereira

A independência como única solução possível

Carlos Veiga Pereira recorda-se particularmente bem das conversas que tinha com o seu grande amigo, António Agostinho Neto. Já na altura não havia qualquer dúvida sobre o que o futuro devia ser: “A primeira vez que tivemos uma conversa sobre isso, em Coimbra, em que de fato estávamos os dois de acordo de que não haveria outra solução que não a independência”.

Alguns desses jovens que integraram o movimento estudantil da época, como Amílcar Cabral e Agostinho Neto, entre outros, acabaram mais tarde por assumir a liderança das lutas pela libertação dos respetivos países, cujas independências foram proclamadas há 40 anos.

Ouvir o áudio 03:44

A luta pela independência de Angola travada a partir de Portugal

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